De acne a diabetes: veja os principais efeitos terapêuticos da maconha

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Veja uma lista de condições médicas para as quais os efeitos terapêuticos da maconha podem oferecer uma alternativa de tratamento às terapias convencionais mal sucedidas. As informações são do UOL Viva Bem

No último dia 3, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a regulamentação do registro e da venda de medicamentos à base de Cannabis nas farmácias e drogarias do Brasil. De maneira prática, isso facilita quem usa medicamentos feitos com substâncias provenientes da maconha, que passam a não depender mais da importação direta desses remédios.

Mesmo com essa liberação, ao menos em um primeiro momento fica proibido o cultivo da planta no país para os mais variados fins, o que inclui pesquisas. É um problema, uma vez que estudos têm indicado um enorme potencial terapêutico para a planta.

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“Na parte analgésica, em problemas de pele e no tratamento de alguns transtornos neuropsiquiátricos como ansiedade, Parkinson e psicoses há estudos promissores. Considerando ainda um uso compassional, isto é, admitido em casos excepcionais nos quais outras alternativas falharam, temos situações como pacientes em quimioterapia que poderiam se beneficiar dos efeitos antieméticos [para evitar vômitos] e orexígenos [para aumentar o apetite], além da sensação de relaxamento e bem-estar promovida por essas substâncias“, afirma o professor Francisco Silveira Guimarães, do departamento de farmacologia da FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo), que também estuda os efeitos terapêuticos dos canabinoides.

Letras mágicas

Atualmente, boa parte das discussões e estudos sobre os efeitos terapêuticos dos canabinoides se concentram em duas siglas: THC e CBD.

A primeira se refere ao Tetra-hidrocanabinol, que é a principal substância psicoativa encontrada nas plantas do gênero Cannabis. Já o CBD, também conhecido por canabidiol, não tem os efeitos psicoativos do THC, mas interage com receptores específicos nas células do cérebro e do corpo.

Mesmo sendo as mais conhecidas, elas não são as únicas: até o momento, mais de 100 substâncias diferentes e com potencial terapêutico foram encontradas em extratos de Cannabis.

“No meu conhecimento, até o momento não existe qualquer medicamento com outros canabinoides, terpenos ou flavonoides, substâncias encontradas em preparados vegetais a partir da Cannabis. Isso não significa que essas substâncias não tenham potencial para aplicação medicinal. Apenas não temos conhecimento suficiente e regulamentação necessária para fomentar a criação de produtos farmacêuticos a partir da Cannabis”, explica o neurocientista Claudio Queiroz, do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

Quando usar?

Ao menos por ora, o uso de canabinoides tem efeito comprovado em poucas doenças. “Com exceção de epilepsias infantis de difícil controle, como a Síndrome de Dravet, e no tratamento sintomático, com melhora da dor e da espasticidade provocadas pela esclerose múltipla, eu colocaria as demais indicações como possíveis efeitos terapêuticos dos canabinoides, que ainda necessitam de comprovação clínica”, cita Guimarães.

A lista, no entanto, tende a aumentar, conforme aponta Queiroz, uma vez que o extrato de Cannabis tem tido resultados promissores no tratamento de sintomas de patologias como autismo e glaucoma.

O que é importante frisar é que quem fuma maconha não, necessariamente, se aproveita dos efeitos terapêuticos dos canabinoides. Um dos motivos para isso é que o uso contínuo de psicotrópicos frequentemente resulta em tolerância às substâncias. “Essa é uma ótima pergunta para a qual ainda não temos uma resposta definitiva. Apenas estudos controlados são capazes de elucidar se, e em que medida, a tolerância se desenvolve”, diz Queiroz.

Outro ponto a ser considerado é que a concentração de CBD e THC da maconha usada para fumar pode variar bastante, o que resulta em efeitos imprevisíveis. “Canabinoides produzem curvas de resposta em forma de sino, com aumento do efeito conforme aumento da dose até certo ponto, sendo que a partir desse ponto o aumento da dose pode causar diminuição do efeito gerado. Altas doses de THC, por exemplo, podem produzir ataques de pânico ao invés do efeito ansiolítico usualmente descritos por quem fuma um cigarro de maconha”, explica Guimarães.

