Cannabis interrompe progressão de esclerose lateral amiotrófica em idosa

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A senhora, hoje com 73 anos, percebeu as melhoras no quadro em pouco mais de uma semana após o início do tratamento. As informações são do portal Cannabis & Saúde

Quando dona Valda Alves foi diagnosticada, a família não se conformou em se ater ao tratamento tradicional. Ela tinha esclerose lateral amiotrófica (ELA). A doença é degenerativa, sem cura e afeta movimentos, fala e funcionamento dos órgãos. O filho farmacêutico, Luciano Alves, explica: “a doença causa a degeneração da bainha de mielina, que é o revestimento dos neurônios, causando perda de movimentos”. Ele decidiu partir em busca de uma alternativa.

Apesar da gravidade, a doença de dona Valda tem uma forma leve, o que fez o diagnóstico demorar bastante. As primeiras quedas foram em 2014. Valda trabalhava como voluntária na Santa Casa de Campo Belo, no sul de Minas Gerais. Ela e as amigas eram voluntárias, levando chá e solidariedade aos pacientes. Na volta do trabalho, caiu pela primeira vez: “a perna sumia”, conta. Depois do terceiro tombo, o filho Alves saiu em busca de um diagnóstico.

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Os primeiros passos

Foram três anos de médico em médico. Primeiro foi o neurologista da cidade, que não tinha os aparelhos certos para diagnosticar. Foram até Belo Horizonte, em viagens de mais de duzentos quilômetros, que eram penosas para Valda. Levou três anos para receberem o diagnóstico certeiro, após uma consulta em um centro de referência em doenças neurológicas. Lá, eles ficaram por quinze dias fazendo todos os exames possíveis.

Valda tinha ELA, e na época estava com 70 anos. Alves conta que a notícia foi dada com a presença de psicólogo e fisioterapeuta, não é uma notícia fácil de absorver. Apesar do impacto, ele conta que a força da família veio da própria Valda: “Sei que é difícil, mas essa doença não vai me derrubar”, ela disse.

Como o centro não acompanha pacientes com ELA, voltaram a Campo Belo, onde vivem. E iniciaram os tratamentos com fisioterapeuta, fonoaudiólogo, pneumologista, nutricionista, e com o medicamento próprio para desacelerar a progressão da doença: o Riluzol, distribuído pelo SUS.

Tratamento complementar

Mas a família unida não se satisfez com o paliativo. Queriam alternativas para frear a doença e melhorar a qualidade de vida da matriarca. Uma prima deu um toque sobre os efeitos positivos da cannabis medicinal. Interessado, ele pesquisou por algumas semanas e procurou um amigo que trabalha na Anvisa. Com o contato de um médico em Brasília, Alves aprendeu o que faltava sobre os tratamentos e a cannabis. Foi esse médico que indicou Ailane Araújo, médica integrativa e prescritora de cannabis em São Paulo.

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Alves conversou com ela pela internet no fim de 2018, e já pediu o tratamento com cannabis. No início de 2019, fizeram a primeira consulta virtual com Ailane. A médica pediu extensos e compreensivos exames, analisou mais de 200 alimentos diferentes que Valda consumia, os níveis hormonais e minerais — e já receitou a cannabis: um blend com 6% de CBD e 2% de THC, que Alves importou.

Valda tinha dores no corpo todo, não dormia bem e começava um processo de depressão. Ela começou a tomar o óleo em seu aniversário no dia 31 de outubro de 2019: “foi o presente de aniversário dela”, conta, num sorriso, Alves. Em pouco mais de uma semana, as dores tinham desaparecido. Em um mês, ela atingiu um sono perfeito.

Mais mudanças

Não foi só isso, no entanto, que Ailane mudou na vida da família: com os exames, ela também prescreveu vitaminas, minerais, reposição hormonal. E mudou a dieta de Valda e, por consequência, da família toda, que cortou farinha de trigo e milho, e substituiu o leite de vaca pelo de búfala e cabra.

“Imagina tirar o leite do mineiro”, se diverte Alves. Passaram a consumir o leite de búfala e de cabra. Alves conta que a família toda acabou ajustando a dieta para apoiar Valda. O pai cozinha, os irmãos e esposas fazem biscoitos e levam para a mãe. Quando alguém acha um agrado para Valda, ligam para Alves: “esse chocolate vegano pode?”. Se Alves aprova, Valda ganha. Ela gosta do paparico.

Efeito Cannabis

Hoje, Valda toma apenas três alopáticos: o remédio para tireoide, o Riluzol e um antidepressivo, que auxilia nas dores que a ELA causa. A cannabis é um adjuvante dos tratamentos, ou seja, uma substância que aumenta a eficácia de outros medicamentos. É tomada junto com vitaminas e minerais. Alves conta que já conseguiram desmamar alguns alopáticos, um esforço que Ailane faz com seus pacientes.

Valda completará um ano de tratamento de cannabis, e Ailane pediu o acréscimo de um isolado de CBD. Alves entende o motivo: “o leite materno tem uma substância muito parecida com o CBD, que atua na preservação da bainha de mielina”, explica. Ele se alegra ao ver a mãe voltar a sorrir, sem dor, tranquila.

Ela manteve as sessões de fisioterapia, e exercícios com o andador, feito pelo marido. Ela caminha e faz seus exercícios respiratórios. Alves lembra que a doença é degenerativa, então entende que há dias em que a voz da mãe está mais fraca. Sem qualquer efeito colateral, ele se alegra que tenham conseguido estagnar a piora do quadro da mãe: “se chegar aqui e estiver de baixo-astral, é pé na bunda”, ele ri.

Só Valda usa o óleo na família. Uma vez que ELA não é hereditária, o foco da família toda está nela. Mas Alves conta que indica para quem precisar: a prima da prima é mãe de autista. Recebeu sua indicação, já fez a consulta, tomou a cannabis e já viu melhora significativa.

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#PraCegoVer: em destaque, foto em vista superior que mostra um bud de maconha circundado por gotas amarelas que formam um coração e entre um conta-gotas preto contendo um líquido marrom e um frasco cor âmbar, sobre uma superfície branca. Foto: Sherpa SEO | Wikimedia Commons.

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