Grupo aguarda decisão da ANVISA para investir em medicamentos à base de maconha

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Piauhy, empresa responsável pela instalação de laboratório no Uruguai, planeja investir U$ 5 milhões em produção no Brasil caso a Anvisa dê sinal verde para o surgimento do novo mercado no país. Expectativa é que a decisão das autoridades brasileiras seja tomada até o fim deste ano, após consulta pública que será aberto na próxima semana. As informações são da Época

Responsável pela instalação do primeiro laboratório farmacêutico no Uruguai para produzir medicamentos com base nos princípios ativos da Cannabis , o grupo Piauhy planeja investimentos de pelo menos US$ 5 milhões no Brasil a partir de 2020 caso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dê sinal verde para o surgimento do novo mercado no país. A expectativa é que a decisão das autoridades brasileiras seja tomada até o fim deste ano, após o período de consulta pública que será aberto na próxima semana.

Formado por empreendedores e investidores brasileiros, o grupo comanda o Grüne Labs, no Uruguai, e em julho de 2018 iniciou suas atividades em Portugal, onde planeja erguer um laboratório farmacêutico em Évora e, em Aveiro, uma indústria de matérias primas à base de cânhamo, como são chamadas as plantas da família Cannabis com teor de THC (tetra-hidrocarbinol) abaixo de 0,2%. O THC é o responsável pelos efeitos alucinógenos da maconha. Sem ele, a planta dá origem a diversos óleos essenciais, com aplicações na indústria alimentícia, veterinária e de cosméticos.

Portugal legalizou o consumo de maconha medicinal no ano passado e as regras passaram a vigorar em fevereiro, após regulamentação. Todos os produtos deverão ser comprados com receita médica.

“Tirando a origem, que é a maconha, os princípios ativos são como qualquer outro extraído de plantas e os processos para produção dos medicamentos são os mesmos de qualquer indústria farmacêutica”, afirma Eduardo Sampaio, um dos integrantes e o porta-voz do grupo.

Sampaio, que já foi presidente no Brasil da Kroll, consultoria multinacional de riscos e investigações corporativas, afirma que a alternativa encontrada pelo grupo para desenvolvimento de produtos e pesquisas foi verticalizar a produção. No Uruguai, as plantas da maconha, que levam 14 meses para florescer, são cultivadas dentro do próprio laboratório, garantindo o padrão genético necessário para a qualidade dos medicamentos.

Os vários tipos de Cannabis possuem cerca de 150 fitocanabinóides, entre eles o THC e o canabidiol (CBD), que prevalece nas plantas classificadas como cânhamos.

Segundo Sampaio, no Uruguai a empresa optou por fabricar medicamento para epilepsia refratária e cremes e óleos dermatológicos, um deles usado no tratamento de psoríase, uma doença inflamatória crônica da pele. Em Portugal estão em andamento, por exemplo, pedidos à Infarmed, a agência reguladora local, de autorização para fabricação de medicamentos para dores crônicas e neuropatias, distúrbios de ansiedade e autismo (ASD).

“No Brasil haveria demanda para medicamentos destinados ao tratamento de epilepsia e ASD, por exemplo, mas o fato é que os marcos regulatórios determinados pela Anvisa é que definirão o que poderá ser produzido no país”, explica.

O Brasil, segundo Sampaio, tem cerca de 5 mil autorizações para importação de medicamentos à base de fitocanabinóides. A Justiça Federal na Paraíba também autorizou, em 2017, que a Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), em João Pessoa, cultive e manipule a maconha para fins medicinais para atender cerca de 150 integrantes da entidade até decisão da Anvisa sobre o tema. Há ainda expectativa de mercado para produtos orgânicos do cânhamo, como óleos e farinhas.

Sampaio diz que o investimento mais ambicioso é a produção de canabinóides sintetizados em laboratório (geneticamente modificados).

“Os investidores já descobriram que essa é uma indústria que já passou da casa do bilhão. Nos últimos 12 meses foram fechados mais de U$ 15 bilhões em negócios nessa área. É uma indústria legítima e com alta taxa de retorno. Aqui no Brasil, infelizmente, ainda resta um estigma contra a planta, algo que pesquisadores do mundo inteiro já demonstraram ser uma bobagem”, afirma Sampaio, que é formado em química e se prepara para se especializar na área de neurociência.

Além de usar as substâncias da maconha, o Piauhy pretende desenvolver produtos com substâncias de sementes de papoula, como morfina e óleos essenciais.

Embora a região do país com maior potencial para o plantio de cânhamo seja o Nordeste, Sampaio afirma que o nome Piauhy surgiu por acaso, com base no sucesso da revista piauí . Quando foi criado o estado, a grafia era Piauhy.

“Uma noite dessas em que você fica trabalhando e tomando vinho, fiquei pesquisando marcas disponíveis e descobri que Piauhy ainda estava disponível”, conta.

Sampaio não revela quem são os investidores do Grupo, que preferem se manter no anonimato, pelo menos até a decisão da Anvisa.

Confira:

Cultivo de cannabis: acompanhe ao vivo debate na ANVISA

#PraCegoVer: Em destaque, fotografia traz em primeiro plano a mão de uma pessoa segurando uma folha de cannabis e no segundo plano várias plantas de cannabis sendo cultivadas.

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