Da Nestlé à AB Inbev: empresas de consumo disputam mercado de CBD

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O CBD já é uma indústria de US$ 2 bilhões nos EUA, mas o status legal do composto da cannabis ainda é incerto no país; grandes empresas estão fechando negócios e parcerias para entrar no setor. Saiba mais na reportagem da Business Insider

Da padaria da esquina à seção de cuidados com a pele na Sephora, o CBD está em toda parte. E algumas das maiores empresas de consumo do mundo e gigantes do tabaco perceberam.

A Royal DSM, British American Tobacco (maior acionista da brasileira Souza Cruz), Nestlé, Altria e outras marcas estão fechando negócios para tirar proveito de uma onda de interesse do consumidor no composto da cannabis canabidiol, ou CBD.

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A empresa de pesquisas BDSA estimou que o mercado de CBD nos EUA já vale mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,4 bilhões) e pode subir para US$ 20 bilhões (R$ 104 bi) em 2025.

A ascensão do canabidiol é impulsionada em parte pela tendência mais ampla de bem-estar do consumidor e pela percepção de que o composto pode ajudar as pessoas a dormir melhor, controlar a dor ou relaxar sem afetar negativamente sua saúde, disse Kelly Nielsen, vice-presidente de insights da BDSA.

Nielsen disse que já trabalhou com muitas das maiores empresas de bens de consumo embalados em saúde, beleza, bem-estar, alimentos e álcool.

“Todos estão pensando em como incorporar o CBD”, disse ela.

O CBD é legal nos EUA e as grandes empresas estão ficando mais confortáveis ​​com isso

O CBD vem da planta da cannabis, mas não deixa você chapado. Ele se tornou legal nos Estados Unidos, desde que seja derivado do cânhamo, de acordo com a Farm Bill (lei agrícola) de 2018. A Food and Drug Administration (FDA) ainda não esclareceu os regulamentos em torno do CBD, como as regras para adicioná-lo a alimentos e bebidas.

Ainda assim, algumas empresas estão lentamente ficando confortáveis para investir no composto e colocar bebidas, alimentos e suplementos de marca contendo canabidiol nas prateleiras das lojas.

Nielsen disse que o principal obstáculo — além das regulamentações confusas — é verificar se os produtos de CBD “correspondem às expectativas do consumidor”.

“Essa é uma área em que a indústria precisa ficar muito atenta”, disse Nielsen. “Certificando-se de que o produto está fazendo o que deveria estar fazendo.”

O composto da cannabis é uma pequena mas crescente fatia do mercado geral de suplementos dietéticos, que deve chegar a mais de US$ 300 bilhões em 2026, disse um relatório da FNF Research, uma empresa de pesquisa de mercado.

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Confira um resumo de negócios e parcerias que estão acontecendo:

  • Royal DSM, um dos maiores fabricantes de ingredientes do mundo, liderou uma rodada de financiamento de US$ 32 milhões na Brains Bioceutical, uma empresa que produz CBD de grau farmacêutico, e fechou uma parceria com a Mile High Labs, uma fabricante de CBD no Colorado.
  • O braço de venture capital da British American Tobacco liderou um investimento de US$ 25 milhões na Trait Biosciences, que está trabalhando em tecnologia para infundir canabidiol em bebidas e outros produtos. A BAT também investiu US$ 75 milhões na Organigram, uma produtora canadense de maconha, para desenvolver produtos de CBD para os EUA.
  • A Molson Coors lançou bebidas de CBD nos Estados Unidos em janeiro por meio de uma parceria com uma empresa canadense de maconha.
  • A Nestlé lançou produtos de CBD nos Estados Unidos e na Europa.

Da Marta Stewart à indústria do tabaco

As empresas de cannabis também querem uma parte da ação.

A Canopy Growth escolheu Martha Stewart para criar uma linha de produtos de CBD nos Estados Unidos. A empresa também planeja lançar uma linha de bebidas com infusão de CBD. Startups como Recess e Cann lançaram seltzers com infusão de CBD.

A Altria, fabricante dos cigarros Marlboro, possui uma participação significativa na produtora de cannabis Cronos Group, que vende produtos contendo CBD e outros canabinoides, fora o THC, nos Estados Unidos.

Leia: Em Hong Kong, o canabidiol está se tornando popular por seus efeitos terapêuticos

A Anheuser-Busch InBev lançou uma joint venture com a Tilray em 2018 para desenvolver bebidas de CBD para o mercado canadense, e a The Boston Beer Company — fabricante da Sam Adams — estabeleceu uma subsidiária no Canadá para desenvolver bebidas não alcoólicas com infusão de cannabis.

Para essas firmas canadenses de cannabis, o CBD pode ser uma forma de obter uma “posição” no mercado dos EUA antes da legalização federal em potencial, disse Rick Maturo, diretor associado de clientes da empresa de pesquisa de mercado Nielsen, por e-mail.

Sem dúvida, as bebidas com infusão de CBD continuam sendo uma pequena parte do mercado geral de CBD. Apenas 3% das vendas de produtos de CBD no ano passado foi de bebidas, disse Maturo.

Varejistas ainda não estocam CBD

Um grupo bipartidário de legisladores recentemente introduziu legislação pressionando a FDA a esclarecer os regulamentos em torno do CBD. Isso poderia levar as maiores varejistas — incluindo Walmart, Target, Costco e Amazon — a começarem a estocar produtos de CBD.

“Você começará a ver um efeito dominó ali”, disse Klee Irwin, CEO da empresa de suplementos de capital aberto Irwin Naturals. “Você não pode chegar perto do que esta indústria se tornará sem eles.”

Irwin Naturals começou a vender CBD em 2018 e se tornou um dos maiores vendedores nos EUA, descobriu a empresa de pesquisa de mercado Brightfield Group.

Leia mais: Amazon declara apoio à legalização federal da maconha nos EUA

“Uma tremenda oportunidade de crescimento”

Frederic Boned, vice-presidente da Royal DSM que lidera os esforços da empresa na América do Norte em CBD, disse que a taxa de crescimento do mercado de CBD, juntamente com o fato de que os produtos ainda não estão disponíveis através de varejistas tradicionais grandes, foi o principal motivo para negócios e parcerias recentes da empresa.

“Quando você vê tudo isso e no que se tornou, acho que você entende a promessa dessa categoria”, disse ele sobre o CBD.

Ele disse que a DSM está procurando outros compostos de cannabis, como CBG e CBN, mas que a DSM não tem planos de desenvolver produtos contendo THC.

Mas outras empresas têm certeza de que o CBD faz parte de uma estratégia mais ampla de cannabis, uma vez que a lei dos EUA o permita.

“Acreditamos que um mercado legalizado de cannabis nos EUA apresenta uma tremenda oportunidade de crescimento”, disse Salvatore Mancuso, CFO da Altria, a investidores e analistas em uma ligação recente.

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#PraTodosVerem: foto em vista superior que mostra buds secos de cannabis dispostos sobre uma superfície lisa de cor salmão, com luz indireta que incide do lado superior direito da imagem, sombreando cada bud. Imagem: THCamera Cannabis Art.

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