Banda Caverjets defende maconha, poliamor e outros tabus

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Além de defender a legalização da cannabis e o poliamor, músicos criticam a política contaminada pela religião; banda tem expectativa de que repertório com mensagens antifascistas seja tocado na televisão. As informações são do Sala de TV / Terra

No domingo (12), o “Fantástico” exibiu matéria sobre o CBD (canabidiol), substância extraída da cannabis para uso medicinal. O programa da Globo tem discutido a temática com frequência, sempre com viés positivo aos pesquisadores e usuários. A defesa dos benefícios terapêuticos da maconha e seus derivados está na essência da banda Caverjets.

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Com influência do rock’n’roll, punk rock, rockabilly, surf music e blues, o grupo está na estrada desde 2018. O vocalista e baixista Xandão, o baterista Vitega e o guitarrista Gimme Mandrix não dissociam a música do ativismo político. “Nossas ideologias pessoais estão nas letras das músicas”, dizem em coro.

Além da legalização da maconha para fins medicinais e uso adulto, eles defendem o poliamor e contestam o modelo de casamento tradicional. Criticam a não tributação de templos (o single “Pequenas Igrejas, Grandes Negócios” é autoexplicativo) e a política contaminada pela religião.

Nosso som tem mensagem antifascista e propõe uma sociedade menos hipócrita, mais justa e igualitária em meio a esse caos sociopolítico no país, sempre com humor e deboche para tratar desses temas espinhosos”, explica Xandão, que usa o canabidiol para tratar uma dor crônica.

Aliás, o vocalista é auditor fiscal concursado do Estado do Rio de Janeiro. Foi pela experiência desse cargo público que ele teve maior consciência do impacto econômico que a legalização da cannabis proporcionaria à sociedade. “Nos Estados Unidos, houve aumento absurdo da arrecadação de impostos, redução da criminalidade e menos violência causada pela guerra contra as drogas”, argumenta.

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A defesa dessas pautas polêmicas colocou a banda na mira dos conservadores. Em 2019, na Marcha da Maconha na cidade de Campos, interior fluminense, grupos religiosos acionaram a Polícia Militar na tentativa de cancelar um show do trio. Após certa tensão, a apresentação aconteceu com o apoio de manifestantes.

Ao longo deste ano, a Caverjets lançou músicas com forte crítica à atuação do governo federal no combate à pandemia de Covid-19 no país, como “Caminhando e Matando”. “Ignoro a ciência sem pudor / Sigo negando a vacina / Te empurrando cloroquina / Mato tudo e mato todos onde eu vou”, diz trecho, com explícita referência a Jair Bolsonaro. Em “Prato do Dia”, sobra provocação à “grande massa” que teria sido manipulada e se tornado “coxinhas reaças”.

Lançado em 7 de setembro, o “dia do golpe”, o clipe de “A Grande Mentira” ataca a submissão dos políticos ao mercado financeiro, a relação promíscua entre poder e dinheiro e ainda associa o presidente da República ao 666, o famigerado “número da besta”, citado no livro Apocalipse da Bíblia.

Finalizado no início do ano passado, o primeiro álbum da banda, “Manifesto Caverjético”, teve o lançamento adiado por conta da crise sanitária provocada pelo coronavírus. Chegará finalmente às plataformas digitais no dia 14 de janeiro. Uma turnê vai acontecer seguindo os protocolos de segurança para os artistas, a equipe e o público.

O grupo de contracultura não demoniza a televisão. Diz que aceitaria se apresentar em atrações populares de TV aberta e canais mais voltados à música, como o Multishow. “A gente tocaria para ter apreciação ou causar revolta. Seja um programa com apresentador fascista ou apresentador libertário. ‘Falem mal, mas falem de mim’. Queremos ser ouvidos”, afirmam.

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#PraTodosVerem: fotografia mostra os músicos da Caverjets, onde Xandão aparece usando jaqueta preta com espinhos, Gimme Mandrix atrás de um carrinho de supermercado e Vitega segurando um guidão, à frente de uma parede pérola. Foto: Divulgação.

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