Cannabis: confira três diferentes formas de consumo

cannabis diferente formas de consumir capa Jonas Tavares Thcameraphotography Cannabis: confira três diferentes formas de consumo

Aprenda sobre a variedade de métodos disponíveis para o consumo de cannabis e escolha quais podem funcionar melhor para suas intenções

A cannabis é uma planta milenar e extremamente versátil em seus vários aspectos de usos, que vão desde a nutrição — com sua riqueza de proteínas e baixa caloria, a maconha é considerada um superalimento, e possui nove aminoácidos essenciais que não são produzidos pelo organismo humano e, por isso, precisam ser ingeridos na alimentação — aos fins industriais de suas fibras, passando pelos benefícios terapêuticos dos canabinoides e o uso adulto, como uma substância psicotrópica cobiçada por muitos em todo mundo, desde sempre.

E sobre o uso adulto é que mostramos abaixo que a cannabis pode ser usada de mais maneiras do que simplesmente fumar um baseado — cigarro de maconha. Os métodos de entrega são considerados importantes para usuários em busca dos benefícios terapêuticos, bem como para aqueles que usam socialmente*, legalmente ou não.

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Aprenda sobre a variedade de métodos disponíveis e escolha quais podem funcionar melhor para suas intenções. Mas tenha em mente que a obtenção dos benefícios físicos e mentais da cannabis depende muito da qualidade do produto — sempre que possível, opte por flores in natura e fuja dos prensados de baixa qualidade e origem duvidosa — e como é consumido, cada método fornece uma experiência única e uma série de efeitos.

Existem três métodos básicos de administração: inalação, oral e tópica. Sob esses métodos, existem várias técnicas que servem a funções exclusivas, cada uma apropriada para diferentes ocasiões.

INALAÇÃO

Quando a cannabis é inalada, os gases entram nos pulmões antes de serem absorvidos pela corrente sanguínea. Atualmente, existem dois tipos predominantes de métodos de inalação: fumar e vaporizar.

Esse antigo hábito é o método mais comum associado ao consumo de cannabis e existem diferentes formas das pessoas fumarem. Os efeitos associados ao ato de fumar são amplamente debatidos, mas os profissionais de saúde concordam que os métodos sem fumaça representam menos riscos e são terapeuticamente preferidos.

Os fumantes de cannabis possuem uma grande variedade de dispositivos à sua disposição, incluindo os bongs, pipes, sedas, vaporizadores e apetrechos caseiros de uso único. Cada um destes mecanismos fornece experiências diferentes e influencia o grau de fumaça inalada.

A reação após a inalação é muito rápida e dentro de segundos ocorre a entrega dos canabinoides ao sistema endocanabinoide com extrema eficiência. Os efeitos atingem o pico em trinta minutos e diminuem em 1 a 3 horas após o consumo. O ponto contra fica na fumaça gerada pela queima de papéis e não é recomendada a pessoas com sistema imunológico comprometido ou problemas pulmonares, que devem considerar outros métodos de consumo.

BONG
Apetrecho para consumo de cannabis e outras ervas que consiste em um tubo vertical, geralmente de vidro, com um reservatório de água, em sua base, e uma peça removível, onde se coloca o fumo para combustão; a fumaça resultante passa através da água, com o intuito de ser esfriada, e é inalada pela ponta do tubo. Em geral, os bongs são feitos de vidro e silicone e possuem uma variedade de estilos e designs.

Os benefícios à saúde associados à filtragem da fumaça na água ainda são poucos estudados, apesar da água resfriar a fumaça, ainda não se sabe se ela atua como um filtro eficaz para os componentes nocivos.

PIPES
É um acessório similar a um cachimbo (o avô dos pipes) que dispensa o ato de apertar um baseado, podendo ser de vidro, metal ou silicone. Pequenos, portáteis e simples de usar, os pipes, como os bongs, estão disponíveis em inúmeras formas e estilos criativos, tanto para decoração quanto para funcionalidade. Os que usam água para resfriar a fumaça são chamados de bubblers.

