O impacto do coronavírus no mercado canábico brasileiro e como você pode ajudar

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Sob o efeito da folia, alguns brasileiros só começaram a cair na realidade sobre a gravidade da situação com o anúncio da pandemia de coronavírus, em 11 de março. Na semana seguinte, o mercado canábico legal no Brasil começou a sentir os efeitos da crise no país

Em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde declarou uma pandemia do coronavírus e até agora, segundo o painel Ginsanddata, o Covid-19 contabiliza 9.115 mortes e 222.643 casos confirmados espalhados por 159 países. Na economia canábica global, quando o surto de coronavírus era somente na China, empresas que dependem de componentes eletrônicos, como de vaporizadores, foram as primeiras a sentirem o impacto, parando suas linhas de montagens e distribuição.

Com o vírus colocando a Itália como novo epicentro, a epidemia afetou eventos na Europa relacionados à cultura canábica, como a Spannabis, em Barcelona. Mas não somente lá. Eventos adiados ou cancelados pelo mundo incluem a High Times Cannabis Cup, na Califórnia, o 420 Broward Festival, na Flórida, e o 420 Vancouver, no Canadá, que aconteceriam em 20 de abril, além das feiras CannaTech & PsyTech, que ocorreriam no fim do mês, em Israel.

 

No Brasil, a ExpoCannaBiz, em São Paulo, foi adiada de 29 e 30 de abril para os dias 28 e 29 de setembro e, no Rio de Janeiro, o evento da associação de pais e pacientes Abracannabis, em parceria com a Prefeitura de Macaé, também não acontecerá na data prevista.

Leia mais: Spannabis anuncia adiamento de evento por causa do Coronavírus

Era certo que, mais dia menos dia, o Brasil teria por aqui a versão tropical do coronavírus, registrada em 25 de fevereiro de 2020, uma terça-feira de carnaval. Sob o efeito da folia, alguns brasileiros só começaram a cair na realidade sobre a gravidade da situação com o anúncio da pandemia, em 11 de março. Na semana seguinte, o mercado canábico legal no Brasil começou a sentir os efeitos da crise no país.

Restrições a concentrações públicas, fechamento de espaços públicos, museus e parques e a recomendação das autoridades para que a população fique em casa acarretam queda no público de estabelecimentos canábicos, como head shops, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, estados com maior número de infectados.

“Desde sexta-feira, o volume de público reduziu drasticamente, menos de 50% do habitual de uma sexta”, conta Jader Veríssimo, proprietário do Centro Cultural Smoke Lounge, uma coffeeshop na Tijuca. Além do público da casa, que tem lotação média de 300 pessoas, a agenda de eventos também foi afetada com o cancelamento das apresentações culturais por um prazo inicial de 15 dias.

Nossa maior preocupação e medo é que este período seja ampliado, se estender por 30 ou 60 dias será bem difícil pagar as contas”, conta ele, que tem como parte da clientela os alunos de duas universidades vizinhas ao estabelecimento. “Por conta da pandemia e a consequente falta de público, dois eventos foram cancelados na semana passada. Infelizmente, com a ausência de movimento e cancelamento da agenda de eventos, enviamos os funcionários para casa pelo período de 15 dias, normalizando eles retornam”.

Para Jader, “o momento é de incerteza e o maior medo é a duração da pandemia, infelizmente este mês as contas já não fecham”. Com fluxo abaixo da média, a parte de tabacaria e head shop da Smoke Lounge continua em funcionamento, mas com quadro de funcionários, horários e estoque reduzidos, já que nem os fornecedores apresentaram um plano para o período e o pós-crise.

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Com os governos estaduais decretando redução nos horários de funcionamento e lotação de estabelecimentos, a Ganjah, uma coffeeshop na Lapa, no Rio de Janeiro, também teve de adequar o funcionamento e a agenda da casa, já que o movimento de clientes caiu desde quinta-feira (12).

Cancelamos todos os eventos que iriam ocorrer na casa nos próximos 15 dias, mas pensando no geral, chegamos a colocar à disposição nossos banheiros para quem quiser entrar e lavar as mãos”, conta Ítalo Rodrigues. 

Com a queda de movimento, eventos certos de público, como o show do Akira (13), tiveram metade da adesão esperada, e, consequentemente do faturamento. “Segunda e terça não abrimos, nesta quarta (18) abrimos, mas, como era esperado, registramos uma queda de mais de 70% do faturamento. Durante o período da crise, a loja vai operar só no delivery e no virtual. Achamos arriscado o momento, tanto para o público quanto para os funcionários da casa”.

A head shop Jacaré Azul, também na Lapa (RJ), na semana passada orientou seus funcionários a redobrarem os cuidados com a higiene, segundo as recomendações dos órgãos de saúde do país. “Agora que a preocupação se intensificou, a partir da próxima semana, colocaremos os funcionários em férias e abriremos apenas por um turno, mas tudo com bastante cautela”, conta Anninha Wolff, gerente geral da Jacaré Azul, que afirma que “até o momento, o movimento presencial não foi alterado”.

Em São Paulo, a situação não é muito diferente do Rio. Na Inca Headshop, localizada na Vila Madalena, a primeira mudança adotada foi a redução de horário e turnos alternados para os funcionários.

