Em busca do hashish perfeito: conheça a história de Frenchy Cannoli

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Você já sonhou em largar tudo e viajar o mundo visitando regiões isoladas, conhecer diferentes culturas e povos e, ao mesmo tempo, procurar pelo melhor hashish que aquele lugar tem para oferecer? Leia o perfil de Frenchy Cannoli por Felipe Del Valle

Frenchy Cannoli, uma das figuras mais conhecidas no mundo dos hashmakers (aqueles que fazem o hashish), fez justamente isso! Conhecido mundialmente por suas aventuras pelos países tradicionalmente produtores de Cannabis e suas técnicas de manipulação e envelhecimento da resina da planta, Cannoli faleceu em julho deste ano, depois de uma vida dedicada a uma de suas paixões: o hashish.

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Frenchy viveu sua infância na França, entre os anos 60 e meados dos anos 70. Desde pequeno, sonhava com aventuras e com uma vida nômade pelo mundo. Para ele, cruzar pelo Caminho da Seda, navegar o Mar Vermelho ou dividir a vida com tribos no Sahara ou em florestas tropicais era muito mais interessante do que uma vida de escritório. Viajar e desbravar o mundo foi sua primeira paixão.

Perto de completar 18 anos, ele teve suas primeiras experiências com o hashish ilegal (que circulava e circula até hoje pela Europa), e aquilo chamou sua atenção pela sensação intensa de prazer e bem-estar que o fazia sentir. Naquela época, um jovem que fumava hashish era visto como um perigo para a sociedade, um rejeitado, somente os desajustados do mundo fumavam hashish e as longas sentenças de prisão nos anos 1970 eram apenas alguns dos desafios que um aficionado pela planta enfrentava.

Infelizmente, o que Frenchy enfrentou na sua juventude nos anos 70 ainda é algo que enfrentamos todos os dias como consumidores e entusiastas do hashish, no Brasil e em diversas partes do mundo.

Foi então que, em 1974, ao completar 18 anos, Frenchy pegou sua mochila e deu início às suas aventuras. Ele queria viajar e conhecer o mundo e encontrar o melhor hashish possível por onde passava. Por isso, muitos locais que visitou são países historicamente e tradicionais produtores de hashish, o que rendeu a ele experiências incríveis e um rico ensinamento adquirido observando as diferentes culturas e suas formas de cultivar a planta e coletar sua resina.

Viajou por anos por lugares como Marrocos, Grécia, México e América Latina. Depois foi para o Paquistão, Nepal e a Índia, onde passou a maior parte dos anos 80 e começou a desenvolver suas técnicas de manipulação e envelhecimento da resina. Muitos perguntam sobre formas de curar a resina, mas o termo “curar” é mais recomendado para descrever o processo realizado na preparação das inflorescências para fumar, reduzindo a umidade e tornando o consumo da matéria orgânica mais agradável. Frenchy envelhecia sua resina, como um vinho, permitindo que qualquer resíduo de clorofila se transforme em açúcares, o que proporciona uma experiência mais suave na garganta e mais complexa nos efeitos, por conta da transformação dos terpenos e canabinoides.

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Frenchy passou oito temporadas fazendo charas (resina da cannabis que é coletada com uma técnica utilizando as mãos em plantas vivas) na região do Vale Parvati, uma das regiões produtoras de hashish mais conhecidas do mundo. Esse vale fica entre as montanhas do Himalaia, com seus topos de neve eterna e cannabis selvagem cobrindo toda a vastidão desse território. Nesse período, ele dividia seu tempo entre vilarejos como Tosh e Nakthan, fazendo charas de plantas selvagens que crescem pelo vale, e o vilarejo de Malana, conhecido pelo charas de alta qualidade produzido na região, o Malana Cream, e onde participava das temporadas de coleta da resina que iam de setembro a início de dezembro, até o período de neve começar.

Segundo Frenchy: “Os dias durante esses meses foram uma experiência única. O calor, a altitude, o aroma inebriante das plantas, a resina vagarosamente se acumulando em suas mãos e a solitude do lugar era como o paraíso que todo hashishin (aquele que come/fuma hashish) sonha em viver.”