SEDAS
O papel para enrolar, mais conhecido como seda, é provavelmente o apetrecho utilizado na forma mais comum de fumar entre os consumidores brasileiros e de várias partes do mundo, devido à sua conveniência em termos de quantidades de folhas — em geral de 30 a 35 unidades por livreto — e preço. O chamado baseado consiste em flores secas de cannabis trituradas e enroladas em papéis, no formato de cigarro, cuja composição é oriunda de uma variedade de plantas, como arroz, bambu, cânhamo e tabaco.

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#PraCegoVer: fotografia que mostra uma porção de maconha triturada, colocada sobre um papel de seda aberto, em uma superfície lisa de cor amarela. Foto: thcameraphoto.

VAPORIZADORES
Os vapes ou vaporizadores são a escolha lógica para consumidores de cannabis moderados a experientes e/ou preocupados com a saúde. Um vaporizador aquece constantemente a erva a uma temperatura alta o suficiente para extrair THC, CBD e outros compostos, sem produzir as toxinas potencialmente nocivas que são liberadas na queima do baseado, por exemplo. Essencialmente, a vaporização minimiza os riscos à saúde associados à inalação, substituindo a fumaça por vapor. Essa redução de danos no consumo acompanha uma redução igualmente significativa no odor, que geralmente são os primeiros fatos identificados por usuários iniciantes de vaporizadores. Existe um mercado diversificado de modelos de vapes que se expande à medida que a tecnologia avança.

Conforme o mercado de vaporizadores cresce, desenvolvem-se as características de durabilidade, eficiência e qualidade dos modelos portáteis, que geralmente ficam além dos modelos fixos (que exigem um ponto de energia elétrica e são mais robustos).

A forma do produto, como os concentrados e óleos derivados da cannabis, é um detalhe importante na hora de se escolher um modelo de vaporizador. Muitos vapes já possuem a opção para consumo de extratos e óleos e em alguns deles basta-se apenas trocar a câmara interior onde vai o produto a ser consumido.

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#PraCegoVer: fotografia em vista superior de um vaporizador em forma de bastão, de cor rosa com bocal preto, ao lado de um bud de maconha, sobre uma superfície amarela. Foto: thcameraphoto.

APETRECHOS CASEIROS DE USO ÚNICO
Claro que na ausência dos itens acima, o método de uso ficará por conta da criatividade de quem for consumir e isso inclui dispositivos descartáveis para fumar cannabis, que podem ir de guardanapos, folhas da bíblia, garrafas ou latas de alumínio, palha de milho e até finas películas retiradas do caroço seco de manga, ao uso de frutas como maçãs que fazem a função de um pipe. Mas atenção, os efeitos à saúde associados a esses métodos são variáveis e arriscados, já que dependem do que o apetrecho é feito. Por exemplo, ao utilizar papéis impressos a pessoa estará ingerindo também a química que compõe a tinta de impressão.

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#PraCegoVer: fotografia de uma concha do mar de cor creme com extremidades espiraladas e, sobre sua cavidade, um bud de cannabis, em uma superfície amarela. Foto: thcameraphoto.

INGESTÃO ORAL

Brisadeiros e brownies canábicos existem há décadas, mas atualmente a cannabis está sendo adicionada a muitos tipos de alimentos e bebidas. A venda e o consumo de comestíveis — ou ‘edibles’ em inglês — estão cada vez mais em alta, principalmente por quem busca as propriedades terapêuticas dos canabinoides sem a inalação de fumaça.

A administração oral inclui todos os métodos de uso administrados pela boca, incluindo, além dos comestíveis e bebidas infundidas com cannabis, as tinturas (mais conhecidas como extratos concentrados). Na maioria das vezes, assumimos que o consumo oral denota a ingestão pelo trato digestivo antes de entrar na corrente sanguínea, mas esse nem sempre é o caso. Os óleos e extratos concentrados são essencialmente uma aplicação tópica que é administrada pela boca e são imediatamente absorvidos pela corrente sanguínea, ao contrário dos comestíveis e bebidas infundidos com cannabis.

A ingestão de comestíveis e bebidas deve ser cuidadosa, pois, diferentemente do método de inalação, após o consumo pode demorar de alguns minutos a horas para começar a sentir-se os efeitos, dependendo do metabolismo da pessoa que consumir e se foi ingerido ou não em jejum, o que acelera a absorção. Os efeitos podem durar de 4 a 12 horas e alguns efeitos residuais podem durar até 24 horas após o uso.

