A cannabis e a saúde

 A cannabis e a saúde

O uso de cannabis faz mal aos pulmões? Quais os riscos relacionados ao uso contínuo? E em relação ao câncer, o que se sabe? A Bem Bolado Brasil aborda estas e outras questões entre maconha e saúde no texto a seguir, confira

Primeiro, nossos pulmões.

Em um estudo do JAMA (The Journal of the American Medical Association), que avaliou 20 anos de dados, pesquisadores mostraram a relação entre o uso da maconha e a redução das funções do pulmão em usuários frequentes, aqueles que em média fumam um cigarro de maconha por dia, por 10 anos. Aqueles que fumaram menos do que isso mostraram um aumento das funções do pulmão ou nenhuma mudança comparado ao grupo controlado de não fumantes.

A grande maioria dos usuários de cannabis são os chamados “fumadores de fim de semana” que fumam apenas algumas vezes no mês, muito parecido com o jeito que muitas pessoas consomem álcool. Para a maioria dos usuários que não fuma maconha diariamente, não se nota nenhuma diferença nos pulmões com o passar do tempo. Já para os maconheiros de coração, usuários diários num período de 10 anos, após alcançar um certo ponto se inicia um declínio na capacidade dos pulmões.

Uma dica é variar entre bong, pipes ou objetos que filtrem a fumaça de alguma forma. E usar filtros sempre!

Existem diversas pesquisas sobre os efeitos da maconha no cérebro, muitas delas se contradizem no mesmo assunto, então vamos falar de duas conclusões que são praticamente unânimes em todas elas:

Primeira: A maconha pode prejudicar o desenvolvimento do cérebro se for usada antes dos 19 anos de idade, especialmente se você é muito jovem, 13, 14 anos, você realmente estará colocando em risco o desenvolvimento do seu cérebro. Ou seja, quanto mais você esperar para experimentar maconha, melhor para o seu cérebro. Então, evite antes dos 19 anos de idade.

Segunda: Não fume maconha na gravidez. Apesar disso parecer óbvio, tenha muito cuidado com o que você está colocando em seu corpo quando você está grávida. Se você fuma maconha, considere dar uma pausa durante o tempo de gestação. Você garante a saúde do seu bebê e depois ainda pode acender seu cigarro da felicidade para comemorar o nascimento 1f609 A cannabis e a saúde

Maconha e cérebro são áreas que necessitam de mais estudos, o que já ocorre agora que a droga está sendo amplamente liberada para esses estudos. É possível encontrar pesquisas com resultados completamente opostos. Uma de 2003 reivindica que pesquisadores encontraram uma pequena diferença nos níveis de memória e Q.I. em usuários de maconha. Outra, aplicada em ratos de laboratório, concluiu que a cannabis tem sido um catalisador da Neurogênese, o crescimento de novas células cerebrais.

Existem vários artigos que explicam isso mais profundamente, um deles realizado pelo Children’s Oncology Group https://www.jstor.org/stable/29736508

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USO CONTÍNUO E O RISCO À SAÚDE

Os efeitos da maconha na cognição dependem da personalidade do usuário. Um estudo mostrou que, enquanto os usuários mais introvertidos (quietos, pessoas envergonhadas, que tendem a ter um círculo próximo de amigos) se tornam mais introspectivos, o efeito nas pessoas mais “soltas” tende a ser mais direto: elas simplesmente se comportam com o estereótipo do “chapado”, sempre com fome e na brisa.

Em outras palavras, pessoas mais cheias de ideias tendem a ter uma experiência mais profunda e pensativa com a maconha, e as pessoas mais extrovertidas parecem experimentar efeitos mais superficiais como fome, vontade de rir, relaxamento…

Por terem uma experiência mais profunda com o uso da cannabis, usuários com essa personalidade introvertida têm um risco maior de desenvolver algum tipo de condição psicológica, se já houver relato de casos na família. Em outras palavras, se você tem algum precedente de desordem psicológica na família, como esquizofrenia, por exemplo, existe uma chance da maconha ampliar o risco de você possivelmente desenvolver também.

