Confira os benefícios da cannabis para a corrida

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Daniel Chaves, que vai disputar a maratona olímpica, faz uso regular de CBD. As informações são do Corrida para Todos / Estadão

Desde 100 anos antes de Cristo, a Cannabis sativa já era usada como medicamento pelos chineses. E apenas no início deste século, por conta do uso recreativo da substância e o tráfego de drogas, os médicos ocidentais começaram a utilizá-la regularmente para os mais diversos tratamentos, de esclerose múltipla a dor. No caso específico dos maratonistas, são utilizados os óleos de CBD (canabidiol), um dos fitocanabinoides da maconha. E são exatamente esses remédios que saíram da lista de doping e serão usados pela primeira vez em uma olimpíada. Um dos atletas brasileiros que utiliza este medicamento e foi convocado para Tóquio é o maratonista Daniel Chaves, que deu seu depoimento nessa quarta-feira, 9 de junho, na Cannabis Affair, um dos maiores eventos canábicos do país.

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Conheci Daniel em 2009, na última edição da Nike 600K, uma ultra de revezamento entre São Paulo e o Rio, que contou com um atleta profissional em cada uma das equipes, formadas por amadores. E por “culpa” dele, a equipe Imprensa, lanterna nas duas primeiras edições, conquistou o penúltimo lugar. Ele foi correr na Europa e vinha se destacando no esporte, porém, por poucos segundos, não conseguiu o índice para a Rio 2016 e caiu em depressão. Daniel parou de treinar por dois anos.

A pesquisadora Claudia Tambeli, PhD em Dor e professora do Pós-Doutorado da Unicamp, explica que o CBD tem vários benefícios para os atletas, como por exemplo efeitos analgésico, anti-inflamatório, neuroprotetor, melhora o sono e ação ansiolítica, diminuindo a ansiedade. “Há estudos que demostram a capacidade do CBD de estimular a regeneração tecidual em atletas que sofreram lesões. O uso deste fitocanabinoide aumenta a migração das células tronco do organismo para o local da lesão, favorecendo o processo de regeneração tecidual”, explica Claudia.

Dr. Gabriel Micheli, gerente médico científico da Health Meds, pontua que o uso da cannabis medicinal, principalmente através de formulações em grau farmacêutico, vem acumulando um corpo de evidência interessante no tratamento de condições dolorosas crônicas e nos transtornos de ansiedade, grande parte promovido por um conjunto de leis e instituições que permitem um ambiente favorável à pesquisa e facilitam o acesso para pacientes com indicações médicas para o uso de cannabis. Isto acontece em alguns países como Israel e Nova Zelândia, assim como em alguns estados dos EUA, como Alabama e Califórnia. “As principais classes de remédios disponíveis para o tratamento da ansiedade geralmente são associadas a altas taxas de abandono de tratamento, em parte por conta de seus efeitos colaterais. Novos estudos sugerem que o canabidiol pode ser um grande aliado dos médicos nesse cenário. Em uma série de casos com 72 pacientes com ansiedade e insônia publicada em 2019, houve redução da ansiedade em 80% dos pacientes, com benefício similar na qualidade do sono”, observa o médico.

“Minha vida de atleta mudou completamente com o uso do CBD”

Daniel começou a usar o CBD para tratar a depressão, por indicação de amigos. “Deu certo, voltei a correr, consegui fazer o índice olímpico em Londres. Naquele momento o uso do CBD era considerado doping e não usei nas competições, só nos treinos. E depois que foi liberado o CBD e o THC, este só para treinamento, tudo deu uma equilibrada. E consigo assim ter um tratamento adequado para a minha patologia, e agora para o meu esporte”, destaca. Ele acrescenta que nas competições, quando não podia seguir com o tratamento, não conseguia dormir direito e a recuperação era ruim.

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Ele conta que começou no atletismo aos 12 anos e desde então persegue o sonho de competir em uma Olimpíada, que é o auge para todo atleta. “Hoje estou com 32 anos, vinte deles perseguindo esse sonho, competir com os melhores do mundo”, destaca. Ele afirma que o uso do CBD melhorou muito a qualidade de vida e dos treinos. “Com o uso do CBD consegui conquistar o índice olímpico, e percebo uma melhora diária. Uma coisa é você dar uma pernada, que sei fazer bem há 20 anos, e outra saber conciliar família e agenda. Eu tinha bastante problema com isso, e hoje consigo fazer tudo sem ansiedade, sem estresse”, conta.

Daniel já experimentou vários tipos de CBD para treinar. “São ótimos, consigo contar até o número de passos que dei; e você consegue direcionar seu corpo para a atividade. Você consegue se focar totalmente no treino e o resultado é melhor. E no pós-treino uso outro tipo, o que acelera muito a recuperação e me sinto ótimo para o segundo treino de corrida do dia. Durmo melhor e acordo cedo sem problemas”, explica. Ele prossegue dizendo que, por ter morado muitos anos na Europa, acostumou a treinar apenas à tarde, por causa do frio, e por isso dormia bem tarde. “Chegava com a adrenalina do treino e não conseguia dormir. Agora não, uso o CBD, faço meditação e durmo às 9h30 da noite. E acordo 4h30 da manhã superbem. Minha vida de atleta mudou completamente com o uso do CBD”, afirma. Daniel aproveita para agradecer o trabalho feito pelos Atletas Cannabis. “Sem  isso não seria possível, como tudo é muito novo, há uma troca de experiências e todo suporte para pesquisar todos os efeitos e compartilhar conhecimento para desmitificar o uso”, finaliza.

Por enquanto, o grande problema é o preço, muito alto por se tratar de um produto importado, mas com o recente PL 399/15, que trata a regulação da cannabis medicinal e o plantio do cânhamo industrial no Brasil, isso pode melhorar em breve. Quase 40 países  já regulamentaram a cannabis e milhões de pessoas se beneficiam de seu potencial econômico, social, medicinal e cultural. Segundo a Grand View Research, o tamanho do mercado global legal de cannabis foi de 33,1 bilhões de dólares em 2020, já com estimativa de chegar a 84 bilhões de dólares em 2028. O Market Data Forecast estima que o mercado medicinal global de cannabis girou em torno dos 13 bilhões de dólares em 2020, podendo chegar a 44 bilhões em 2025. A Kaya Mind estima, no relatório Impacto Econômico da Cannabis, que o tamanho do mercado canábico no Brasil é de 4,43 bilhões de dólares no 4º ano após a regulamentação no país — somando as frentes de uso adulto, cânhamo e medicinal, com o dólar de 21/05/21 (R$5,34), sendo 1,78 bilhão para o mercado canábico medicinal.

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#Pratodosverem: fotografia mostra Daniel Chaves, da cintura para cima e em perfil, usando óculos de lentes vermelhas e regata de cor escura, enquanto corre. Imagem: Estadão.

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