Estudo liga déficits cognitivos na meia-idade a uso de cannabis a longo prazo

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Uma pesquisa divulgada recentemente descobriu que o QI dos usuários de maconha de longo prazo diminuiu da infância para a meia-idade

Os usuários de cannabis de longo prazo mostraram déficits na cognição e menor volume do hipocampo na meia-idade, de acordo um estudo recente publicado no American Journal of Psychiatry.

A pesquisa acompanhou de perto 1.037 indivíduos na Nova Zelândia, nascidos entre abril de 1972 e março de 1973, até a idade de 45 anos, com 94% dos participantes permanecendo até o final do estudo.

O uso e a dependência de cannabis foram avaliados aos 18, 21, 26, 32, 38 e 45 anos, enquanto o QI foi medido aos 7, 9, 11 e 45 anos. Avaliações de funções neuropsicológicas específicas e volume hipocampal foram realizadas para todos os participantes na idade de 45 anos.

A equipe de pesquisa descobriu que os indivíduos que usavam cannabis a longo prazo e fortemente — pelo menos semanalmente, embora a maioria dos participantes usasse mais de quatro vezes por semana — exibiam deficiência cognitiva.

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Os resultados mostraram que o QI dos usuários de cannabis de longo prazo diminuiu da infância para a meia-idade (média de 5,5 pontos), resultando em menor velocidade de aprendizado e processamento em comparação com pessoas que não usavam cannabis, bem como problemas de memória e atenção.

Quanto mais frequentemente um indivíduo usava cannabis, maior o comprometimento cognitivo resultante, sugerindo um potencial vínculo causal.

Os déficits cognitivos persistiram mesmo quando os pesquisadores controlaram fatores como uso habitual de outras drogas, história familiar de dependência de substâncias e status socioeconômico infantil.

As descobertas também revelaram que os usuários de cannabis de longo prazo tinham um hipocampo (região do cérebro envolvida na formação de novas memórias) menor, mas isso não mediou estatisticamente os déficits cognitivos relacionados à cannabis.

Em contrapartida, os indivíduos que usavam cannabis menos de uma vez por semana sem histórico de desenvolvimento de dependência não apresentavam déficits cognitivos relacionados à cannabis.

“Os déficits que observamos são comparáveis aos déficits cognitivos da meia-idade de indivíduos que desenvolveram demência no Estudo de Risco de Aterosclerose nas Comunidades”, escreveram os autores. “É oportuno, dada a confluência de duas tendências: o crescimento da população envelhecida e as altas taxas recordes de uso de cannabis entre os idosos de hoje.”

Dito isso, os pesquisadores disseram que estudos futuros são necessários para explorar como o uso de cannabis a longo prazo pode afetar o risco de desenvolver demência, uma vez que o comprometimento cognitivo da meia-idade está associado a taxas mais altas da doença.

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Uma pesquisa separada realizada na Escola de Saúde Pública da Universidade de Haifa, em Israel, revelou que a função cognitiva de pacientes idosos que usam cannabis para o tratamento de dor crônica não é diferente daquela de pacientes que não consomem a planta.

O estudo incluiu um total de 125 pacientes com dor crônica com mais de 50 anos, 63 dos quais possuíam licença para usar cannabis medicinal. A idade média dos participantes era de 62 anos. A função cognitiva foi examinada por meio de uma série de testes computadorizados que avaliaram o funcionamento das reações psicomotoras, concentração, memória e capacidade de aprendizagem.

“Embora os pacientes tratados com cannabis a tenham usado de forma consistente por pelo menos um ano, não descobrimos que seu funcionamento cerebral fosse pior do que o de indivíduos de idades e doenças de fundo semelhantes”, disseram os pesquisadores.

Já um estudo realizado com gêmeos na Califórnia e em Minnesota, nos EUA, vai de encontro com os resultados observados no estudo com os neozelandeses.

Os pesquisadores examinaram dados de dois estudos longitudinais de gêmeos e mediram a inteligência dos gêmeos entre nove e 12 anos de idade, antes de qualquer uso de drogas, e o fizeram novamente entre 17 e 20 anos.

Exatamente como no estudo da Nova Zelândia, os usuários de maconha tiveram escores mais baixos nos testes e mostraram notáveis reduções no QI ao longo do tempo. Mas, na análise dos pesquisadores estadunidenses, o uso de cannabis e o QI eram completamente não correlacionados, e as medidas de QI caíram igualmente nos usuários e nos abstêmios. Estudos subsequentes de gêmeos, incluindo um realizado com dados do Reino Unido, corroboraram esses achados de nenhuma relação entre o uso de maconha e um QI em queda.

O estudo com gêmeos desembaraça a questão “causa versus consequências”, que permanece na pesquisa neozelandesa. Os gêmeos crescem com os mesmos antecedentes familiares e são geneticamente muito semelhantes, eles formam controles experimentais perfeitos um para o outro. Se o gêmeo A fuma cannabis enquanto o gêmeo B não, os pesquisadores têm um miniexperimento rigidamente controlado que ajuda a descartar fatores de confusão. Com estudos epidemiológicos de gêmeos, um pesquisador é capaz de analisar uma amostra inteira e resumir todos os efeitos relevantes.

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#PraTodosVerem: foto mostra duas mãos vindas das laterais da imagem e se encontrando ao centro, enquanto passam um baseado, em fundo embaçado. Fotografia: Pexels / Rodnae Productions.

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