O THC, quando ingerido, é transformado pelo corpo em um composto mais forte chamado 11-hidroxi-THC. Para minimizar os riscos, ou se você é um consumidor novo, procure produtos que contenham até 2,5 mg de THC, lembrando que pode levar até 4 horas para sentir-se todos os efeitos e consumir mais nesse período pode aumentar o risco de efeitos adversos. Tenha cuidado ao comer ou beber produtos infundidos que contenham mais de 10 mg de THC.

COMESTÍVEIS E BEBIDAS

Como observado acima, comer ou beber alimentos infundidos com cannabis fornece efeitos significativamente diferentes dos métodos de uso que entram diretamente na corrente sanguínea, como fumar ou vaporizar. Os comestíveis podem ser definidos como qualquer alimento que contenha cannabis, independente dos canabinoides serem biodisponíveis ou não.

Os comestíveis podem ser feitos de várias maneiras dependendo do prato. Na maioria das vezes, os alimentos são infundidos com um ingrediente base com alto teor de gordura — como manteiga ou azeite. A diversidade de comestíveis canábicos se expandem rapidamente, tanto que qualquer coisa que contenha manteiga ou óleo pode ser infundida e você pode fazer sua base canábica em casa, já que é surpreendentemente fácil, mas tenha cuidado com a dosagem.

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#PraCegoVer: fotografia que mostra um biscoitos redondo, de cor marrom-claro, encostado em uma pilha de outros quatro e, próximo aos mesmos, dois buds de maconha, sobre uma superfície amarela que se confunde com o fundo. Foto: thcameraphoto.

TINTURAS – ÓLEOS – EXTRATOS CONCENTRADOS

As tinturas, produtos de textura mais pastosa que os óleos, são feitas a partir da extração dos canabinoides e usada por consumidores que buscam controle de dosagem e efeitos de ação rápida sem os riscos associados ao fumo. Mais comumente, o álcool é usado como solvente, mas outros líquidos solúveis em gordura também podem ser usados, como vinagre e glicerol. Com administração sublingual, os canabinoides vão diretamente para a corrente sanguínea, diferente do método de uso com alimentos, que antes necessitam passar pelo estômago e fígado.

A absorção é mais rápida do que com os comestíveis, mas não tão rápida quanto a forma inalada. Efeitos completos geralmente são sentidos de 15 minutos a 1 hora.

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#PraCegoVer: fotografia de um frasco conta-gotas de cor âmbar e tampa preta e, à sua frente, um bud de cannabis, sobre uma superfície amarela que se confunde com o fundo. Foto: thcameraphoto.

USO TÓPICO

A administração tópica utiliza extrato full spectrum de cannabis, ou seja, um extrato que contém todos os canabinoides. Essa forma de uso exige que o extrato passe pelo processo de descarboxilação (utilizando-se calor), onde os canabinoides são ativados para, então, poderem ser absorvidos pela pele.

Os efeitos tópicos diferem de outros métodos de medicação, pois não fornecem a estimulação cerebral que os usuários descrevem como ‘onda’, que são os efeitos psicotrópicos. Por esse motivo, os tópicos são apropriados para consumidores que precisam de um alívio localizado como, por exemplo, dores musculares, inflamações localizadas, fraturas ósseas, doenças de pele, cãibras e enxaquecas.

Os efeitos dos adesivos transdérmicos, loções, pomadas e outras preparações enriquecidas com cannabis iniciam-se entre cinco minutos a duas horas e podem ter duração superior a 12 horas.

*Uso social: expressão que se refere ao consumo de uma substância, geralmente psicoativa, como álcool ou outras drogas, em situações de lazer e entretenimento.

Referencias: Very Well Health / Safe Cannabis Use / Leafly / Leafly / Canada.ca / Smoke Buddies

#PraCegoVer: em destaque, fotografia que mostra a ponta de um baseado, ao centro e na vertical, onde vê-se a flor, em tons de laranja e roxo, transbordando a seda, e um fundo amarelo. Foto: thcameraphoto.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.
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