Estudos lançam dúvida sobre a maconha como tratamento confiável para dor e insônia

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Segundo os estudos, a cannabis pode não aliviar a dor em pacientes com câncer e para os casos de insônia a erva pode auxiliar no tratamento, desde que o uso não seja abusivo. Com informações da VICE e tradução pela Smoke Buddies

Milhões de pessoas em todo o mundo usaram cannabis medicinal para tratar uma ampla gama de condições de saúde, incluindo transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, câncer, epilepsia e síndrome do intestino irritável. Como a maconha é cada vez mais legalizada nos Estados Unidos — até agora, é legal em 33 estados e Washington, DC — pesquisadores, pacientes e médicos estão curiosos sobre como a cannabis pode ser usada em tratamentos para insônia e controle da dor (e se, no último caso, pode servir como um substituto mais seguro para os opioides).

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Dois novos estudos com o objetivo de esclarecer mais os efeitos da cannabis na saúde foram publicados na revista BMJ Supportive & Palliative Care na segunda-feira, em resposta à recente solicitação da Organização Mundial da Saúde por mais dados sobre o uso de canabinoides no tratamento da dor. Juntos, eles sugerem que a erva pode não aliviar a dor e o sono das pessoas de maneira tão conclusiva quanto as pesquisas anteriores indicaram.

O primeiro estudo está entre as primeiras pesquisas a analisar principalmente como a cannabis medicinal afeta o sono. A dor crônica dificulta o sono da pessoa durante a noite — simplesmente mudar a posição durante sono pode desencadear um surto de dor e fazê-la acordar. O estudo descobriu que a erva pode ajudar algumas pessoas a dormir mais profundamente, mas afetam negativamente o sono das pessoas que usam maconha pesadamente.

Os pesquisadores avaliaram o comportamento do sono de 128 pessoas com dor crônica, cerca de metade das quais usavam cannabis com uma média de cerca de 30 mg por mês, durante quatro anos. Em comparação com aqueles que não usaram, os usuários relataram que eram mais propensos a dormir a noite toda. Em média, a maconha não demonstrou ter um impacto notável na facilidade com que as pessoas dormiam ou com o quanto elas acordavam cedo ou tarde.

Aqueles que usavam cannabis com mais frequência do que o que foi definido pelos pesquisadores como “regular” experimentaram mais problemas em adormecer. Os pesquisadores suspeitam que isso ocorra porque os usuários frequentes podem ter uma maior tolerância à maconha e, portanto, não obtêm os mesmos benefícios de auxílio ao sono (dito isso, também pode ser porque as pessoas que usam mais frequentemente o fazem porque estão com dores mais intensas e essa dor extra pode ser o que está fazendo com que elas acordem à noite).

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As pessoas com câncer também costumam usar cannabis para o tratamento da dor fora dos problemas relacionados ao sono: uma pesquisa de 2018 descobriu que 18% dos pacientes com câncer usavam nos últimos seis meses; outro estudo de 2017 descobriu que 24% relataram usá-la para sintomas relacionados ao câncer no ano anterior.

O segundo relatório publicado na segunda-feira, que buscava medir se a cannabis pode efetivamente reduzir a dor relacionada ao câncer, avaliou os resultados de cinco estudos clínicos comparando os efeitos da cannabis na redução de dor aos comprimidos de placebo entre pessoas que já tomavam opioides para a dor.

Analisando dados de saúde de 1.442 pessoas medidos através de “escores de dor” autorrelatados, os pesquisadores descobriram que os níveis de dor dos participantes não eram diferentes entre aqueles que receberam cannabis e aqueles que receberam placebo. A cannabis estava ligada a um risco maior de efeitos colaterais negativos — principalmente sonolência, tontura, náusea e vômito — levando os pesquisadores a concluir que, porque os contras dos canabinoides podem superar os prós, eles não devem ser recomendados para tratar a dor relacionada ao câncer.

A pesquisa mais recente é uma nova e importante informação que aborda o papel da cannabis no tratamento da dor no câncer, mas nenhum estudo é definitivo, de acordo com Len Lichtenfeld, vice-diretor médico da The American Cancer Society. “Não temos um corpo de pesquisa organizada com cannabis no que diz respeito ao tratamento do câncer em geral, seja o tratamento do câncer, seja o tratamento da dor do câncer; seja a qualidade de vida e a sensação de bem-estar com câncer”, afirmou Lichtenfeld.

Lichtenfeld apontou que existem muitas opiniões e histórias de consumidores sobre o impacto da cannabis não apenas no câncer, mas na saúde em geral. Segundo Lichtenfeld, não há pesquisas confiáveis ​​suficientes testando essas alegações, como a OMS também apontou (Muitos estudos menores basearam-se nos benefícios autorrelatados da cannabis em aspectos do tratamento do câncer no passado). “Só porque as pessoas dizem que é assim, não significa que é assim”, disse Lichtenfeld.

Os estudos publicados na segunda-feira refletem elementos das áreas cinzentas científicas aqui: eles descobriram que é necessário um olhar mais atento às doses e modos (por exemplo, fumar, comer e vaporizar) de tratar problemas de saúde com cannabis para entender o potencial da droga para reduzir a insônia e dor crônica.

A maconha ainda é classificada como uma droga de Classe 1 nos EUA, o que significa que “não tem uso medicinal aceito” em nível federal e acredita-se que tenha um alto potencial de abuso. Estudos definitivos foram, portanto, marginalizados pelo governo federal. Enquanto for esse o caso, provavelmente continuará sendo difícil para os pesquisadores garantir o financiamento necessário para estudar os efeitos da cannabis na saúde, apesar dos riscos (e recompensas) potenciais de ficar chapado para se sentir melhor — ou simplesmente dormir um pouco.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia de um frasco cilíndrico transparente contendo uma substância amarela e, logo acima, um conta-gotas com o mesmo líquido e parte da mão que o segura; o frasco está sobre uma superfície de madeira e ao lado de flores secas de maconha e um estetoscópio, e, ao fundo desfocado, pode-se ver plantas de cannabis em período vegetativo. Foto: The Thaiger.

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Sobre Smoke Buddies

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