Estudo revela que uso de cannabis na gravidez pode aumentar risco da criança apresentar comportamento psicótico

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Novo estudo publicado na JAMA Psychiatry descobriu que mulheres que usam maconha após a sexta semana de gestação são mais propensas a ter filhos com impulsividade, problemas sociais e de atenção e experiências psicóticas. As informações são da Insider

À medida que a cannabis se torna mais amplamente aceita nos Estados Unidos, o uso recreativo (adulto) e médico está se tornando mais comum entre a população em geral — ainda mais entre mulheres grávidas.

O consumo autorrelatado de cannabis entre mulheres grávidas mais do que dobrou nos últimos 15 anos, aumentando de 3,4% para 7% entre 2002 e 2017. Entre a população em geral, o uso de cannabis aumentou cerca de um terço (de 6,2% para 8,4% de pessoas com 12 anos ou mais) durante o mesmo período.

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Mas um estudo recente sugere que essa tendência pode ser prejudicial para as gerações futuras, já que o uso de cannabis durante a gravidez está associado a resultados adversos na infância.

O estudo, publicado ontem (23) na JAMA Psychiatry, descobriu que as mulheres que usaram cannabis durante a gravidez eram mais propensas a ter filhos com problemas sociais, impulsividade, problemas de atenção e experiências psicóticas que podem ser preditivas de transtornos como esquizofrenia.

“Muito do trabalho anterior que examinou a exposição pré-natal à maconha examinou coisas como comportamento motor infantil, sono e peso ao nascer”, disse à Insider o autor do estudo, Ryan Bogdan, professor associado de ciências psicológicas e cerebrais na Washington University St. Louis. “Existem relativamente poucos estudos que analisaram os resultados posteriores na infância”.

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A associação foi mais forte quando as mães já sabiam que estavam grávidas

Os dados do estudo vieram do Estudo do Cérebro e do Desenvolvimento Cognitivo do Adolescente, uma pesquisa nacional com quase 12.000 crianças. Desse conjunto de dados, 655 crianças foram expostas à cannabis no período pré-natal — o que pode refletir uma subestimativa, uma vez que os dados foram autorrelatados.

A partir daí, os autores do estudo sobre o uso de cannabis agruparam os dados em uma coorte de crianças que foram expostas antes que suas mães soubessem que estavam grávidas e aquelas cujas mães continuaram a usar cannabis depois de saberem que estavam grávidas. Também descartaram variáveis ​​como história familiar de psicose, nível socioeconômico e uso de tabaco ou álcool durante a gravidez.

Com esses fatores contabilizados, permaneceu uma associação entre psicopatologia infantil e uso de cannabis após o conhecimento da gravidez.

“Uma das coisas interessantes sobre isso é que o tempo que levou para as mães descobrirem que estavam grávidas neste estudo foi de cerca de sete semanas, o que corresponde aproximadamente a quando os receptores endocanabinoides tipo 1 são expressos pela primeira vez no cérebro“, disse Bogdan.

Esses são os receptores aos quais o tetraidrocanabinol, o composto psicotrópico da cannabis, se liga e se desenvolvem por volta das seis semanas de gestação, explicou.

Embora o estudo tenha encontrado uma associação em vez de uma relação causal entre o uso de cannabis e os resultados na infância, Bogdan disse que se houvesse um impacto causal a ser explorado em pesquisas futuras, provavelmente ocorreria depois que esses receptores se formam no feto.

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Com base nessas descobertas, mulheres grávidas não devem usar cannabis

O próximo passo seria explorar os efeitos da exposição pré-natal à cannabis no desenvolvimento infantil em estudos com animais, ou comparar as relações entre irmãos em que a mãe usou cannabis durante a gravidez de um filho, mas não na do outro, disse Bogdan.

Nesse ínterim, ele recomenda que as mulheres grávidas não usem cannabis e que os médicos e dispensários desencorajem o uso de cannabis durante a gravidez. Isso é consistente com as recomendações do US Surgeon General e da Faculdade Americana de Obstetrícia e Ginecologia.

Bogdan disse que está particularmente esperançoso de que os resultados do estudo levem as mulheres que usam cannabis durante a gravidez a mudarem seus hábitos após a marca de seis semanas de gestação.

“Acho que temos uma tendência a dizer: ‘Bem, o feto já está exposto, então posso continuar usando’, mas o estudo sugere que exista uma base adicional para parar”, disse Bogdan.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia que mostra as mãos, com esmalte azul-claro, de uma pessoa que está de frente para a câmera e segurando um pipe verde em formato espiral contendo erva e um isqueiro. Foto: Needpix.

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