Cânhamo pode ser a próxima grande novidade em combustível e plástico sustentáveis?

canhamo plantacao Cânhamo pode ser a próxima grande novidade em combustível e plástico sustentáveis?

Praticamente todas as partes da planta do cânhamo podem ser usadas: a fibra externa do caule pode produzir têxteis e cordas, enquanto seu núcleo é usado para papel, construção e até guitarras. Saiba mais com as informações da Forbes e tradução pela Smoke Buddies

Desde que países como os EUA e a Austrália suspenderam a proibição do cultivo de cânhamo, uma revolução está se formando.

Os inovadores estão tomando o desafio de cultivar esta planta versátil para um pot-pourri de materiais biodegradáveis, incluindo polímeros plásticosmateriais de construçãotecidosmadeirabiocombustívelpapel e até componentes para automóveis.

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Isto não é novo. A fibra do cânhamo industrial (Cannabis sativa) — da mesma espécie que a sua prima maconha, mas sem o THC que altera a mente — tem sido usada há milhares de anos para fazer papel, corda, tecido e combustível.

Embora ainda usado na China e na Europa, o cânhamo saiu de moda, em geral, porque foi proibido e substituído por plástico, algodão, combustíveis fósseis e outros produtos lucrativos. Mas como os danos à Terra atingiram proporções de crise, a raça humana começou a produzir alternativas sustentáveis.

O cânhamo é um tipo de maconha, por isso cresce prolificamente com pouca água e sem pesticidas. Ocupa relativamente pouco espaço, produz mais celulose por acre do que as árvores e é biodegradável. As culturas de cânhamo até retribuem devolvendo nutrientes ao solo e sequestrando dióxido de carbono.

Praticamente todas as partes da planta podem ser usadas. A fibra externa do caule pode produzir têxteis, telas e cordas, enquanto seu núcleo lenhoso — hurd — é usado para papel, construção e camas de animais. Não deve ser esquecido, as sementes são ricas em proteínas, fibras, gorduras ômega-3 e outros nutrientes. Seu óleo pode ser usado para tintas, adesivos, culinária e plásticos. Até as folhas podem ser comidas e usadas para fazer suco.

Leia: No Canadá, construtores estão trocando cimento por hemp

Morris Beegle, cofundador e presidente da WAFBA (We Are For Better Alternatives) [Estamos por melhores alternativas, em tradução livre], é um firme defensor do cânhamo industrial.

Ele é apaixonado pela substituição de práticas agrícolas insustentáveis. “A agricultura industrial é um dos maiores impulsionadores, talvez até o maior, das mudanças climáticas”, diz ele.

“O cânhamo é uma colheita agrícola mais sustentável, orgânica e regenerativa, e quase tudo que você pode fazer com algodão, soja ou milho pode ser feito com cânhamo — com muito menos impacto na Terra.”

Beegle montou sua empresa de cânhamo em 2012 e lançou a NoCo Hemp Expo, que cresceu e se tornou a maior do mundo.

Com uma empresa de merchandising chamada TreeFreeHemp, Beegle produz uma vasta gama de produtos personalizados, incluindo papel, cartões de visita, folhetos, pôsteres, capas de CD e DVD e muito mais. Com base em sua experiência na indústria da música, ele produz até guitarras personalizadas, usando cânhamo para o corpo, correias, palhetas e botões de volume.

“É meio que uma novidade”, diz ele, “mas, ao mesmo tempo, é uma peça educacional, usando toda a gama de ferramentas para mostrar que, ei, o cânhamo pode fazer todas essas coisas”.

Outro líder na indústria do cânhamo é Paul Benhaim. Ele fez incursões com as ricas qualidades nutricionais da planta através da Hemp Foods Australia e Elixinol — que também vende produtos cosméticos.

Benhaim se ramificou em plástico de cânhamo, com o objetivo elevado de “continuar a crescer como o maior fabricante de Plástico de Cânhamo do mundo”, fornecendo polímeros de plástico a preços competitivos para substituir os materiais à base de petróleo.

Segundo Beegle, Benhaim e seu parceiro, Kevin Tubbs, eles planejavam processar 22,5 toneladas de plástico de cânhamo até o final do ano passado. “É uma gota no balde para o consumo mundial de plásticos”, diz ele, “mas é importante para a indústria do cânhamo, porque é mais do que alguém jamais conseguiu fazer até agora, e ele tem uma tecnologia bastante interessante que será lançada ao mundo nos próximos anos”.

Atualmente, existem menos de um milhão de acres de cânhamo crescendo em todo o planeta. Beegle vê isso começando a crescer exponencialmente nos próximos cinco a 20 anos. “Acho que não há como parar isso agora”.

No ano passado, previa-se que o mercado global de cânhamo industrial chegasse a US$ 10,6 bilhões até 2025, segundo a Grand View Research. Espera-se que sua taxa de crescimento anual composta cresça 14% nesse período, em grande parte impulsionada pelas qualidades nutricionais e cosméticas da planta.

“Mas não precisamos que o cânhamo se transforme em outra monocultura, que seja OGM (organismo geneticamente modificado), sendo pulverizada e cultivada convencionalmente em todo o planeta e faça a mesma merda que todas as outras culturas”, diz Beegle.

“Queremos que o cânhamo seja o comissário da agricultura.”

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) preenchida quase em sua totalidade por uma enorme plantação de cânhamo, verdinho e vistoso, que divide a linha do horizonte com a estreita faixa de um céu branco e ensolarado. Foto: Vote Hemp.

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Sobre Smoke Buddies

A Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. https://www.smokebuddies.com.br
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