Fabricantes de bebidas com THC precisam corrigir duas coisas antes da legalização federal

cerveja cannabis amsterdam Fabricantes de bebidas com THC precisam corrigir duas coisas antes da legalização federal

Nos EUA, bebidas com THC estão aparecendo cada vez mais em estados onde a maconha é legal, e bilhões de dólares são investidos. Contudo, duas questões podem provocar uma ressaca na indústria – saiba quais são na reportagem de Mike Adams para a Forbes

Alguns preveem que as bebidas com maconha estão destinadas a se tornar a próxima grande novidade no mundo selvagem da cannabis.

Isso faz sentido, também. O conceito de beber maconha não apenas traz à vida uma maneira de usar a maconha em quase todas as situações – perfeita para bares, restaurantes e outros ambientes livres de fumo – mas também permite que seja feito de uma maneira socialmente aceitável pelos padrões americanos.

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Para começar, não há fumaça intrusiva para flutuar na vizinhança de outras pessoas e nenhum odor pungente para irritar os caretas. Nem mesmo o mais sinistro dos “galeirões” do bairro vai reclamar sobre aqueles, bons por não terem nada de chapados, que estão sentados do lado de fora bebendo cerveja de maconha. Bem, talvez eles façam. Mas não será por causa da fumaça ou cheiro.

É por esse motivo que as bebidas de cannabis são sem dúvida a maneira mais comum de trazer maconha para o mainstream, e os fabricantes de bebidas que já entraram nesse jogo estão apostando nela.

Bilhões de dólares foram investidos para trazer bebidas de cannabis ao mercado, e essas bebidas estão começando a aparecer nos estados onde a erva é agora legal. Não está fora do alcance da imaginação que muitos fabricantes de bebidas com infusão de THC aguardam ansiosamente o momento em que o governo dos EUA finalmente encerre a proibição, para que possam tomar esses “chapados do gole” em todo o país.

E quando isso acontecer, tenha cuidado. Porque, na sua forma atual, as bebidas com maconha não são projetadas exatamente para o usuário adulto mediano. Identifiquei dois problemas que podem implicar em transtornos para as empresas de bebidas e para o consumidor, pois essas bebidas estão se tornando mais prevalentes em todo o país.

O preço de uma bebida com infusão de THC é superior ao de seis cervejas comuns

Eu estava na Califórnia na semana passada e mal podia esperar para experimentar oficialmente uma bebida com cannabis pela primeira vez. Certamente, as empresas me enviam amostras de vez em quando, mas como eu moro em Indiana – um lugar onde a posse de maconha ainda pode prender um irmão – elas precisam me enviar a versão sem THC. Por várias razões, não vou comentar sobre qualquer bebida de maconha que não venha com uma “chapação”. Eu quero experimentar o sabor real, o tempo de início, e fazer avaliações com base no produto real, e não uma variação leve de cannabis para nós pobres imbecis que ainda vivem nos limites da proibição.

Mas o Estado Dourado tem o real, então, quando tive a oportunidade de pegar alguns, fiz exatamente isso. No entanto, não perguntei ao bom budtender da MedMen o preço antes de pedir um pacote com quatro, enquanto eu continuava comprando. Cara, fale sobre choque de etiqueta. A marca que comprei (Lagunitas Hi-Fi Hops) custa US$ 8 por uma única garrafa de 350 ml. Eu acho que a loja poderia ter me dado um desconto em várias bebidas, porque, com impostos, um pacote com quatro me custou cerca de US$ 33.

Para um pacote com quatro!

É concebível que o alto preço impeça essas bebidas de atingirem o tamanho esperado. Consumidores não fumantes, que estão entusiasmados com a ideia de ingerir cannabis como se tivessem tomando uma cerveja, podem ter aversão a gastar esse tipo de dinheiro com elas. Os fabricantes de bebidas precisarão tornar o preço de varejo mais comparável ao da cerveja artesanal antes que essas bebidas tenham a chance de lutar para se tornarem algo mais do que uma novidade em uma loja de maconha.

Talvez a incapacidade de vender às pessoas a ideia de gastar US$ 8 por uma bebida possa ser uma das razões pelas quais o CEO da Aurora Cannabis, Terry Booth, disse ao  Yahoo Finance  que “o mercado [de cannabis] comprovado certamente não está nas bebidas”.

No entanto, o mercado de bebidas com infusão de THC deverá atingir US$ 1,4 bilhão até 2024. Isso é, se todas as empresas que tentam avançar com esse conceito, incluindo a Constellation Brands, não quebrarem primeiro.

O teor de THC é alto demais para as pessoas que desejam beber socialmente

Outro problema que notei com as bebidas de cannabis é que elas são fortes demais para serem consumidas em um ambiente social, como a maioria das pessoas faz com cerveja. A Lagunitas Hi-Hops que eu tinha vem com 10 mg de THC. E mesmo que exista uma versão da bebida que contenha apenas 5 mg de THC (e 5 mg de CBD), o conteúdo ainda é alto demais para que possam ser consumidas socialmente sem levar as pessoas ao exagero.

Imagine o meu desânimo quando soube que atualmente existem empresas de cannabis que comercializam bebidas que contêm 100 mg de THC por garrafa. Isso é pura loucura, já que sabe-se que doses mais altas do composto chapante (e 100 mg é uma quantidade insana para uma pessoa) causam todos os tipos de efeitos colaterais graves. Alguns goles dessas coisas e a maioria dos usuários serão lançados em um pesadelo de desespero e pânico. Felizmente, existe uma solução simples para impedir que a América se apavore quando as bebidas com erva  começam a se tornar mais populares.

Apenas as torne menos potentes.

É isso mesmo, pare de tentar virar as pessoas de dentro pra fora com quantidades monstruosas de THC e dê a elas um produto razoável que elas possam moderar.

Pense nisso: para uma pessoa se sentar em algum lugar e tomar “alguns” drinques com THC com seus amigos, isso significaria consumir cerca de 30 mg de THC ao longo da noite. Sem dúvida, alguns usuários de cannabis hardcore estão lendo isso e pensando: “Cara, eu poderia lidar com isso, sem problemas”. E talvez eles possam. Aqueles com uma tolerância mais alta podem não virar para fora depois de consumirem em excesso essas coisas. Mas o usuário mediano não será capaz de sugar mais do que uma ou duas sem ultrapassar os limites.

O teor de THC das bebidas de maconha deve começar mais próximo de 2-3 mg por garrafa. Dessa forma, as pessoas podem desfrutar de algumas sem ficarem chapadas demais e depois implorar a alguém que ligue para o 911 para ter acesso a um respirador. Não é brincadeira. A respiração pode ficar complicada após 30 mg de THC.

Embora isso possa não ser um grande problema no momento, as minutas das leis de consumo social começam a se aplicar em todo o país (isso acontecerá mais após o fim da proibição federal) e as empresas de cannabis e bebidas serão parcialmente responsáveis ​​por mostrar ao país como beber THC com segurança.

E isso será muito mais fácil de fazer com uma bebida que não foi projetada para destruí-los, logo de cara.

Tradução: Joel Rodrigues | Smoke Buddies.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) em plano fechado e ângulo diagonal que mostra garrafas de cerveja de maconha enfileiradas no que parece ser a prateleira de um freezer; nos rótulos, pode-se ver o desenho de uma folha de maconha dourada e palavra “cannabis” em verde. Foto: Ringo Giacobelis.

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Sobre Smoke Buddies

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