Estudo levanta questões sobre leis que penalizam a direção sob efeito de maconha

Foto Diogo Vieira Estudo levanta questões sobre leis que penalizam a direção sob efeito de maconha

Em uma análise de 80 estudos científicos, pesquisadores da Universidade de Sydney descobriram que a duração exata da deficiência depende da dose de THC, se o uso é inalado ou oral e se o usuário de maconha é regular ou ocasional

Nova análise da Lambert Initiative, na Universidade de Sydney (Austrália), definiu durações de comprometimento após doses de THC inaladas ou orais. As descobertas levantam questões sobre as leis atuais relativas à direção sob o efeito de drogas, que penalizam a presença de THC, e não os níveis de embriaguez.

Uma análise abrangente de 80 estudos científicos identificou uma “janela de deficiência” entre três e 10 horas causada por doses moderadas a altas do componente inebriante da cannabis, o tetraidrocanabinol (THC). As descobertas têm implicações para a aplicação das leis contra a condução sob o efeito de drogas em todo o mundo, dizem os pesquisadores.

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O estudo descobriu que a duração exata da deficiência depende da dose de THC, se o THC é inalado ou tomado por via oral, se o usuário de maconha é regular ou ocasional e as demandas da tarefa sendo realizada enquanto embriagado.

O estudo representa a primeira meta-análise desse tipo e destilou os resultados de 80 estudos científicos separados sobre deficiência induzida por THC conduzidos nos últimos 20 anos. Foi publicado na Neuroscience & Biobehavioral Reviews.

“O uso legal de cannabis, tanto medicinal quanto não medicinal, é cada vez mais comum em todo o mundo”, disse a autora principal, Dra. Danielle McCartney, da Lambert Initiative for Cannabinoid Therapeutics da Universidade de Sydney.

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“O THC é conhecido por prejudicar agudamente a direção e o desempenho cognitivo, mas muitos usuários não têm certeza de quanto tempo essa deficiência dura e quando podem retomar tarefas sensíveis à segurança, como dirigir, após o consumo de cannabis.

Nossa análise indica que o comprometimento pode durar até 10 horas se altas doses de THC forem consumidas por via oral. A duração mais típica da deficiência, entretanto, é de quatro horas, quando doses mais baixas de THC são consumidas por meio do fumo ou vaporização e tarefas mais simples são realizadas (por exemplo, aquelas que usam habilidades cognitivas, como tempo de reação, atenção sustentada e memória de trabalho).

Esse comprometimento pode se estender por até seis ou sete horas se doses mais altas de THC forem inaladas e tarefas complexas, como dirigir, forem avaliadas.”

Para este estudo, uma dose moderada de THC é de cerca de 10 miligramas, mas os pesquisadores dizem que o que é moderado para um usuário regular pode ser alto para um usuário ocasional.

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O coautor Dr. Thomas Arkell, também da Lambert Initiative, disse: “Descobrimos que a deficiência é muito mais previsível em usuários ocasionais de cannabis do que em usuários regulares. Usuários intensos mostram tolerância significativa aos efeitos da cannabis na direção e na função cognitiva, embora normalmente exibam alguma deficiência”.

Os autores observaram que os usuários regulares podem consumir mais cannabis para obter um efeito, levando a uma quantidade equivalente de comprometimento.

Muitos usuários de cannabis para fins medicinais consomem THC na forma de óleos, sprays ou cápsulas e outra descoberta importante foi que, com esse uso oral, a deficiência demora mais para aparecer e dura muito mais tempo do que com a inalação.

Os pesquisadores disseram que as descobertas têm implicações nas leis contra a direção sob o efeito de drogas.

O diretor acadêmico da Lambert Initiative, professor Iain McGregor, disse: “O THC pode ser detectado no corpo semanas após o consumo de cannabis, embora seja claro que a deficiência dura por um período de tempo muito mais curto. Nossas estruturas legais provavelmente precisam acompanhar isso e, como acontece com o álcool, focar no intervalo em que os usuários representam um risco maior para si próprios e para os outros. A acusação apenas com base na presença de THC no sangue ou saliva é manifestamente injusta”.

As leis devem ser sobre segurança nas estradas, não sobre punições arbitrárias. Dado que a cannabis é legal em um número cada vez maior de jurisdições, precisamos de uma abordagem baseada em evidências para as leis contra a direção sob o efeito de drogas”, disse o professor McGregor.

Este artigo segue uma pesquisa recente do Dr. Arkell e colegas que mostra que um dos componentes medicamente ativos da maconha, o canabidiol (CBD), não causa comprometimento ao dirigir.

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#PraCegoVer: fotografia tirada do interior de um carro que mostra uma mão tatuada segurando um baseado sobre o vidro abaixado, o retrovisor mostrando a pista de faixa contínua e uma paisagem verde desfocada (em movimento), ao fundo. Imagem: Diogo Vieira.

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