Dois milhões de pessoas com doenças cardíacas usaram maconha nos EUA, diz estudo

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Segundo a autora do estudo, da Universidade de Colúmbia, as evidências indicam que o uso de maconha foi associado a doenças das artérias coronárias, arritmia e cardiomiopatia. Com informações do EurekAlert e tradução pela Smoke Buddies

O uso de maconha está aumentando à medida que mais estados a legalizam para fins medicinais e adultos, e os médicos estão respondendo a mais perguntas sobre sua segurança.

Embora o tabaco seja responsável por aproximadamente uma em cada quatro mortes por doenças cardiovasculares, os efeitos do consumo fumado de cannabis no coração não são totalmente compreendidos. Alguns estudos sugerem que a maconha pode desencadear ataques cardíacos e derrames em alguns usuários.

Ersilia DeFilippis, doutora em medicina, bolsista do segundo ano em cardiologia do Centro Médico Irving da Universidade de Colúmbia e da New York-Presbyterian, ficou interessada no efeito da maconha no coração há alguns anos, quando estudava ataques cardíacos em pessoas com menos de 50 anos. “Observamos que 10% dos pacientes em um registro de pacientes jovens com ataque cardíaco havia usado maconha e/ou cocaína”, diz ela.

DeFilippis e seus colegas revisaram recentemente a literatura médica para descobrir o que se sabe sobre o efeito da maconha no coração e o que ainda é desconhecido. O relatório completo foi publicado em 20 de janeiro no Journal of the American College of Cardiology.

2 milhões de pessoas com doenças cardíacas usaram maconha

A maconha é a droga de abuso mais comumente usada. Estima-se que aproximadamente 90 milhões de adultos estadunidenses tenham usado a droga pelo menos uma vez na vida e mais de 39 milhões tenham a usado no ano passado.

Com base nas respostas da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição de 2016, DeFilippis e seus colegas estimam que cerca de 2 milhões de adultos nos Estados Unidos que têm doenças cardiovasculares atualmente usam cannabis ou usaram a droga no passado.

“Além dos 2 milhões de usuários de maconha com diagnóstico de doença cardiovascular, muitos mais podem estar em risco”, diz DeFilippis. “Com muitos adolescentes e jovens adultos se voltando para a maconha, é importante entender as implicações cardiovasculares que eles podem enfrentar anos depois”.

Canabinoides podem interagir com medicamentos ​​para tratar doenças cardíacas

Os canabinoides inibem certas enzimas no corpo, o que afeta o metabolismo de muitos medicamentos para doenças cardíacas, incluindo antiarrítmicos, estatinas, bloqueadores dos canais de cálcio, betabloqueadores e varfarina.

Os pesquisadores acreditam que os canabinoides podem aumentar a atividade desses medicamentos prescritos no organismo, embora existam dados limitados para orientar os médicos no ajuste da dose para compensar o uso de maconha.

Leia: Maconha pode ajudar nas doenças do coração?

Hoje a potência da cannabis é maior

A potência da cannabis — a porcentagem de THC contido na planta — tem aumentado constantemente nos últimos 30 anos, de cerca de 4% em meados da década de 1990 para 12% em 2014. No entanto, a maioria dos estudos científicos sobre cannabis testou produtos com níveis de THC entre 1,5% e 4%.

“Maior potência pode se traduzir em maiores efeitos no sistema de condução, na vasculatura e no músculo do coração”, diz DeFilippis. “Ela também destaca a necessidade de dados do mundo real, dada a variedade de produtos e formulações de maconha disponíveis para compra”.

O THC é o produto químico mais psicoativo da maconha, mas a cannabis também contém mais de 100 compostos, chamados canabinoides, que são quimicamente relacionados ao THC.

Os receptores de canabinoides são altamente concentrados no sistema nervoso, mas também podem ser encontrados nas células sanguíneas, células musculares e outros tecidos e órgãos.

Maconha pode estar ligada a ataques cardíacos e derrames

Estudos identificaram o consumo de maconha como um potencial desencadeador de ataques cardíacos, e o uso dela não é detectado com pouca frequência em adultos que sofreram ataques cardíacos em tenra idade (menos de 50 anos).

Um pequeno estudo experimental descobriu que o consumo de maconha pode causar angina (dor no peito) mais rapidamente em pacientes com doença cardíaca coronariana, em comparação com o uso de placebo.

Embora as evidências atuais de uma ligação entre a cannabis e os ataques cardíacos sejam modestas, acredita-se que fumar maconha possa aumentar o estresse e a inflamação das células, que são fatores precipitantes da doença arterial coronariana e dos ataques cardíacos.

Eventos cerebrovasculares, incluindo derrames, também foram associados ao uso de maconha. Pensa-se que a cannabis pode induzir mudanças no revestimento interno dos vasos sanguíneos ou alterar o fluxo sanguíneo.

Médicos devem avaliar o uso de maconha

“Embora precisemos de mais dados, as evidências que temos indicam que o uso de maconha foi associado a doenças das artérias coronárias, arritmia, cardiomiopatia e muito mais”, diz DeFilippis.

“Portanto, perguntar aos pacientes sobre o uso de maconha pode ajudar na avaliação de riscos. Além disso, sabemos que o uso de maconha afeta o metabolismo de muitos medicamentos cardíacos comuns. Para garantir que os pacientes estejam recebendo doses terapêuticas sem efeitos colaterais desagradáveis, é importante que cardiologistas conversem com seus pacientes sobre o uso de maconha”.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia em plano fechado de uma mão com o dorso voltado para a câmera e os dedos dobrados, enquanto segura um baseado aceso entre os dedos indicador e médio; no canto inferior esquerdo, pode-se ver o ombro da pessoa, com detalhe para o fundo escuro que contrasta com a fumaça. Foto: Carlos Osorio | Reuters.

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Sobre Smoke Buddies

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