Feminismo e Marcha da Maconha ampliam o movimento e chegam à periferia

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A busca por direitos e igualdade são pontos comuns de várias causas que se reúnem em uma: a Marcha da Maconha. “A maioria das pessoas que estão nessas lutas são pessoas que sofrem algum tipo de criminalização por preconceito”, segundo Marta Magnífica* que explana sobre o tema no texto abaixo.

Além das marchas de São Paulo, cerca de 40 outras marchas da maconha estão marcadas para esse ano no resto do Brasil. É uma importante ampliação e o principal ganho de tal expansão e deslocamento é poder levar a marcha e, com ela, a luta e o debate para onde ela é mais importante: a periferia, as quebradas, as regiões afastadas do centro e mais afetadas pela guerra às drogas.

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Feminismo e antiproibicionismo juntos e olhando adiante
E a força por trás dessa expansão do movimento é majoritariamente feminina – boa parte da organização por trás das marchas regionais é feita por mulheres. Segundo Juliana Paula, uma das organizadoras da marcha na Zona Sudoeste, a natureza antiproibicionista do movimento é questão essencial para toda a luta feminina.

“A proibição atravessa a vida das mulheres de muitas maneiras. Acredito que o aborto e a proibição ao prazer são as mais fortes expressões da tentativa patriarcal de promover o controle sobre nossos corpos e vidas”, afirma, lembrando que todo o contexto das drogas, ilícitas ou não, é majoritariamente masculino, assim como era a própria marcha em seu início.

Outro aspecto lembrado por Karen Viegas: o que torna a participação feminina na causa urgente e fundamental é o encarceramento de mulheres. “62% das mulheres são encarceradas por tráfico de drogas (na sua maioria negras), e dessas mulheres, 74% são mães”, lembra. “Mulheres são presas, seus filhos confiscados pelo Estado, e tão logo, condenados à marginalidade”, aponta Karen, iluminando o racismo institucional que a proibição impõe. “São presas grávidas, dão à luz algemadas, depois são separadas de seu seus bebês, num sistema totalmente despreparado, e que encarcera em massa por uma merreca e que não tem nenhum compromisso com a agenda de direitos humanos. Enquanto isso acontece, quantos ‘helicocas’ sobrevoam as nossas cabeças?”, ela pergunta.

Ainda que mantenha como foco central de sua causa a necessidade urgente de se rever as leis que sustentam a guerra à maconha e às drogas, a Marcha da Maconha se transformou ao longo dos anos em um ponto de convergência de lutas diversas, como os direitos LGBTQI, contra a desigualdade racial e de gênero, contra a homofobia e muito mais. O que reúne todas essas causas em uma: a busca de nossos direitos . “A maioria das pessoas que estão nessas lutas são pessoas que sofrem algum tipo de criminalização por preconceito”, diz Marta Kanashiro, uma das organizadoras da Marcha em Santo André, lembrando que as causas se encontram tendo a luta pela igualdade como ponto comum.

Motivos para aderir à causa e às marchas, portanto, não faltam, e a força feminina é, assim, um dos combustíveis mais importantes desse movimento como um todo, e que vem há alguns anos expandindo seu campo de atuação e fazendo da Marcha da Maconha uma manifestação pública verdadeiramente importante e ampla.

*Texto originalmente publicado na Hypeness e enviado para a Smoke Buddies por Marta Magnífica, uma das organizadoras da Marcha em Santo André e integrante do Tarja Verde.

A Marcha da Maconha de Santo André acontece neste sábado (2),com concentração às 14h20, na Rua das Caneleiras, Parque Celso Daniel. Acompanhe a Marcha no Instagram:
http://www.instagram.com/marchadamaconhasantoandre.

Fique por dentro da agenda das Marchas deste ano:

Marcha da Maconha 2018: agenda dos atos pela legalização no Brasil

#PraCegoVer: fotografia de duas manifestantes segurando uma faixa verde e branca, onde se lê: “Feministas Antiproibicionistas – Pelo fim do feminicídio”. Registro feito durante a Marcha da Maconha realizada no última dia 30 em Brasília. Créditos: Yuri Barbosa.

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Sobre Smoke Buddies

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