Essa semana o movimento já reduziu bastante, nossa região é repleta de agências e escritórios e os funcionários estão de home office, conta Zé Gabriel, proprietário. “Com certeza essa crise vai afetar o faturamento, embora, apesar de aparecer menos clientes esses dias, eles estão comprando um pouco mais para estocar”.

A Inca suspendeu também os happy hours e eventos, está restringindo o acesso à área externa de convivência, sugerindo um tempo de permanência máximo de 15 minutos, e a partir da próxima segunda-feira, dia 23, fechará as portas por tempo indeterminado.

A Diboa Tabacaria, também na Vila Madalena, adotou medidas similares às outras lojas do ramo. Próxima à estação de metrô Fradique Coutinho, a loja ainda teve fluxo de clientes nos últimos dias. “Muita gente se abastecendo, afinal, não é só de papel higiênico que vivemos”, conta Manoel Barreira, proprietário da DiBoa que questiona, preocupado: com a queda de movimento e possível necessidade de fechar as portas, como ficam as contas de custo fixo como aluguéis, funcionários e impostos? Não sei muito o que fazer, a preocupação está enorme”.

Importância e manutenção deste mercado

No Brasil, os mercados legais de produtos, serviços e de lifestyle canábicos como as coffeeshops, growshops e head shops, geram milhares de empregos formal e informalmente, fixos e temporários.

De acordo com Gustavo Devenezio, consultor de head shop, só os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo contabilizam cerca de 230 estabelecimentos canábicos e já apresentam quedas nas vendas. Só no interior do estado de São Paulo que nada acontece, em relação ao impacto na distribuição de produtos e acessórios.

Torcemos para que a pandemia acabe o quanto antes para retornamos à normalidade, mas enquanto isso não ocorre, como consumidores responsáveis temos o dever de ajudar na manutenção de um mercado legal que já sente o impacto do coronavírus.

Por mais que o governo prometa “mundos e fundos”, sabemos que esta “ajuda” será prioritária aos grandes empresários que, só por si, já seriam capazes de sobreviver a 15, 30 e até mais dias sem um fluxo de caixa habitual; mas e os pequenos e microempreendedores que acabarão não recebendo tais recursos, como ficam?

Fazendo a nossa parte

A Smoke Buddies possui, desde 2011, inúmeros grupos oficiais destinados à cultura canábica. Nestes grupos, reunimos mais de um milhão de pessoas, que fazem uso adulto e terapêutico da cannabis – consumidores diretos de produtos e serviços legais que movimentam o mercado canábico.

A fim de contribuir com a saúde econômica e, consequentemente, a manutenção do emprego de milhares de pessoas envolvidas direta e indiretamente neste mercado canábico, abriremos aos lojistas, de forma excepcional, os grupos regionais do Rio de Janeiro e de São Paulo que, atualmente, possuem cerca de 450 mil membros, para servir de base comunicativa direta das empresas com futuros e atuais clientes. 

Nos grupos, as empresas poderão informar sobre horário de funcionamento e formas de compra e entrega dos produtos durante a crise. A disponibilização do espaço será realizada sem custos aos lojistas e membros. Saiba como ter acesso pelo contato@smokebuddies.com.br.

Chama no delivery!

Em meio à pandemia do coronavírus, muitos estabelecimentos aderiram ao formato de venda via Whatsapp, Instagram, iFood, Rappi, e outras plataformas de pedidos e entrega, para manter seus negócios operando. A estratégia também está sendo adotada pelas lojas de produtos e acessórios canábicos pelo Brasil, como as citadas acima.

Em meio a uma crise sem previsão para acabar e com as recomendações de sair só em casos extremos, a melhor opção é mesmo buscar a loja especializada do seu bairro e adquirir seus produtos sem a necessidade de sair de casa. Além de reduzir a chance de contágio e propagação do coronavírus, você contribuirá com a saúde econômica do seu estabelecimento favorito.

Lembrando que o fechamento destes pontos de vendas de acessórios e produtos legais causaria um impacto em todo o mercado canábico, indo além das coffeeshops, head shops, growshops e lojas especializadas e afetando a indústria de bongs, papéis, piteiras e outros acessórios.

Vamos ser conscientes, juntos podemos fazer mais.

Confira, abaixo, o perfil das lojas no Rio e São Paulo com sistema de teleatendimento e delivery disponíveis:

Coffeeshop / Head Shop / Tabacaria / Growshop — Rio de Janeiro

Smoke Lounge (Tijuca)

Ganjah Lapa (Lapa)

Jacaré Azul (Lapa)

BloomHouse (Volta Redonda)

Opção de comida 

FoodLev (Rio de Janeiro)

Coffeeshop / Head Shop / Tabacaria — São Paulo

ULTRA420 (Pinheiros)

DiBoa Tabacaria (Vila Madalena)

PoPipe Headshop (Jardim Paulista)

Opção de comida 

Cozinha do Bokão (São Paulo)

É lojista ou conhece algum? Envie um e-mail para contato@smokebuddies.com.br e saiba mais sobre como podemos ajudar.

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#PraCegoVer: a imagem de capa traz a foto do interior da loja Smoke Lounge (Tijuca) vazio; detalhe para balcões de produtos e mesas de madeira, no primeiro plano, e luminárias verdes, ao fundo. Foto: Smoke Lounge.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.
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