“Estou grávida e fumo maconha diariamente: é a única forma de parar os enjoos matinais”

sammy warnes gestante baseado “Estou grávida e fumo maconha diariamente: é a única forma de parar os enjoos matinais”

Uma mãe grávida fuma maconha todos os dias para combater a ‘doença da manhã’, apesar de especialistas alertarem que seu bebê corre sérios riscos. As informações são do The Sun, com tradução pela Smoke Buddies

Sammy Warnes, 30 anos, sofre de hiperêmese gravídica, graves enjoos matinais, incluindo náusea e vômito crônicos, que é a mesma doença que Kate Middleton sofreu durante todas as três gestações.

Mas a médica Dra. Carol Cooper adverte que Sammy deve parar – explicando que, embora a pesquisa sobre o impacto do hábito de fumar maconha durante a gravidez seja limitada, os perigos incluem aumento do risco de ocorrência de natimorto, baixo peso ao nascer e prematuridade.

Cooper disse à Fabulous Digital: “A cannabis é reconhecida há muito tempo por ajudar com as náuseas em pacientes em quimioterapia, trabalhando diretamente nos centros de vômito no cérebro. Ela também atua no intestino para retardá-la”.

“Portanto, talvez não seja uma surpresa encontrar muitas futuras mães que se voltam para a maconha por causa da doença da manhã”.

“Há muito pouca pesquisa sobre seu uso na gravidez, mas estudos até agora sugerem que fumar maconha pode desencadear trabalho de parto prematuro e interferir no crescimento do bebê no útero. Também pode aumentar o risco de morte no berço”.

“Pesquisas usando ratos mostram que a maconha afeta o tipo de proteínas e gorduras que compõem o cérebro, e que podem ter sérios resultados de longo alcance em seus filhotes, especialmente em aprendizado e memória.”

“No momento, acho imprudente para qualquer mulher grávida usar maconha.”

“Nós simplesmente não sabemos o suficiente sobre os riscos para o bebê.”

As diretrizes atuais do NHS (Serviço de Saúde do Reino Unido) sobre fumar tabaco durante a gravidez alertam que os riscos são muito reais. Bebês expostos à fumaça do tabaco no ventre de sua mãe são, em média, 226 granas mais leves que os outros recém-nascidos.

“Eles são mais propensos a ter problemas para se aquecer e são mais propensos a contrair infecções”, alerta o NHS.

Leia: Uso da maconha na gravidez não está ligado a casos de parto prematuro e outros riscos

Sammy sofreu terríveis enjoos matinais com sua filha Arabella, agora com três anos, e recebeu um remédio forte para ajudar.

A hiperêmese gravídica difere da doença da manhã padrão porque as náuseas e vômitos são prolongados e muito graves – algumas mulheres têm 50 crises em um dia e Kate Middleton foi hospitalizada.

Podem sofrer perda de peso e ficarem desidratadas porque têm muitas crises, além de também poderem sentir pressão baixa quando se levantam.

Ao contrário da doença da manhã normal, nem sempre melhora em 16 a 20 semanas.

Mães com hiperêmese gravídica podem ser tratadas com medicamentos anti-enjoo, vitaminas B6 e B12 e esteroides, ou uma combinação destes, nenhum dos quais tem efeitos negativos sobre o bebê.

No entanto, algumas podem estar nervosas demais para tomar a medicação – ou estarem mal informadas sobre novos tratamentos – para a doença.

Em parte, isso se deve à crise da talidomida nos anos 60, que viu bebês nascerem com defeitos de nascimento depois que suas mães tomaram o medicamento durante a gravidez.

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#PraCegoVer: fotografia em primeiro plano de Sammy Warnes, em perfil, e sua filha Arabella, de costas para a câmera e sentada em seu colo; a mãe segura à frente uma foto da imagem de ultrassom que realizou durante a gravidez; ao fundo, sofá e almofadas em tons de cinze e uma parede branca. Foto: arquivo pessoal.

O que é hiperêmese gravídica?

A hiperêmese gravídica (HG) é muito pior do que a doença da manhã normal experimentada durante a gravidez.

Ao contrário dos enjoos regulares da gravidez, a HG pode não melhorar em 14 semanas e, para muitas necessidades, precisa de tratamento hospitalar.

As que sofrem desta condição podem ter crises várias vezes ao dia e não conseguirem manter a alimentação, o que pode impactar enormemente sua vida cotidiana.

Os sintomas incluem:

  • náusea e vômito prolongados, com algumas mulheres doentes até 50 vezes por dia
  • perda de peso
  • desidratação – as pacientes não conseguem ingerir líquidos, se você bebe menos de 500 ml por dia, o NHS recomenda que se procure ajuda
  • cetose – uma condição séria que resulta no acúmulo de substâncias químicas ácidas no sangue e na urina
  • pressão arterial baixa (hipotensão) quando em pé

A doença pode não desaparecer completamente até o bebê nascer, embora alguns sintomas possam melhorar em torno de 20 semanas.

