Como colocar maconha na alimentação?

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Qualquer pessoa pode adicionar maconha na alimentação de forma segura e correta seguindo essas informações

Quando eu falo em aulas ou lives que qualquer pessoa pode colocar maconha na alimentação, eu sei que pode parecer exagero, mas de fato não é. É bem simples adicionar os fitocanabinoides na nossa alimentação e assim conseguimos nos beneficiar de todos os efeitos fitoterápicos que a planta da maconha pode oferecer. Principalmente através da redução de danos dessa forma de consumo, já que eliminamos a combustão.

É importante seguir alguns parâmetros e controles, já que a culinária cannábica vem sendo aperfeiçoada ao longo dos últimos anos e diversas técnicas estão sendo adaptadas e incrementadas. Inclusive já existem no mercado uma infinidade de eletrodomésticos que praticamente fazem as infusões automaticamente.

No entanto, a essência básica de controle de tempo e temperatura se mantém. Então não é preciso fazer grandes investimentos para conseguir fazer as suas infusões cannábicas no conforto da sua cozinha. Depois, com elas em mãos, você pode adicionar às suas receitas favoritas.

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Um dos únicos investimentos que eu considero fundamental para quem quer se aventurar na culinária cannábica é um termômetro de forno. Os demais utensílios podemos adaptar com o que temos em casa, como peneira e filtro de café. Mas o termômetro garante que não vamos ultrapassar a temperatura da descarboxilação quando colocamos a erva no forno, já que, em geral, os termostatos de fornos residenciais não são precisos ou não medem temperaturas abaixo de 160 ºC.

Mas sei que muita gente vai se perguntar: mas, afinal de contas, o que é descarboxilação?

Esse termo complicado pode assustar, principalmente quando falamos que ele se refere ao processo de aquecer a erva no forno. Várias pessoas ficam com medo de queimar a ganja e perder os fitocanabinoides, mas seguindo o passo a passo não tem erro. A planta in natura é rica em canabinoides na forma ácida, como THCA e CBDA. Descarboxilar é retirar a molécula ácida (A), para convertê-los em THC e CBD, é um processo de química orgânica. 

Essa é uma das razões da maconha crua normalmente não ter efeitos psicoativos. Até dá pra sentir um efeito mínimo, já que dependendo do tempo que a colheita demorou para ser feita, alguns tricomas podem ter maturado. Mas, se você quiser garantir a máxima potência de THC e CBD, é fundamental descarboxilar a erva antes de usar na culinária cannábica.

Garanto a vocês que, fazendo esse processo com a temperatura e tempo controlados, não há riscos de queimar a maconha ao descarboxilar. Porque descarboxilar é uma equação entre tempo x temperatura. Existem várias maneiras de descarboxilar a erva para atingir os resultados desejados, mas a minha equação favorita é manter a erva a 120 ºC, durante uma hora. 

Esses valores estão relacionados à temperatura de ativação e evaporação dos canabinoides. Para que os terpenos não se percam na câmera do forno, é importante que você faça esse processo em uma forma envolta em papel alumínio, ou ainda utilizando um vidro de pote de conserva, cuidando sempre para não ter choque térmico e explodir o vidro.

Mas não basta apenas descarboxilar para adicionar a cannabis na alimentação, precisamos extrair os canabinoides dessa erva em alguma base gordurosa ou alcoólica, já que os canabinoides são solúveis apenas em gordura ou álcool. Alguns exemplos de base gordurosa: azeite, manteiga, banha ou óleos. As bases alcoólicas podem ser gin, cachaça, rum, álcool de cereais, vodka.

Essa extração tanto pode ser feita a frio (demorando entre 7 e 30 dias) ou diretamente no calor (pode demorar entre 2 a 12 horas). Baseada nos diversos experimentos e testes que já fiz, considero exagerado deixar uma infusão preparando mais do que 8 horas, porque não percebo diferença de potência depois desse tempo todo. No método com calor, minha recomendação é sempre fazer no banho-maria, já que a água ferve aos 100 ºC e acaba sendo uma garantia de que não vamos ultrapassar essa temperatura e perder a potência da infusão. 

Já que cada organismo reage de uma maneira à maconha, eu sempre recomendo que as pessoas testem diferentes métodos, tempos e temperaturas, para só então determinar qual o método é mais eficaz para o seu metabolismo.

Mas, independente do método que você seguir, o último passo é sempre coar a extração e separar o resíduo orgânico da base com canabinoides. Pronto, você já tem tua infusão para adicionar em qualquer receita e até mesmo naquela comidinha que você eventualmente pede pelo delivery. 

Essa infusão também pode ser ingerida de forma sublingual de maneira discreta em qualquer lugar. Por fim, faço um alerta: lembrem sempre da importância do controle de temperatura na culinária cannábica. Não utilizem as infusões para refogar, fritar, grelhar ou diretamente na chama do fogo. Em geral, elas devem ser adicionadas ao final do preparo para garantir a potência. 

Agora que vocês já sabem como colocar maconha na alimentação quero ver seus preparos, postem as fotos e marquem @lilica.420Deixei na aba “Guias” do meu Instagram um infográfico da descarboxilação, exemplos de bases possíveis para extração e o passo a passo de como fazer a manteiga cannábica.

No meu canal do Youtube (youtube.com/lilica420) você encontra o vídeo de como descarboxilar e como fazer a manteiga, além de receitas e dicas de como utilizar as infusões na culinária cannábica. Espero vocês por lá também, já aproveitem e se inscrevam no canal. E quem quiser aprender tudo isso e mais um pouco sobre culinária cannábica ainda pode se matricular no meu curso on-line e fazer, de fato, parte da #revoluçãocannábica!

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#PraCegoVer: fotografia que mostra um pudim de leite com calda de caramelo e mirtilos no topo, em um prato de cerâmica acinzentado, com um bud de cannabis na borda. Foto: Divulgação | Lilica 420.

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Sobre Lilica 420

A Lilica cresceu dentro da cozinha do restaurante de sua família. São 40 anos de experiência culinária, aprendendo ao lado de diferentes cozinheiros várias técnicas, receitas e preparos. Quando ela descobriu que conseguia unir todo esse conhecimento à outra paixão de sua vida - a maconha - começou a cultivar, viajou para países legalizados, fez cursos, leu livros e aprendeu, na teoria e na prática, tudo sobre culinária cannabica. Agora, ela compartilha seu conhecimento, conquistado em anos de estudo, para que outras pessoas também passem a colocar maconha na alimentação. Principalmente, de maneira segura e saudável.
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