Delegado da PF suspeitou de maconha de Odebrecht e deixou passar prova de propina

marcelo odebrecht Delegado da PF suspeitou de maconha de Odebrecht e deixou passar prova de propina

O delegado da PF ficou tão preocupado com as migalhas que pareciam maconha que deixou para trás uma prova importante sobre as propinas que a empresa pagava ao PT. Com informações da Época

Em 19 de junho de 2015, quando a Polícia Federal chegou à sede da Odebrecht, em São Paulo, com um mandado de busca e apreensão — outro, de prisão, era cumprido no Morumbi, contra Marcelo Odebrecht —, o delegado da PF Eduardo Mauat logo quis saber onde era a sala da presidência. A sala de Marcelo.

Encaminhado por Adriano Maia, então diretor jurídico da Odebrecht, Mauat determinou que os agentes vasculhassem tudo. Procurassem se havia algum cofre escondido em algum fundo falso de armário ou embaixo do piso. Enquanto os agentes trabalhavam, Mauat notou migalhas de cor escura em cima da mesa de Marcelo. Pegou aquele resto de alguma coisa com os dedos em formato de pinça e esfregou até que eles se tornassem pó.

Desconfiado, olhou para Adriano Maia e sentenciou: “Isto parece maconha”.

Maia segurou o riso.

“Olha, delegado, o Marcelo pode ter alguns problemas, mas usar drogas não está entre eles”, disse, aludindo ao estilo saúde-beleza de Odebrecht.

O material, recolhido com cuidado pelos agentes, foi periciado dias mais tarde e descobriu-se que era o farelo de um tipo de chocolate amargo.

A preocupação com a possibilidade de o material ser maconha fez os agentes amontoarem num carrinho computadores e uma pilha de documentos, que acabaram ficando para trás. Entre eles, estava a planilha “italiano”, que descrevia o fluxo de propinas e doações em caixa dois para o PT e assim chamada por ser o instrumento pelo qual a empreiteira negociava com Antonio Palocci — só em 2016 a PF descobriria a Italiano.

O episódio está descrito em A elite na cadeia: o dia a dia dos presos da Lava Jato, que o jornalista Walter Nunes lançará, pela editora Objetiva, nos próximos dias.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) em close-up de Marcelo Odebrecht, olhando para o lado e sorrindo, e um fundo amarelo. Foto: Rodolfo Buhrer | Reuters.

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