É improvável que a HG prejudique o bebê, mas pode fazer com que a gestante perca peso durante a gravidez, por isso há um aumento na chance de o bebê pesar menos do que o esperado.

Sammy afirma que a medicação que lhe foi dada representava um risco para o bebê ainda não nascido e também não funcionou bem.

Após semanas de noites sem dormir e vômitos crônicos, Sammy, da cidade de Leeds, pesquisou por si mesma e encontrou que dar uma ou duas tragadas em um baseado todos os dias pode ajudar.

Seus sintomas desapareceram totalmente em 25 semanas, e Arabella nasceu em forma e saudável.

Leia mais: O benefício que a maconha traz para algumas mulheres durante a gravidez

Depois de engravidar novamente, sua doença voltou, mas é “10 vezes pior”, e por isso Sammy voltou a ignorar os conselhos médicos.

“Não tive escolha a não ser aceitar. Funcionou tão bem da última vez”, disse ela.

“Desta vez, a doença veio 10 vezes pior e eu estava pensando em ter um aborto”.

O NHS diz que entre uma e três em cada 100 mulheres grávidas sofrem de hiperêmese gravídica, com o The Telegraph citando anteriormente um estudo que sugeria que 1.000 mulheres por ano abortavam a gravidez por causa disso.

Por que fumar cannabis é ruim para os bebês?

Um importante relatório sobre a cannabis foi realizado pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina, explanou o site de notícias estadunidense Vox.

Especialistas revisaram estudos entre 1999 e 2016 e descobriram que a cannabis pode ajudar a aliviar os sintomas de dor crônica, esclerose múltipla e pacientes com câncer.

Mas havia ligações entre fumar cannabis e desenvolver psicose e esquizofrenia.

Além disso, as pessoas podem sofrer de problemas respiratórios ao fumar.

O relatório analisou o consumo fumado de cannabis e a gravidez e houve sugestões de que os bebês expostos à cannabis na gravidez apresentavam menor peso ao nascer.

“Mas o que não podíamos dizer é se isso era um efeito direto da maconha ou do ato de fumar”, explicou à Vox Marie Clare McCormick, professora de saúde materno-infantil em Harvard e presidente do comitê da Academia Nacional de Ciências (NAS) que publicou o relatório.

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Sammy, que gasta 10 libras a cada três semanas em cannabis e obtém seu suprimento da internet, não se preocupa com os riscos de seu hábito.

A ex-trabalhadora da área de catering deve ter o bebê em maio do próximo ano e disse à Fabulous Digital: “Todos os avisos têm a ver com fumar tabaco”.

“Os especialistas não estão em posição de dizer que isso acontecerá porque o único teste que eles fizeram foi em ratos. Nesse aspecto, eles sabem tanto quanto eu. Não existe um elo real entre as duas coisas porque é pouco pesquisado.”

“O problema é que os remédios controlados [para enjoos] causam mais danos. Há risco de defeitos congênitos, por isso são bastante assustadores para serem bons. Um deles estava fazendo meu corpo fazer movimentos aleatórios. Isso me deixa em pânico.”

“[A cannabis] realmente salvou a minha vida e a do meu bebê. Chegou ao ponto em que eu estava considerando seriamente um aborto.”

“Desta vez está sendo 10 vezes pior. Eu tive que desistir do meu trabalho porque simplesmente não conseguia fazer nada.”

“Com apenas dois tragos por dia, sou capaz de ser mãe da minha filha. Eu posso fazer coisas normais, como ir às lojas, levá-la ao berçário e ser mãe. De antemão eu estava sempre enjoos ou esperando eles acontecerem. Eu estava exausta.”

“As pessoas vão dizer ‘Oh, ela só quer se drogar’, mas não é nada disso. Eu não me empolgo com isso. É um par de tragadas com um mínimo de fumo.”

“É preciso haver uma conversa sobre isso para que outras mulheres saibam que há algo por aí que pode ajudá-las. A menos que você tenha passado por isso, você realmente não entende.”

Quando Sammy começou a sofrer dos enjoos matinais durante a gravidez em 2015, os médicos receitaram domperidona – um medicamento usado para aliviar náuseas e vômitos – mas ela afirma que os sintomas desapareceram apenas temporariamente por 20 minutos.

Ela decidiu procurar no Google maneiras alternativas de combater sua doença na décima semana de gravidez, pois estava tinha crises de náuseas e enjoos 10 vezes por dia.

Sammy foi hospitalizada e tomou soro por cerca de 14 semanas devido à desidratação, e estava tão doente que não conseguia comer ou beber.

