Detox: como reduzir o consumo de THC sem abrir mão da cannabis?

capa detox thc Detox: como reduzir o consumo de THC sem abrir mão da cannabis?

Reduzir a quantidade e frequência de consumo e investir num produto melhor para um efeito mais desejado não é papo de burguês, é inteligência e consumo consciente. Confira, a seguir, como está sendo a minha experiência desintoxicante do THC, fumando maconha

Minha relação com a maconha já existe há cerca de 20 anos e, como boa parte dos brasileiros, sempre fui obrigado, como maconheiro, a recorrer à cannabis prensada de baixa qualidade, importada do Paraguai e adquirida no mercado ilícito.

Desde que me entendo por gente, sempre fui uma pessoa ansiosa e, com o passar dos anos e o peso dos compromissos e responsabilidades da vida, essa ansiedade foi aumentando, mesmo em momentos de descanso e férias. Encontrei na maconha, por conta própria e por muitos anos da minha vida, um alívio cotidiano entre um baseado e outro.

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Eis que, pouco menos de 2 meses atrás, me vi consumindo quase dois maços de cigarros diários entre litros de café e uns oito baseados por dia, sendo, em média, um beck a cada 2 horas acordado.

Mesmo sem saber os índices de CBD, THC e outros canabinoides da maconha prensada, sempre recorri a ela para tentar um controle da ansiedade. Nunca fui fã de medicamentos alopáticos e, diante de alguns pequenos avanços que nos permitem a importação de um produto mais seguro, certificadamente mostrando quais os índices de canabinoides e a qualidade, busquei orientação médica sobre tratamentos com cannabis.

O experimento

Após obter orientação sobre o tratamento da ansiedade, com prescrição médica e autorização da Anvisa para importação, iniciei o consumo de cannabis in natura. Estou há pouco mais de um mês passando por um processo que vem me proporcionando um bem-estar além do que imaginava. E, diante disso, resolvi compartilhar com vocês esta experiência que tem sido essencial para controlar condições como ansiedade, dores e insônia, além da manutenção do meu bem-estar pessoal.

Com as flores de cannabis in natura ricas em CBD, entregues na segurança do meu lar, desde o dia 13 de abril, consegui controlar a minha ansiedade, minha insônia e minhas dores, condições que me já me acompanhavam há tempo.

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Efeitos diferenciados

Sem classificar canabinoides como mocinhos ou vilões, já que para muita gente um maior teor de THC do que CBD pode ser mais benéfico para inúmeras condições, descobri que no meu caso o ideal seria optar por produtos ricos em canabidiol (CBD).

Isso por que o CBD atua no sistema nervoso central, agindo como um ansiolítico e modulando o sistema endocanabinoide. O THC, por sua vez, pode piorar um quadro de ansiedade, dependendo da situação, por exemplo, se a pessoa está em crise e usa um produto rico em THC, isso pode agravá-la, como bem esclarece a Dra. Amanda Medeiros, nova colunista na Smoke Buddies, no artigo “Doutora responde: a cannabis auxilia ou prejudica um quadro de ansiedade?”.

Comprovando na prática

Em pouco mais de um mês consumindo as flores de CBD, tive neste período duas experiências com maconha prensada — aquela mais acessível aos brasileiros e com seus teores de canabinoides e terpenos desconhecidos, que podem causar efeitos positivos e outros não tão desejados.

Após o 15º dia consumindo flores, fumei um baseado de prensado paraguaio, no qual senti a famosa onda e outros efeitos corporais mais atenuados, entretanto, segui por mais ou menos 20 dias usando somente flores de maconha ricas em CBD.

Logo após essa quarentena voltei a dar alguns tapas na cannabis prensada e a experiência foi, ao meu ver, pior que a anterior. Tive alguns efeitos que me assolaram, como taquicardia, falta de foco, ansiedade, corpo e mente pesados, dores no corpo, boca mais seca, inquietude e falta de sono, sensações que não tinha desde o início do consumo de flores ricas em canabidiol.

Se isso era algo normal para mim, prefiro desde já uma nova normalidade, optando por um produto bem produzido, adquirido de forma legal e com total segurança.

Através do entendimento da minha condição e com amparo médico, optei por três strains, entre indica, híbrida e sativa, com diferentes sabores, efeitos e teores de CBD, que variam de 17% a 19% e contendo até 0,3% de THC. Com isso, pude constatar um maior relaxamento, mais foco, uma redução efetiva na ansiedade e no consumo da própria substância e outras. Lembra que contei que estava consumindo oito baseados diários? Agora são no máximo dois, como também reduzi o cigarro, só o café que segue normal, já que desde pequeno sou movido a essa bebida.

E a brisa, como fica?

Como bom maconheiro, não posso negar que a brisa ou efeito psicoativo é uma das melhores coisas que temos ao consumir a planta, mas, diferente do que costumeiramente fomos levados a crer, não é só o THC que produz a psicoatividade. O THC é o canabinoide mais conhecido pelo efeito psicotrópico da cannabis, mas não podemos desmerecer os demais pares como o próprio CBD e outros canabinoides.

A onda que tenho obtido com a experiência das flores de CBD é muito mais voltada a um relaxamento corporal e uma elevação mental, mantendo clara a linha de raciocínio, produtividade e uma leve sensação muito prazerosa.

Detox do prensado, eu recomendo!

Desta experiência, que segue em curso e sobre a qual pretendo voltar com novos relatos, o benefício que mais pude observar foi a substituição de uma cannabis de baixa qualidade por uma de melhor qualidade e segurança. Longe de mim meter o malho na maconha importada do Paraguai, que sempre consumi e poderei voltar a consumir, mas sem dúvidas será após o processo de lavagem, a fim de livrar o máximo possível do que não é desejado, como impurezas, insetos, mofos e outras coisas a mais.

Sem essa de que “isso é para burguês”

Se a pessoa na hora de beber busca, dentro da sua realidade financeira, o que há de melhor, qual seria a lógica de não fazer o mesmo com a erva?

Para mim, certamente está sendo muito melhor reduzir a quantidade e frequência de consumo para investir num produto melhor e um efeito mais desejado do que “economizar” para ter uma indesejada rebordosa. Isso não é ser burguês e sim ser inteligente na hora do consumo consciente. Seja inteligente, pense nisso!

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#PraTodosVerem: fotografia, em visão superior, de dois buds de cannabis em tons de verde sobre a palma da mão de uma pessoa, e um pote de vidro contendo mais inflorescências, que aparece no segundo plano, à direita.

 Detox: como reduzir o consumo de THC sem abrir mão da cannabis?

Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.
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