Chega de mimimi sobre a maconha

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Opiniões imbecis e contrárias à legalização não passam de frescura dos moralistas de plantão

A crença social mais surpreendente da atualidade é de que opiniões contrárias à legalização da maconha devem ser levadas em consideração. A nocividade dessa crença se reflete em diversas formas, como a aceitação de qualquer ideia despojada de pudor intelectual. Quando um homem médio solta urros moralistas por um mundo livre das drogas, adquire a fina estampa de cidadão de bem e consegue eleger-se para algum cargo político com mais facilidade do que outros candidatos mais capazes do ponto de vista cognitivo. A condescendência com a ignorância tem seu preço.

Quando pensamentos imbecis ganham atenção e o direito de serem tratados com respeito, as ideias mais consistentes passam a circular com extrema lerdeza pelo mundo. No minuto em que essas ideias se revelam, surge logo um fanfarrão moralista para tentar arruiná-las com gritos histéricos e justificativas vazias.

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É preciso, contudo, defender o conhecimento. A maneira mais eficiente de se fazer isso seria esganar o idiota até a morte com as próprias mãos, já que a melhor defesa, na polêmica ou na guerra, é um vigoroso ataque. Mas existe outra convenção social que considera isso uma deselegância e, desse modo, o idiota continuaria alegremente sua investida contra a inteligência, retardando o desenvolvimento da humanidade.

Efetivamente, não há nada nas opiniões moralistas que confira a elas o respeito que costumam receber. Muito pelo contrário, sempre lançam mão de argumentos cretinos, como maconha frita o cérebro, e pressupostos metafísicos, como é pecado dar uma baforada relaxante. Esse tipo de pensamento é pueril e enfadonho, um festival de asneiras. Na melhor das hipóteses, essas ideias são proferidas por pessoas verdadeiramente conservadoras e seguidoras convictas dos inúteis princípios religiosos. Na pior das hipóteses, são defendidas por oportunistas da moral, que conclamam Deus e a família enquanto cobiçam a vizinha e dão um pontapé no pedinte de rua.

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É possível perdoar um neoliberal ou um coach motivacional na suposição de que são portadores de alguma disfunção no lobo frontal, e prescrever-lhes uma lobotomia em algum hospital clandestino no sudeste asiático. Mas o moralista antimaconha é um sujeito robusto, produtivo e bem alimentado, de modo que não há motivos para imaginar que ele sofra de alguma patologia tratável e, portanto, mereça compaixão. Ele propaga a sua ladainha, não de forma cândida como um poeta ou um filósofo, mas ardilosamente, como um político ou um pastor.

O moralista da proibição se considera um cidadão de bem por que tem emprego e família, o que não o diferencia muito do homem das cavernas. O macho do período paleolítico, agachado em sua caverna e à luz de uma fogueira, também tinha esposa, filhos, deveres e responsabilidades. Apesar de não termos conhecimento de seus hábitos, o homem primitivo certamente não torturava crianças nem compartilhava sua mulher com os amigos, o que o distingue dos moralistas atuais.

Numa sociedade desenvolvida e bem estruturada, o moralista de goela estaria na enxada, arrebentando as mãos e desenvolvendo câncer de pele de dia para conseguir jantar à noite. Mas na sociedade caótica em que vivemos, temos que ouvi-lo respeitosamente do alto de sua tribuna, alcandorado ao posto de bastião do bem, da moral e dos bons costumes. Seu discurso, no entanto, não passa de mimimi.

As opiniões expressas neste artigo são do colunista que assina o texto e não necessariamente refletem a visão da Smoke Buddies.

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#PraCegoVer: Fotografia, em close, de um bud de cannabis (ganja) que exibe cores em tons de marrom e verde, em fundo escuro, que aparece nas laterais do quadro. Foto: THCamera Cannabis Art.

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Sobre Leonardo Padilha

Leonardo Padilha é advogado canabista, jornalista e especialista em educação. leonardopadilha.advogado@gmail.com
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