Frenchy passava em torno de 3 a 4 meses por ano nas redondezas do Vale Parvati, em pequenos vilarejos, coletando charas nas áreas mais remotas dessas regiões produtoras de hashish, e depois passava seus dias em praias, vivendo outras aventuras e usando o hashish como moeda de troca.

Apesar de não ter conseguido visitar o Afeganistão por conta da situação da região na época, ele também aprendeu sobre as técnicas de dry sift e a separação das cabeças dos tricomas, com um grupo de amigos afegãos que conheceu durante sua passagem pela Índia.

Imaginem a sensação de desbravar tantos lugares remotos sem nenhum contato com a civilização! Naquela época não existiam os telefones celulares, computadores, e-mail, Instagram. Do alto de montanhas no Himalaia, debaixo de neve e percorrendo dezenas de quilômetros baseando-se apenas em trilhas e paisagens para se locomover, Frenchy acumulou ricas experiências e conhecimentos impossíveis de encontrar em qualquer livro e que eram passados adiante de forma natural, através da observação, da conversa e da curiosidade de cada um.

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Frenchy é um dos responsáveis, senão o principal responsável, por trazer grande parte do conhecimento, cultura e tradição de povos produtores de hashish que até hoje continuam muito distantes da realidade e cultura ocidental. Em cada vilarejo ou pequena tribo pelas quais Frenchy passou, ele teve contato direto com conhecimentos quase inacessíveis e que sobreviviam apenas na cabeça desses povos. Muitos dos conhecimentos que temos hoje sobre essas culturas e sua relação com o hashish são de estrangeiros como Frenchy que, durante a história, visitaram e documentaram o que aprenderam em suas viagens.

Antes de chegar na Índia, ainda no Nepal, Frenchy conheceu Kimberly, sua esposa e companheira pelos 41 anos que viriam. Kimberly explica que ambos se encontraram quatro vezes enquanto viajavam sozinhos pela Índia no início dos anos 80, sem celulares ou outros meios de comunicação e foi então que eles decidiram que o universo tinha planos para eles.

Ela então se juntou ao grupo e seguiu viagem com Frenchy e seus amigos. Porém, não participou das temporadas nas montanhas com eles. Frenchy e amigos subiam as montanhas todos os anos, normalmente com pouca água e comida, em busca dos melhores hashish da região, enquanto Kimberly seguia com seus estudos e pesquisas em outras áreas.

Após anos de aventura, no final dos anos 80, nasceu a primeira filha do casal, em 1989. Frenchy decidiu então interromper suas aventuras e se dedicar ao trabalho de ser pai. Trabalhou alguns anos no sul da Ásia e depois se mudou com a família para os EUA no final da década de 90. No entanto, foi somente após sua filha sair de casa, para cursar a faculdade, que Frenchy voltou a se dedicar totalmente à sua grande paixão, a Arte Perdida do Hashishin.

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Frenchy tinha uma mente muito orientada para processos. Ele usou seu conhecimento adquirido em todos esses anos para compreender e otimizar o processo de peneiração e filtragem presentes na extração a seco e na extração com água gelada. Ele se concentrou muito em como as ferramentas funcionavam em relação ao processo e como obter o melhor resultado com essas ferramentas.

O objetivo era criar um processo que facilitasse a passagem das cabeças dos tricomas pelas perfurações das peneiras com micragens específicas, com o mínimo de contaminantes.

As primeiras bags que apareceram para o processo com água e gelo possuíam peneiras somente no fundo do saco, criadas com o pensamento de reduzir os custos, visto que essas malhas são específicas e caras, mas, além disso, foram criadas por pessoas que realmente não entendiam sobre as melhores técnicas de peneiração e a real função das peneiras na otimização do processo.

Frenchy foi a primeira pessoa a fazer as Bags Full Mesh, ou seja, feitas inteiras com o tecido para peneiração. Ele encorajou as pessoas a enxaguar muito mais a resina peneirada nos sacos, perseguindo o material com a água, aproveitando ao máximo as perfurações e permitindo melhor passagem dos tricomas e limpeza da resina.