É algo a se considerar se você é um usuário frequente de cannabis, você deveria falar sobre isso com um profissional médico. É claro, que num país onde a maconha ainda é proibida, a busca por uma simples ajuda é muito mais difícil.

Apesar do senso comum, de que a maconha causa depressão, um estudo publicado pela American Sociological Association na realidade não encontrou relação entre o uso da maconha e depressão. É mais provável que pessoas depressivas que usam maconha já tenham predisposição para se tornarem depressivas (o que é relativamente esperado, observando que a depressão é a doença mental mais comum do mundo).

Maconha é uma das substâncias menos viciantes do mundo.

Menos que o café, menos que a nicotina, tabaco e muitas outras drogas consideradas ilegais. Por volta de 10% dos usuários desenvolvem dependência psicológica na maconha, comparado aos 15% da cafeína e porcentagens muito maiores em outras drogas. As pessoas mais propensas a se tornarem viciadas psicológicas em maconha são aquelas que fumam como forma de tapar algum problema em suas vidas.

Dito isto, a dependência em cannabis é como qualquer outro tipo de dependência, como por exemplo vício em games. Existe um debate amplo sobre a possibilidade de se tornar viciado em games. Aqueles que argumentam ser impossível se viciar em games dizem que é apenas um video game, que estão apenas desenvolvendo uma dependência em games e que isto é menos problemático que muitas drogas pesadas.

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O SEGREDO É A MODERAÇÃO

Podemos usar essa mesma analogia com a maconha: você não pode se tornar dependente físico, mas se você passar o dia fumando vai ser difícil criar motivação para parar. O segredo aqui é moderação, mesmo se você quiser fumar o dia todo, tenha certeza de cumprir as responsabilidades antes de F1. Não deixe de fazer as coisas.

Para a maioria dos usuários, a maconha não prejudica os pulmões. Apenas os usuários frequentes apresentam algum sinal negativo nas funções do pulmão.

Fumar ANTES do desenvolvimento cerebral completo (19 anos) irá prejudicar o seu cérebro e pode resultar em problemas cognitivos mais tarde. No entanto, para a maioria dos adultos, usuários ocasionais, não existe ligação entre maconha e redução de habilidades cognitivas.

Uma regra geral: se você tem parentes que possuem algum tipo de doença mental, como esquizofrenia, mantenha-se ligado na quantidade de maconha que você usa e como você se sente. Não sinta-se impedido de conversar com um médico pelo menos uma vez sobre o assunto. Para a maioria das pessoas, entretanto, a maconha não apresentou riscos de causar problemas mentais, como a depressão.

A maconha tem 1 em 10 chances de causar dependência
fonte:  http://www.jstor.org/stable/2136800

MACONHA E CÂNCER

Maconha não causa câncer. Múltiplos estudos mostram que se você colocar células cancerígenas e não cancerígenas em contato com o THC (substância existente na cannabis) ele impede a reprodução das células cancerígenas.

Existem estudos que analisaram dados hospitalares e não encontraram relação entre o uso da maconha e desenvolvimento de células cancerígenas, pelo contrário!

Esperamos que essas informações sejam úteis para um uso consciente e usuários mais informados sobre sua saúde e o direito de liberdade sobre seu corpo.

Poww!

Refs:
https://www.jstor.org/stable/2136800
http://www.jstor.org/stable/3552780
https://www.sedaemcasa.com.br/tudo-o-que-voce-queria-saber-sobre-os-atuais-efeitos-da-maconha-na-saude

Leia também:

Você sonha menos quando vai dormir depois de F1?

#PraTodosVerem: imagem de capa traz, no fundo, o desenho de uma folha de maconha, em verde, e fundo em outro tom da mesma cor. Em primeiro plano, a frase ‘cannabis e a saúde’, em branco, assim como a marca Bem Bolado. A mesma frase se repete em preto, envolvendo a primeira. Crédito: Divulgação.

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