Cultivo de cânhamo pode conter poluição nuclear em Palomares (Espanha)

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A associação Flecha Verde apresentou um projeto para descontaminação ​​das terras afetadas pelo desastre com bombas nucleares em 1966, em Palomares, através do cultivo de cânhamo, com base em experiências na Itália e em Chernobyl. Com informações do Público e tradução pela Smoke Buddies

Palomares, na província de Almería, na Espanha, uma cidade agrícola, de pesca e turística ao longo do Mar Mediterrâneo, que ficou famosa pela queda de quatro bombas termonucleares de um B-52 em janeiro de 1966, decidiu recorrer ao cultivo de cânhamo para tentar descontaminar as terras afetadas por esse acidente nuclear.

Recentemente, a associação Flecha Verde apresentou um projeto, que conta com a colaboração de departamentos de pesquisa de várias universidades, para cultivar cânhamo em uma das áreas afetadas após o incidente, seguindo a experiência realizada em Chernobyl e na região italiana de Apulia, onde as raízes da planta da cannabis têm absorvido os metais pesados.

Já se passaram 54 anos do desastre, em uma pequena cidade no município de Cuevas del Almanzora, na costa leste de Almería, onde dois aviões das forças aéreas dos EUA colidiram no ar durante uma manobra de abastecimento de combustível e quatro bombas com carga nuclear caíram no mar e na terra de Palomares. Hoje, quatro espaços, com uma superfície de 40 hectares de terra, permanecem cercados na cidade. O solo neste lugar está contaminado, em sua maior parte, com plutônio procedente das bombas, símbolo de um desastre que ainda não se sabe como apagar da memória.

São nessas áreas em que a Associação Palomares Flecha Verde pretende intervir, uma organização recém-criada e farta com o passar dos anos e décadas, onde ninguém tenha feito algo contra a poluição causada por um dos maiores acidentes nucleares do mundo. Um estudo do governo espanhol, realizado em 2008, encontrou meio quilo de plutônio em 50.000 metros cúbicos de terra. E agora, uma plantação de cannabis poderia acabar com toda essa contaminação. Pelo menos é o que os promotores de um projeto piloto pretendem, inicialmente: que seja realizado em um hectare de terra para verificar os resultados e a viabilidade de uma maior expansão.

O projeto, segundo o presidente da associação, Indalecio Modesto, se baseia no sistema de fitorremediação, que utiliza as plantas para descontaminação do solo ou purificação da água, absorvendo a substância contaminante para metabolizá-la, reduzindo bastante ou até impedindo sua liberação para outras áreas. A fitorremediação do solo através do cultivo de cânhamo já é uma prática utilizada com sucesso em outra áreas contaminadas: na região de Apúlia, no sul da Itália, onde centenas de agricultores recorreram à cannabis para reduzir a poluição causada por uma das maiores fábricas de aço na Europa, e em Chernobyl, onde hectares de girassol e cânhamo foram plantados para reduzir os efeitos devastadores do acidente da usina nuclear. E também no Japão, onde optaram pelo milho para absorver metais pesados do reator de Fukushima, porque sua legislação os impedia de recorrer ao uso da cannabis.

Grande poder descontaminante

Mario Land, médico especialista na aplicação da cannabis com fins medicinais e colaborador do projeto Flecha Verde, explica que a planta da qual se obtém o cânhamo para uso industrial possui um ínfimo índice de THC (componente psicoativo) e tem um poder de absorção de metais pesados, através de suas raízes, capaz de reduzir a zero a contaminação de um terreno em menos de cinco anos.

Neste caso, segundo Land, se trata de medir previamente a radiação da superfície contaminada com altas doses de plutônio e amerício e observar sua evolução e quantidade de metais pesados absorvidos pelas plantas para calibrar os resultados do projeto. Para isso, contam com a colaboração de cientistas de vários departamentos das universidades de Almería, Granada e Barcelona, que se encarregaram do seguimento e analise da experiência.

O projeto também envolve Héctor Brotons, um dos advogados mais conceituados da Espanha em todos os assuntos relacionados à maconha no campo jurídico, que ressalta, que por se tratar de cultivo de cânhamo, a concessão das licenças para o programa piloto corresponderia ao Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação, à qual deve ser adicionada a autorização do Centro de Investigações Energética, Microambientais e Tecnológicas (CIEMAT) do Ministério da Ciência e Inovação, responsável pela custódia das áreas contaminadas.

Brotons acredita que o projeto, embora ainda em fase incipiente, possa ser realizado dentro de dois ou três meses, uma vez obtidas as autorizações necessárias e solucionado o financiamento. Então, uma vez em andamento, seria necessário determinar o destino das plantas utilizadas, dependendo dos metais pesados que absorveram e da necessidade de armazená-las ou não em tanques especiais para evitar qualquer contaminação.

“Viver juntos em um ambiente sem risco à saúde, livre de contaminação, sem o ônus da radioatividade, é uma questão de direitos humanos, assim como as pessoas e as populações podem se desenvolver social e economicamente de acordo com suas possibilidades e esforço”, destaca a associação Flecha Verde na declaração de fundação.

A associação Flecha Verde, além do cultivo de cannabis para fins de descontaminação, tem como objetivo promover a educação ambiental e o conhecimento sobre a proteção da natureza, por meio da cooperação com órgãos estaduais, comunidades autônomas, municípios e universidades.

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