“Quanto o Estado perde na corrupção de seus agentes e suas instituições?”, questiona socióloga

folhagem Quanto o Estado perde na corrupção de seus agentes e suas instituições?”, questiona socióloga

Em entrevista ao podcast de notícias da Smoke Buddies, a socióloga Nathália Oliveira, cofundadora da Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas, fala sobre os prejuízos da guerra às drogas nas perspectivas social, econômica e política

“A guerra às drogas opera uma economia gigantesca dentro do mercado da ilicitude, que é uma economia internacional, e, dentro de cada economia, atende para a manutenção e fortalecimento das opressões históricas que já existiam. Aí você me pergunta como a gente vai sair dessa?”, questiona Nathália Oliveira, cofundadora da Iniciativa Negra e assessora de ações afirmativas da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, no episódio de fevereiro do podcast De Ponta a Ponta, da Smoke Buddies.

Leia também – Maconha nas eleições: “o desafio é colocar essa pauta a nível federal”, diz André Barros

Nathália Oliveira mostra entusiasmo ao falar sobre o movimento ativista antiproibicionista, do qual faz parte desde 2010, quando começou a atuar com prevenção ao uso de drogas para adolescentes, e dos princípios que se materializam em projetos sociais, de redução de danos e de advocacy pelo fim do estado de proibição das drogas.

“Diferente do que nossos amigos, Osmar Terra e cia, gostam de falar, que a gente quer fazer um mundo drogadista, onde se pode tudo, pelo contrário: a gente quer um mundo onde não se possa matar as pessoas por que estavam com um baseado. A gente quer um mundo que a polícia não possa sair invadindo a casa das pessoas e roubando as suas coisas, como tem acontecido diversas denúncias na ocupação do Jacarezinho, no Rio de Janeiro”, defende a socióloga. “Que mundo é esse onde a polícia pode roubar coisas da casa do trabalhador? Só no mundo da guerra às drogas”.

Acúmulo estratégico

Ainda que seja difícil mensurar o tamanho do impacto da guerra às drogas e como reverter essa lógica que se entrelaça com outras problemáticas arraigadas na sociedade brasileira, a socióloga entende que todo movimento que enfraquece o argumento proibicionista pode ser entendido como “acúmulo estratégico” para a luta.

“A pauta da cannabis medicinal: é inegável o quanto ela permitiu a amplitude do público que dialoga sobre cannabis, que não dialogaria se não fosse a partir de conhecer os benefícios medicinais, terapêuticos, da cannabis. Muitos vêm por necessidade. Olha que coisa diversa, que teia bonita”, diz.

Custos da guerra às drogas

“A gente descobriu que a cidade de São Paulo gasta duas vezes mais em compras e equipamentos do que a quantidade que efetivamente apreende de drogas e armas”, diz a socióloga sobre o estudo ‘Racismo e a Gestão Pública das Políticas de Drogas na Cracolândia’, elaborado pela Iniciativa Negra por Uma Nova Política sobre Drogas, que avalia como o poder público municipal em São Paulo orientou e orienta as suas políticas por meio da destinação dos recursos públicos para gerir o território e as pessoas que transitam pela Cracolândia.

Já a pesquisa “Tiros no Futuro: impactos da guerra às drogas na rede municipal de educação do Rio de Janeiro”, lançada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), oferece outra perspectiva sobre os custos dos confrontos resultantes desta guerra: o impacto no desenvolvimento cognitivo de alunos, que, por sua vez, prejudica a geração de renda deles no futuro. No podcast, quem fala a respeito é Mariana Siracusa, socióloga e pesquisadora do projeto Drogas: Quanto Custa Proibir, do CESeC:

“A guerra às drogas tem um impacto brutal no desenvolvimento cognitivo dos alunos, na capacidade de reter conhecimento. Os alunos das escolas que registraram mais operações policiais tiveram uma queda no desempenho escolar equivalente a 64% do aprendizado esperado em língua portuguesa e todo aprendizado esperado para matemática”.

Para ouvir o episódio completo do podcast De Ponta a Ponta, clique AQUI.

Leia também:

Guerra às drogas: 74% das escolas municipais do Rio de Janeiro foram afetadas por tiroteio em 2019

#PraTodosVerem: fotografia, em preto e branco, tirada de baixo para cima que mostra a folhagem de uma planta de cannabis contra a luz do sol, que pode ser visto como um ponto irradiante no espaço entre algumas folhas. Imagem: Lollyman | Flickr.

smokebuddies logo2 Quanto o Estado perde na corrupção de seus agentes e suas instituições?”, questiona socióloga

Sobre Smoke Buddies

A Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. https://www.smokebuddies.com.br
Deixe seu comentário
Assine a nossa newsletter e receba as melhores matérias diretamente no seu email!