Doutora responde: qual a diferença entre um produto de cannabis isolado, broad e full spectrum?

frascos folha Doutora responde: qual a diferença entre um produto de cannabis isolado, broad e full spectrum?

Em sua coluna semanal, a Dra. Amanda Medeiros responde às principais dúvidas de leitores da Smoke Buddies sobre cannabis e saúde

O que significa o termo full spectrum? Como o uso terapêutico da cannabis auxilia no tratamento de doenças reumatológicas? O TDAH pode ser tratado com produtos à base de cannabis? Confira, a seguir, as respostas da doutora Amanda Medeiros, médica prescritora com certificação internacional em medicina canabinoide e experiência prática em clínica geral integrativa.

Qual a diferença entre um produto de cannabis isolado, broad e full spectrum?

A cannabis possui centenas de componentes em sua estrutura e os principais são os fitocanabinoides (principal grupo de compostos farmacologicamente ativos da cannabis), os terpenos (óleos essenciais aromáticos e que possuem valor medicinal) e os flavonoides (compostos biologicamente ativos que podem ajudar a contribuir para uma boa saúde).

Produtos do tipo full spectrum, ou espectro completo, mantêm em sua composição todos os compostos da planta de cannabis, possuindo, assim, uma variedade de fitocanabinoides, terpenos e flavonoides presentes na cannabis.

Os produtos broad spectrum não possuem todos os compostos que seriam integralmente extraídos da planta, como, por exemplo, o THC. Neste caso, uma das etapas de produção consiste em removê-los.

No produto isolado, como o nome supõe, isola-se um princípio ativo, como o CBD, em um processo mais complexo, que permite quase 99% de pureza, e pode servir de base para outras formulações.

A cannabis pode ajudar nas dores ou febres reumáticas?

Sim. A cannabis atua como um potente anti-inflamatório, então pode ajudar desinflamando o sistema, e por isso é muito boa para doenças reumatológicas, como febres reumáticas, artrites, artroses, fibromialgia, tudo que envolve inflamação, já que age de forma sistêmica.

Quando falamos de dor, podemos pensar não apenas no CBD, mas também no THC, que tem poder analgésico. Dessa forma, um tratamento full spectrum com a cannabis medicinal, com produtos que contêm CBD e THC, é eficiente em combater a inflamação que as doenças reumatológicas trazem e amenizar a dor que pacientes relatam.

Existe melhora ou piora dos sintomas do TDAH com o uso de cannabis?

Existem relatos dizendo que o THC na dosagem certa, seja na forma de comestíveis, óleo ou até mesmo vaporizado, apresenta melhora em quadros de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Tanto o CBD quanto o THC são psicoativos. São substâncias que vão produzir psicoatividade cerebral. Dessa forma, são importantes para quadros de TDAH — inclusive, alguns estudos sobre a importância do THC estão sendo avaliados.

É importante lembrar que é preciso muito cuidado com a dose, porque a dose efetiva pode ser remédio, mas muito THC pode ser veneno para portadores de TDAH, principalmente antes dos 25 anos, que é quando nosso cérebro ainda está em formação.

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Tem alguma pergunta para a Dra. Amanda? Escreva para redacao@smokebuddies.com.br com o assunto “Doutora responde”, que faremos o possível para respondê-la.

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#PraTodosVerem: foto de três frascos transparentes com tampa de duas cores, branca e de madeira, contendo produto amarelo junto a um paralelepípedo branco, buds de maconha curados e uma folha da planta, em uma superfície de madeira clara. Medical photo created by freepik – www.freepik.com.

 Doutora responde: qual a diferença entre um produto de cannabis isolado, broad e full spectrum?

Sobre Dra Amanda Medeiros Dias

Médica, pós graduada em pediatria e nutrologia pediátrica, cursando psiquiatria infantil pelo CBI of Miami e com certificação internacional em medicina endocanabinoide pela Green Flower, na Califórnia (EUA). Tem experiência na prática em clínica geral integrativa com crianças e adultos, com visão holística, olhando o paciente como um todo. Além de prescritora, é paciente de cannabis medicinal desde 2018. Diretora técnica no Instituto Coração Valente, médica da Clínica Gravital e voluntária em projetos da UNA (Unidos pela Amazônia). CRM - 39.234 PR
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