Ele dividia o processo de peneiração em três etapas. A primeira é a água passando suavemente pelas Bags. A segunda é o uso da peneira para limpar possíveis contaminantes, com movimentos similares a um garimpador de ouro. Essa etapa só é possível com os filtros Full Mesh, que utilizam uma maior área para fazer a filtragem da resina da melhor forma. A terceira e última etapa é o enxágue da resina com um jato de água fria, limpando e separando o material uma última vez antes da coleta. Após essas 3 etapas de peneiração, a resina é coletada no centro da bag e segue para a secagem.

Ele também foi o primeiro a entender a real função da água gelada no processo e os perigos do excesso de gelo, isso por que entendia que a cabeça do tricoma maduro funcionava como uma fruta, ela tinha uma abscisão, ou seja, é feita para se desprender naturalmente quando alcança a sua maturidade. Dessa forma, difundiu o uso das máquinas para criação de um vórtice de água capaz de causar o desprendimento dos tricomas sem agredir a planta e gerar contaminantes, utilizando o mínimo de gelo possível.

O objetivo de Frenchy sempre foi a qualidade. Todo seu cuidado na preparação do material inicial, na escolha e no uso correto dos equipamentos e na secagem e envelhecimento da resina fez com que muitos considerassem seu hashish como um dos melhores do mundo.

Depois de anos à procura do hashish perfeito, Frenchy utilizou todo seu conhecimento para desenvolver equipamentos e uma metodologia que o tornaram capaz de produzir o hashish que ele sempre sonhou encontrar em suas viagens.

 Em busca do hashish perfeito: conheça a história de Frenchy Cannoli

É possível encontrar vídeos no Youtube de pessoas fazendo loucuras com seu material inicial tentando aumentar o rendimento, como triturar a matéria antes da lavagem, sacrificando a qualidade em troca de um rendimento um pouco maior. Isso é feito por pessoas que não conhecem minimamente a estrutura da planta e comprometem a educação e a experiência das pessoas, muitas vezes por dinheiro, por conseguirem vender esse material de menor qualidade com preços exorbitantes.

Frenchy provou que você pode ter os dois. Se você se empenhar em seu cultivo ou trabalhar com bons cultivadores que realmente sabem como cultivar a planta, você terá um material rico em tricomas maduros. Se utilizar as ferramentas corretas e se preocupar com a otimização do processo, você poderá ter tanto a melhor qualidade de resina como o melhor rendimento na filtragem e separação dos tricomas.

Por fim, ficou conhecido também por seus métodos de envelhecimento da resina, como o Cannoli e o Temple Ball. Esses métodos replicam a manipulação e envelhecimento da resina que ele observou em suas viagens. Em suas viagens, participou de festivais onde a resina era manipulada e guardada em panelas de ferro embaixo do solo para envelhecer durante o ano todo, para ser consumida no festival do ano seguinte.

A resina é pressionada com calor, utilizando uma garrafa de vidro com água quase fervendo, de forma a adquirir uma consistência homogênea e descarboxilar grande parte dos canabinoides, antes de ser enrolada em formato de brigadeiro. Isso faz com que somente a parte externa da bola fique em contato com o ar, protegendo seu interior. Com o tempo, inúmeras reações químicas transformam os conteúdos da resina, modificando seu aroma, sabor e perfil de canabinoides. Essa é a famosa técnica da Temple Ball.

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Esse é o legado do Frenchy, o qual ele passou os últimos anos ensinando a milhares de pessoas através de seus workshops presenciais e virtuais. Se tornou famoso por suas técnicas e por fazer o melhor hashish tradicional que já apareceu no ocidente. A sua famosa série de vídeos criada para compartilhar seus conhecimentos e explicar suas técnicas que comentamos brevemente aqui se chama “The Lost Art of the Hashishin” e está sendo traduzida para o português pela Overgrow.

Você pode assistir ao primeiro vídeo sobre extração com água e gelo no canal do YouTube do Frenchy Cannoli:

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#PraTodosVerem: fotografia (de capa) mostra o jovem Frenchy Cannoli de perfil, olhando para as palmas de suas mãos abertas, manchadas pela resina da planta de cannabis extraída de plantas vivas, método conhecido como charas. Imagem: arquivo pessoal.

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