Ela descobriu vários fóruns sugerindo a cannabis como uma solução, ela afirma.

Sammy, que havia experimentado a droga na adolescência, disse: “Eu queria ver se havia histórias de esposas ou dicas que me ajudassem. Então eu encontrei alguns fóruns sobre mulheres que usam cannabis para parar sua doença da manhã”.

“Eu estava tão desesperada que pensei em tentar. Fiquei um pouco nervosa quando o fiz pela primeira vez, mas fiquei tranquila com todas as coisas que li nos fóruns”.

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Como é a lei sobre o uso de cannabis no Reino Unido?

No início deste mês, dois medicamentos à base de cannabis foram liberados para uso no NHS pela primeira vez.

Epidyolex é recomendado para dois tipos raros de epilepsia, enquanto o spray Sativex pode aliviar espasmos musculares na esclerose múltipla.

Mas os reguladores dizem que não há evidências suficientes para aprovar medicamentos à base de cannabis para dor crônica.

Os ativistas deram boas-vindas à aprovação, mas disseram que milhares de outras pessoas que poderiam se beneficiar dos medicamentos à base de cannabis foram deixadas no limbo.

Millie Hinton, do grupo End Our Pain, disse que foi “uma grande oportunidade perdida”.

No ano passado, os médicos foram autorizados a prescrever cannabis medicinal.

No entanto, muitos relutam em fazê-lo, citando falta de orientação e preocupações com custos.

Isso forçou algumas famílias a comprar os medicamentos no exterior e trazê-los para o Reino Unido ilegalmente. Podendo pegar até cinco anos de prisão, uma multa ilimitada ou ambos, pela posse de cannabis.

“Assim que tomei, os sintomas desapareceram. Não foi apenas um caso de eu me sentir doente o tempo todo. Eu não conseguia fazer nada.”

“Foi incrível – me ajudou a sair da cama de manhã. Ela literalmente funcionou imediatamente. Eu simplesmente não podia acreditar.”

“É para medicar meu corpo, não para ficar chapada. Não estou abusando dele ou tentando ficar embriagada.”

Sammy afirma que sua primeira filha, que chegou em junho de 2016, pesando 6 kg e 50 gramas, é saudável tanto mental quanto fisicamente.

Depois de descobrir que estava grávida novamente em agosto deste ano, ela esperava que sua doença crônica da manhã não retornasse.

Mas em seis semanas sua hiperêmese gravídica voltou e ela foi afastada do trabalho.

Sammy disse: “Fui novamente colocada nos comprimidos, mas aconteceu a mesma coisa. A doença desapareceu por cerca de 20 minutos, e voltei a abraçar o vaso o dia todo”.

Apesar do tabu em torno do consumo fumado de cannabis, Sammy disse que tem o apoio de seus amigos e familiares.

“Eu fumo no meu quintal de manhã. Minha família é muito antidrogas e, quando contei, inicialmente foram contra. Mas quando contei a história toda, eles ficaram tipo ‘Se funciona para você, tudo bem.'”

“Meu parceiro é realmente solidário. Ele percebeu a diferença imediatamente. Meus meios-irmãos também apoiam. Eles têm familiares que usam cannabis para tratar paralisia cerebral e câncer.”

“Agora eu posso tralhar em um restaurante, limpar a casa e levar minha filha para o berçário”, disse ela. “Quando você não pode fazer isso e tem uma doença extrema, é simplesmente horrível”.

“Os comprimidos têm efeitos colaterais de defeitos congênitos. Isso é conhecido. Minha menininha está em forma e saudável e está se dando bem no berçário.”

“Prefiro apenas dar alguns tragos de maconha. Existem milhares de mulheres fazendo o mesmo. Mas não há uma conversa sobre isso, porque elas têm medo de que as parteiras as denunciem ao serviço social.”

“Quero falar porque há algo por aí que pode ajudar outras mulheres. Há conversas sobre a cannabis sendo usada como remédio para doenças crônicas. Eu só quero ajudar e contar a outras mulheres.”

Enquanto Sammy pode querer espalhar sua mensagem, o aviso dos médicos é claro – fumar durante a gravidez coloca os bebês em grave perigo e aumenta substancialmente o risco de natimortos e morte no berço.

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#PraCegoVer: fotografia em primeiro plano de Sammy, que está segurando um cigarro enrolado na posição vertical diante da câmera, estando o foco no baseado; detalhe para tatuagens na mão. Foto: arquivo pessoal.

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#PraCegoVer: fotografia (em destaque) em plano fechado e perfil de Sammy Warnes, segurando um baseado à boca, e um fundo desfocado. Foto: arquivo pessoal.

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Sobre Smoke Buddies

O Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. https://www.smokebuddies.com.br
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