CBD pode aliviar medo de falar em público e levar a um tratamento melhor para o Parkinson

cbd CBD pode aliviar medo de falar em público e levar a um tratamento melhor para o Parkinson

O estudo, realizado por pesquisadores das Universidades Federal de São Carlos e de São Paulo, mostrou que o CBD (canabidiol) é eficaz na redução da ansiedade e tremores em portadores de Parkinson. Com informações do Observer e tradução pela Smoke Buddies

A glossofobia, o medo de falar em público — e sujeitar sua personalidade, processos de pensamento e valor próprio ao escrutínio enfurecido do mercado de ideias —, é uma aflição comum o suficiente para ser “tratável” tanto por intervenções farmacêuticas quanto por uma panóplia de curas ‘picaretas’.

Mais eficaz do que imaginar seu público em um estado de nudez é a terapia cognitivo-comportamental ou a medicação antiansiedade, ou — desde 2020 — que tal um pouco de CBD? Uma grande dose de CBD deve acabar com os seus problemas, sugere um novo estudo realizado no Brasil. No entanto, há uma grande ressalva: as descobertas são limitadas aos pacientes com doença de Parkinson — o que significa que as descobertas têm valor tanto para como a doença é tratada quanto para entender como o CBD atua no cérebro.

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Conforme descrito no artigo publicado no Journal of Psychopharmacology, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade de São Paulo submeteram 24 pessoas a dois “testes simulados de falar em público”, separados por 15 dias. Vinte e dois dos 24 pacientes eram homens e a maioria usava outros medicamentos, mais comumente levodopa.

Cada vez, metade recebeu 300 miligramas de CBD, a outra metade um placebo (na próxima etapa, os receptores de placebo recebiam CBD e vice-versa). Os participantes do teste tiveram seus batimentos cardíacos, pressão arterial e frequências de tremor monitorados.

E nos pacientes que receberam o CBD, tanto a ansiedade quanto os tremores — um sinal comum de Parkinson que pode ser exacerbado pelo estresse — foram reduzidos.

“Essas observações sugerem que o CBD pode ser um tratamento alternativo para pacientes com [Parkinson] e ansiedade”, escreveram os pesquisadores. “Assim, a administração crônica de CBD pode ser testada em estudos futuros”.

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Para alguns, a masculinidade do estudo pode ser problemática, mas a advertência mencionada decorre do fato de que os 24 sujeitos da pesquisa sofreram da doença de Parkinson — uma doença muito grave, mas rara, que afeta 3,3% dos adultos de 64 anos ou mais. Por que limitar uma pesquisa dessa maneira?

A ansiedade e os tremores concomitantes atingem 67% dos pacientes de Parkinson — e o principal objetivo deste estudo foi desenvolver a partir de pesquisas anteriores e descobrir se o CBD fez alguma coisa para acalmar os tremores, além de sinais mais “subjetivos” de ansiedade.

Isso é bom. Também valioso, e mais amplamente aplicável, é entender o papel do sistema endocanabinoide tanto no transtorno de ansiedade quanto no de Parkinson.

Como os pesquisadores observaram, a doença é tratada com mais frequência por medicamentos com efeitos colaterais que incluem tremores, cognição prejudicada e aumento dos riscos de quedas.

Encontrar um tratamento alternativo aos medicamentos com efeitos colaterais deletérios agregaria valor — além de descobrir alguma ligação entre a diminuição dos sintomas e os receptores endocanabinoides. Outras pesquisas sugerem que o CBD reduz a inflamação no cérebro e melhora a neuroplasticidade, ajudando, assim, a função cerebral (e, possivelmente, tratando os sintomas da doença de Alzheimer). O CBD acalmou os tremores porque acalmou a ansiedade ou fez outra coisa com os controles motores do corpo?

A resposta curta é que ainda não temos certeza. O sistema endocanabinoide, lembre-se, é a rede de receptores no cérebro e no corpo que enviam e recebem sinais que, por sua vez, regulam as principais funções, incluindo humor, apetite, sono e memória. Se o CBD teve algum efeito sobre os sinais motores desencadeados pela ansiedade, foi a “novidade” do estudo, como escreveram os pesquisadores. E, embora não haja dados suficientes para afirmar algo definitivo, os pesquisadores sugeriram que a presença de CBD pode reduzir a atividade em um receptor específico, o 5-HT1A, que, por sua vez, pode atenuar os tremores.

Atualmente, “não é possível concluir se o CBD teve um efeito direto na amplitude dos tremores ou se a redução nos níveis de ansiedade levou às diferenças observadas”, escreveram os pesquisadores.

No entanto, o benefício de um medicamento com efeitos colaterais limitados para pacientes com Parkinson e os sinais iniciais de que o CBD pode realmente desencadear funções no cérebro que reduzem os sintomas de ansiedade como tremores parecem mais do que justificar o estudo — e futuras pesquisas sobre o CBD, estão absolutamente chegando.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia que mostra a ponta (rosqueada) de um frasco de cor âmbar (parte inferior central da foto), logo abaixo da ponta de um conta-gotas inclinado, de onde sai a gota de uma substância translúcida; e um fundo desfocado de folhas de maconha. Foto: Grace Graham | Flickr.

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