Comece Xah!: edtech lança programa de empreendedorismo canábico para mulheres

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“É um desafio muito grande e complexo tornar o hempreendedorismo uma realidade justa no Brasil”, diz Danila Moura, COO da Xah com Mariaz, primeira edtech canábica do país, à frente do projeto

Mais do que um desafio, uma missão. E para a startup que nasceu com o objetivo de fomentar o empreendedorismo feminino canábico através da educação, o acesso à indústria e ao conhecimento especializado é um dos caminhos. Daí a criação do Comece Xah!, um programa com aulas práticas, workshops, mentorias e conexões para mulheres que têm ideias de negócios no setor e querem colocá-las em prática.

“As mulheres carregam um olhar diferente em qualquer indústria na qual participam, isso é um fato”, explica Maria Cordeiro, CMO da Xah com Mariaz, que também empreende na Califórnia com outras iniciativas na área. “O setor canábico é cheio de especificidades, algo totalmente novo, é difícil de acessar porque está em estado embrionário. Nosso objetivo é fazer esse acesso possível para essas mulheres. Sejam elas consumidoras da planta, ou que já tiveram complicações pré-legalização ou empreendedoras que desejam entrar no setor”.

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Nem tudo são flores

“Nós mulheres, já enfrentamos muitos desafios para empreender: preconceito, machismo, dupla jornada, autoconfiança, falta de informação. E não poderia ser diferente com a maconha”, pontua Maria Cordeiro.

A necessidade de fortalecer as empreendedoras do setor vai além das questões burocráticas, jurídicas e estratégicas que envolvem o segmento — e que, por si só, já bastariam para dificultar ainda mais a nada fácil jornada empreendedora no Brasil. Tem a ver com a ancestralidade canábica.

Danila explica: “Mães de santo e curandeiras já usavam a planta para tratar depressão, dores e inflamações desde o século 16. Imagina se toda essa sabedoria tivesse sido preservada, o quanto desses poderosos conhecimentos estariam mais evoluídos? Quantos produtos canábicos incríveis elas teriam desenvolvido? É um riquíssimo capital intelectual totalmente dilacerado”.

“Hoje, as ‘tataranetas’ dessas visionárias canábicas são as mais prejudicadas por uma guerra covarde, 68% das mulheres encarceradas no Brasil são negras, grande parte em função do tráfico da maconha. Lutar por reparação histórica é obrigação de todos inseridos no ecossistema canábico“, diz.

Pavimentando o caminho

Enquanto assistimos ao mundo despertar para o potencial econômico do amplo mercado canábico, em contraste com os tímidos avanços no setor medicinal do país, a impressão mais enganosa é a de que ainda há tempo para sonhar e projetar a indústria ideal.

“Estamos compartilhando tudo isso que aprendemos com as mulheres para que elas se articulem o mais rápido possível para conseguirem um espaço nesse mercado“, diz Danila. “Existe a expectativa em volta da aprovação do PL 399/15, que  pode abrir muitas possibilidades de trabalho daqui uns dois ou três anos, tempo suficiente para dar os primeiros passos da marca, desenvolver a proposta de valor, testar um MVP… tem muitos procedimentos que já são possíveis e necessários fazer se alguém interessado em hempreender no Brasil”.

Neste sentido, o Comece Xah! oferece ferramentas práticas e expertise para guiar mulheres na construção de um plano de negócios e no lançamento de uma startup que, de fato, resolva problemas deste nicho super especializado. “Queremos fazer parte deste momento de transformação”, conta Maria Cordeiro. “No fim das contas, realmente empoderar as mulheres para não apenas conceitualizar uma ideia, mas também colocá-la em prática na vida real, lançar uma empresa que seja sustentável”.

Para isso, o programa possui uma programação dividida em três módulos (Inspira, Respira e Não Pira), transmitidos ao vivo, com convidadas que são referências no assunto: Damaris Ribeiro, head de inovação The Green Hub, especialista em startups canábicas, Maria Eugênia Riscala, cofounder da Kaya Mind, que atua com dados do mercado canábico, além das anfitriãs do projeto, Katia Cesana e Danila Moura, da Xah com Mariaz, primeira startup canábica a ser acelerada em parceria com o Google for Startups através do programa Pulse, da B2Mamy. Para o workshop, exclusivo para participantes do programa completo, Maria Cordeiro compartilha sua experiência internacional em branding canábico.

“Acreditamos que o formato de startup abre uma possibilidade importante: ter chances de abrir uma empresa sem capital”, explica Danila. “Uma startup bem desenvolvida pode obter capital por meio de programas de acelerações, editais, build ventures e investidores. O caminho é árduo, mas se pavimentado adequadamente, gerando produto e serviços escalonáveis, a chance de atrair investidores é uma realidade”.

Cada etapa do programa acontece em um sábado, a partir de 11/9, com atividades online transmitidas ao vivo, para permitir exercícios coletivos, troca e um espaço de acolhimento difícil de alcançar em conteúdos gravados. “Queremos realmente estender a mão para essas mulheres voarem sem medo para o fantástico universo da Cannabis, conforme nossa missão. Por isso, fazemos questão de seguir com o máximo de proximidade e acompanhamento”, explica Danila.

Quem participar do programa completo recebe, além do acesso ao workshop, a oportunidade de uma mentoria especial com uma especialista da B2Mamy (aos cinco melhores projetos de pitch deck) e um webinar entre alunas, para networking.

Saiba mais em: Comece Xah!

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#PraTodosVerem: fotografia em plano fechado de uma inflorescência de maconha, com pistilos em tons de creme e folíolos de coloração arroxeada, próximo ao centro, que variam de cor ao longo do comprimento — os menores, no primeiro plano, têm as pontas amareladas; na parte esquerda da imagem, em desfoque, vê-se um fundo roxo. Foto: THCamera Cannabis Art.

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