Cachinhos Dourados: estudo mostra que produtos de CBD geralmente têm muito ou pouco CBD

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Estudo realizado pela Leafly revela que a maioria dos produtos de CBD vendidos nos EUA não possui o teor indicado no rótulo e que nenhum dos cartuchos de vape testados apresentou óleo de vitamina E, considerado o principal culpado pelo surto de doença pulmonar associado aos vaporizadores. Com informações da Forbes e tradução pela Smoke Buddies

De acordo com um novo relatório publicado pela Leafly na última terça-feira (19), o mercado de CBD é atormentado por imprecisões, especialmente quando se trata da quantidade desse composto químico presente em produtos vendidos nos EUA, em comparação com o que dizem os rótulos.

“Estamos no momento dos Cachinhos Dourados e dos Três Ursos quando se trata de CBD e do mercado de CBD. Alguns produtos têm muito pouco CBD; alguns estão entregando demais; e alguns estão entregando a quantidade certa. Foi o que descobrimos em nosso programa de testes”, disse Bruce Barcott, autor do relatório e editor sênior da Leafly, durante uma conversa exclusiva.

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O estudo

As descobertas mencionadas acima derivaram do teste independente de 47 produtos populares de CBD; o estudo foi conduzido pela Leafly e Confidence Analytics, um laboratório de cannabis licenciado pelo estado de Washington. O que eles fizeram foi buscar termos no Google como “melhores produtos de CBD” e “CBD barato”, e comprar muitos dos produtos que apareceram. Eles também compraram mais alguns produtos em redes de farmácias nacionais, como Rite Aid e Walgreens, além de supermercados independentes, lojas de conveniência, postos de gasolina e até uma loja de surf.

Entre as principais conclusões, constatou-se que um em cada três produtos de CBD contém menos de 80% do CBD que pretende entregar.

Aproximadamente metade (25 de 47) dos produtos testados cumpriu suas promessas de potência de CBD – e a maioria não era precisa, mas com uma margem de erro de 20%.

Curiosamente, 17% dos produtos testados continham mais de 120% do CBD que seus rótulos alegavam possuir. Imagine comprar um produto que afirma ter 100 mg de CBD e acaba tendo 130 mg. Não é bom!

Por outro lado, 19% dos produtos em questão detinham menos de 80% do CBD que deveriam possuir, segundo os rótulos, enquanto 11% dos produtos não possuíam CBD.

É importante notar, no entanto, que as coisas estão melhorando. Quando a FDA conduziu o mesmo estudo em 2016, eles descobriram que 77% dos produtos no mercado tinham muito menos CBD do que anunciavam – e muitas vezes não tinham nenhum.

“Tínhamos a impressão de que alguns dos produtos à base de água não se sairiam bem justamente porque o óleo de cannabis ou óleo de cânhamo são lipídios. E há uma razão para dizer que óleo e água não se misturam bem. É realmente difícil conectar essas duas coisas”, comentou Barcott.

No entanto, a equipe da Leafly ficou muito surpresa com os resultados obtidos quando analisaram cápsulas contendo CBD. Todos os produtos testados nesta categoria tinham mais CBD do que revelaram. Enquanto alguns tinham um pouco mais de CBD, outros tinham até 50% a mais do que diziam ter.

Embora isso possa não parecer um problema a princípio, certamente é. O CBD não é um refrigerante ou um saco de batatas fritas, onde obter mais do que você pagou é uma coisa boa. Nesse caso, obter mais CBD do que você precisa ou deseja pode causar efeitos indesejados, muitos dos quais ainda nem sabemos.

“Pacientes, os consumidores não procuram CBD de bônus; procuram confiabilidade e a mesma dose sistematicamente”, acrescentou Barcott, explicando que a dosagem precisa é a chave para encontrar a quantidade certa de CBD para tratar efetivamente uma doença específica.

Imaginei que muitos consumidores gostariam de saber: qual é o perigo de usar doses excessivas de CBD, se não vou ter uma overdose?

“A resposta é que ainda não sabemos”, explicou ele, acrescentando que não pode dizer às pessoas que o CBD prejudicará sua saúde – mas também não pode garantir o contrário.

Leia: Consumidores dos EUA preocupam-se com segurança dos produtos de CBD, segundo pesquisa

Concluiu que as empresas que dedicam tempo para testar seus produtos e rotulá-los adequadamente têm mais probabilidade de fazer outras coisas corretamente, enquanto as empresas que rotulam incorretamente seus produtos têm maior probabilidade de estar atrapalhando outros estágios da produção e processo de terceirização também. Pense desta maneira: cortar cantos geralmente não é algo que você faz em apenas um canto. Ou você faz ou não.

De acordo com ele, Os Simpsons colocam isso melhor do que qualquer outra pessoa: “Se você cortar todos os cantos, não é tão ruim assim. Todo mundo faz isso, mesmo mamãe e papai. Se ninguém vê, ninguém fica bravo”.

Mas prenda a respiração. Assim como no final do vídeo de Os Simpsons acima, cortar custos não é uma solução. As coisas podem ficar fora de controle a qualquer momento.

Dito isto, o estudo da Leafly não apenas deu más notícias. Entre alguns resultados positivos aos quais o estudo chegou foram:

  • Nenhum dos cartuchos de vape analisados ​​(nem mesmo os falsificados) continha óleo de vitamina E, atualmente considerado o principal culpado por trás do surto de doença pulmonar associada aos vaporizadores.
  • Nenhum dos produtos testados tinha conteúdo de THC acima dos níveis permitidos legalmente.

Como encontrar bons produtos de CBD

Com base nesses resultados, a equipe da Leafly elaborou um breve guia para ajudar os consumidores a se decidirem melhor ao comprar produtos de CBD:

  • Sempre vá a revendedores confiáveis, que tendem a se especializar nesses produtos. Pense desta maneira: se você compra um sanduíche em uma loja de sapatos, é provável que não seja ótimo.
  • Peça resultados de testes de laboratórios independentes e de terceiros. Geralmente, marcas com práticas transparentes colocam um código QR em seus produtos, que você pode digitalizar para ver os resultados.
  • Procure empresas estabelecidas, contra recém-chegados desconhecidos. Marcas de estados que iniciaram o movimento, como Colorado, Califórnia, Washington, Oregon ou Massachusetts, tendem a ser melhores.
  • Siga seu instinto: se a embalagem parecer ruim, o produto provavelmente também não é bom.
  • A fonte orgânica sempre ajuda.
  • Confira a consistência em cada tipo de produto. Gomas e tinturas parecem ser mais confiáveis.
  • O preço é sempre um indicador. Produtos baratos demais têm mais probabilidade de falhar em suas promessas de CBD.

Sobre a conclusão, Barcott disse: “existe um grande desafio associado ao trabalho com essa substância relativamente nova, o CBD. Muitas empresas estão trabalhando com fontes de CBD que são novas porque a colheita se tornou legalmente federal em dezembro; os agricultores estão plantando suas primeiras colheitas de cânhamo; muitas empresas estão extraindo isso pela primeira vez… E, aparentemente, simplesmente não é fácil replicar dose, após dose, após dose de CBD. Isso não quer dizer que eles não precisam fazer isso. Este setor precisa melhorar”.

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#PraCegoVer: a imagem em destaque mostra a foto desfocada de um conta-gotas contendo substância amarelada translúcida e um cultivo de maconha, ao fundo. Imagem: Javier Hasse.

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