Tóquio: cinco fatos interessantes sobre a cannabis e os Jogos Olímpicos

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A primeira edição das Olimpíadas desde que o canabidiol deixou de ser proibido pela Agência Mundial Antidoping ocorre em um país que tem longa história com o cânhamo e, ao mesmo tempo, uma das mais restritivas leis sobre maconha. Confira, a seguir, cinco fatos interessantes que envolvem a cannabis e os Jogos Olímpicos de Tóquio

Entre 23 de julho e 8 de agosto, o mundo vai acompanhar os Jogos Olímpicos de Verão, edição de 2020 adiada pela pandemia, que acontece em Tóquio, no Japão — os Jogos Paralímpicos serão entre 24 de agosto e 5 de setembro.

Além de não receber espectadores, o maior evento esportivo do mundo traz outras novidades, como a inclusão de esportes como skate e surfe, e está sob novas diretrizes, como a retirada do CBD da lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial Antodoping (Wada). Confira, a seguir, cinco fatos interessantes sobre a maconha e as Olimpíadas de Tóquio:

site sb Tóquio: cinco fatos interessantes sobre a cannabis e os Jogos Olímpicos

Substituindo corticoides e corticoesteroides…

O canabidiol (CBD) não é mais considerado doping desde 2017 e, por isso, uma alternativa terapêutica aos atletas de alto rendimento que disputam a competição. “Como o canabidiol também tem ação anti-inflamatória, muitos atletas estão substituindo o corticoide, que é considerado doping pela Wada, pelo canabidiol”, explica o médico neurologista Renato Anghinah, CMO global da HempMeds, primeira empresa brasileira a importar com autorização da Anvisa o composto para o Brasil.

“Em relação ao bem-estar, os relatos dos próprios atletas são de que o canabidiol isolado diminui a ansiedade, melhora o sono”, diz. “Muitos relatam que [o CBD] atenua um pouco a dor, inclusive durante a competição ou pós-treino”.

Na comitiva brasileira

Entre os atletas que disputarão medalha na Olimpíada de Tóquio pelo Brasil, o maratonista Daniel Chaves é um dos competidores adeptos ao CBD — ao UOL, ele declarou que o canabidiol influenciou positivamente em sua classificação olímpica, em 2019, em Londres.

“É um marco, uma quebra de paradigmas e uma bandeira que levanto porque acredito”, diz o maratonista, que recentemente participou do training camp organizado pela Atleta Cannabis, iniciativa que reúne atletas brasileiros pacientes de cannabis.

Outro exemplo é o tenista Bruno Soares, que competirá pela terceira vez nos Jogos Olímpicos, e usa o canabidiol de várias formas. “Uso o óleo e os cremes para massagem, que têm uma capacidade anti-inflamatória muito boa de recuperação e relaxamento. As gotas me ajudam a trabalhar a tranquilidade, lidar com a ansiedade, desconectar um pouco”, afirma o atleta.

THC ainda não

“A proibição se dá porque o THC é psicoestimulante”, explica Anghinah. “O uso do THC é proibido não exatamente por que tem um risco à saúde, mas por que pode eventualmente aumentar a performance do atleta do ponto de vista de ele estar mais ligado, mais atento. Não é considerada uma medicação inócua nesse aspecto”.

Apesar disso, desde o início do ano, o uso de maconha e outras drogas sociais teve pena reavaliada pela Wada, que pode chegar a um mês de suspensão ao atleta que aceitar se submeter a tratamento. Em 2018, quando o skatista brasileiro Pedro Barros foi pego no doping por maconha, sua punição foi de seis meses suspenso.

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Torcida careta

O país sede dos Jogos Olímpicos é conhecido por sua política de tolerância zero à maconha: a posse pode render até 5 anos de prisão e multa de milhares de dólares; o comércio, até 10 anos de prisão. Antes da pandemia acabar com os espectadores nas arenas de Tóquio, o país alertava estrangeiros que pensavam em curtir uma onda por lá:

“Existem países e regiões do mundo que recentemente suavizaram as suas regras em relação ao uso de maconha. Porém, no Japão, o uso desta substância constitui uma violação da lei, e a lei será cumprida”, alertou o então presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos, Toshiro Muto.

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Por outro lado…

A história da cannabis no Japão é antiga. Fibras e sementes de cânhamo foram descobertas em restos de habitats humanos do período Jomon (10.000 a.C. a 300 a.C.), e ao o longo da história esta foi uma cultura amplamente cultivada, que desempenhou um papel significativo na vida dos japoneses. Desde o proibicionismo, há cerca de 70 anos, porém, o cultivo ocorre sob estrito controle do governo.

Saiba mais:

Cannabis, cânhamo, CBD: a paisagem japonesa da maconha

#PraTodosVerem: fotografia (de capa) mostra uma pista de atletismo, de cor avermelhada, com os riscos das respectivas faixas de cada atleta, numeradas de um a cinco. Crédito: Pixabay | Michael Gaida.

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