Confira abaixo alguns dos possíveis efeitos terapêuticos dos canabinoides, mas que ainda necessitam de comprovação clínica:

Acne – o CBD é antioxidante e tem potencial para ajudar a reparar danos à pele;

TDA (Transtorno do Déficit de Atenção) e TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) – canabinoides teriam potencial para estimular a produção de dopamina e, com isso, substituir a Ritalina e similares em tratamentos;

Alcoolismo e outros vícios – o canabinoide cariofileno e seu derivado, o óxido de cariofileno, combatem alguns efeitos provocados pelo álcool. Testes em ratos mostraram que doses pequenas dessa substância faziam eles consumir muito menos álcool;

Esclerose lateral amiotrófica – CBD e THC teriam efeito antioxidante e ajudariam a evitar a morte de células nervosas associadas à doença;

Alzheimer – CBD pode evitar a criação de proteínas malformadas associadas à doença. Canabinoides também são associados à proteção de células nervosas;

Anorexia – usar canabinoides para estimular os receptores do sistema endocanabinoide pode ajudar a regular o metabolismo;

Doenças resistentes a tratamento com antibiótico – THC e CBD teriam capacidade antibiótica e poderiam ser usados nesses casos;

Ansiedade e condições correlatas – CBD poderia ser usado como ansiolítico;

Artrite – CBD poderia ser usado como anti-inflamatório;

Asma – CBD poderia ser usado como anti-inflamatório;

Arterosclerose – neurotransmissores ativados pelo THC inibem a incidência de arterosclerose;

Autismo – CBD e THC poderiam atuar no controle de problemas decorrentes de autismo, como convulsões e agressividade;

Doenças autoimunes – canabinoides poderiam ser usados para modular o sistema imunológico e tratar doenças do tipo;

Transtorno bipolar – canabinoides, em determinadas doses, podem ajudar no tratamento de problemas como transtorno bipolar por sua atividade como neurofármaco;

Câncer – o CBD pode inibir a angiogênese –formação de novos vasos sanguíneos–, o que está ligado a doenças como o câncer;

Colite e doença de Crohn – CBD pode diminuir inflamações intestinais ao atuar junto ao sistema imunológico do paciente;

Depressão – CBD teria efeito antidepressivo e ansiolítico;

Diabetes – os efeitos metabólicos dos canabinoides reduziram os níveis de insulina e índice de HOMA em humanos;

Problemas endócrinos – estudos relacionam o sistema endocanabinoide ao controle das funções corporais feito pelo sistema endócrino;

Epilepsia e convulsões – derivado de CBD suprime gene relacionado à epilepsia. CBD também demonstrou efeitos anti-convulsivos;

Fibromialgia – o uso de CBD se mostrou eficaz para o tratamento da dor em pacientes com fibromialgia;

Glaucoma – THC e CBD têm potencial para diminuir a pressão ocular;

Problemas cardíacos – canabinoides estão associados ao controle de arritmia, isquemia e cardiomiopatias;

Aids – uso de THC pode ajudar a diminuir danos ao sistema imunológico e evitar que o quadro dos pacientes se agrave;

Doença de Huntington – CBG (cannabigerol) demonstrou propriedades neuroprotetoras e CBD tem potencial para tratamento dessa doença;

Doenças crônicas nos rins – canabinoides demonstram efeito anti-isquêmico e podem ajudar a evitar o bloqueio de vasos sanguíneos nos rins;

Enxaqueca – doses combinadas de CBD e THC ajudaram a diminuir as dores decorrentes de enxaquecas;

Esclerose múltipla – CBD mostra potencial para oferecer uma proteção mais duradoura contra efeitos nocivos da doença;

Parkinson – testes mostraram eficácia do THC e do CBD para evitar a degradação dos neurônios;

Osteoporose – um receptor de canabinoides chamado CB2 atua como sistema regulatório de massa óssea. Se estimulado corretamente, pode ajudar a controlar a doença;

Reumatismo – o uso de canabinoides é promissor, uma vez que o sistema endocanabinoide também atua regulando inflamações e adaptando respostas imunológicas;

Esquizofrenia – CBD demonstra efeitos antipsicóticos;

Insônia – CBD tem potencial para tratamento de insônia e como modulador do sono;

AVC – canabinoides estão associados ao controle da isquemia.

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#PraCegoVer: foto (de capa) que mostra parte de um frasco de vidro transparente destampado e, logo acima, a ponta de um conta-gotas que aplica uma gota do líquido amarelo, que também preenche parte do recipiente; ao fundo, desfocado, folhas de maconha com espaços de cor salmão-claro. Foto: Getty.

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