“Cânhamo gera mais empregos e opções de desenvolvimento que a cannabis medicinal”

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Segundo o cultivador Fernando de Saavedra Coria, que falou ao Industria Cannabis sobre a situação legal da cannabis na Argentina e os benefícios econômicos que a planta pode oferecer além do setor medicinal

Fernando de Saavedra Coria vive em General Pico, na Argentina, e atualmente desenvolve uma proposta de cultivo de maconha na província de La Pampa. Em diálogo com o Industria Cannabis, ele destacou os benefícios econômicos que o cânhamo pode trazer para o país.

Fernando “Peñi” de Saavedra Coria nasceu e foi criado no município de General Pico, La Pampa. Recentemente, se juntou à Pacha Grow Shop, mas durante dez anos esteve ligado à indústria da cannabis e do cânhamo. Ele viajou para a Califórnia, EUA, onde participou do processo de cultivo, colheita e pós-colheita. Além disso, desenvolve projetos relacionados a hortas agroecológicas e é sócio do Proyecto Cáñamo Argentina.

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#PraCegoVer: fotografia em primeiro plano de Fernando de Saavedra Coria que, vestido com uma regata cinza, aparece próximo a uma cerca viva de flores roxas.

“Descobrir o cânhamo e compreendê-lo foi uma revolução”, disse ele ao Industria Cannabis. “Eu vi, especialmente nos últimos quatro anos, a legalização do cânhamo que foi gerada no nível federal pelo impulso do setor agrícola para separar o cânhamo da cannabis”.

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Ele adverte, entretanto, que a experiência californiana não pôde ser replicada na Argentina devido às grandes diferenças que existem no desenvolvimento de um lugar e de outro. “Há um longo intervalo de tempo entre o que foi feito lá desde os anos 1960 até hoje e o que está aqui, então copiar modelos parece um pouco difícil para mim, porque eles aprovaram muitas emendas em sua legislação. E aqui vai acontecer a mesma coisa, ano após ano haverá mudanças na legislação, ela está sendo constantemente regulamentada e alterada”, disse.

Na Argentina, “temos que nos informar sobre os diferentes sistemas que hoje operam no mundo e aí tirar a nossa própria conclusão. A educação é essencial. O que for feito aqui e em outros países tem que ser reforçado pela educação”, afirma “Peñi” de Saavedra Coria, em relação às dúvidas que existem sobre as diferenças entre a cannabis e o cânhamo, bem como os objetivos da produção. Durante este ano, ele apresentou a várias autoridades de General Pico um projeto sobre a cannabis medicinal e o cânhamo industrial, que qualificou como “uma porta de entrada para o assunto”, já que apresenta uma possibilidade de desenvolvimento local e regional.

A este respeito, realça que a cidade pampeana “tem várias características que tornam viável a cultura do cânhamo”, como faculdades de medicina veterinária, engenharia e agronomia. “Temos um laboratório farmacêutico nacional instalado em uma zona franca, aeroporto, trens, terras. O que falta é treinamento e compreensão sobre o assunto”. Quanto às modalidades de lavouras possíveis em La Pampa, Saavedra Coria indicou que para o cânhamo “as lavouras ao ar livre podem ser cultivadas da primavera ao outono” e que a província “tem terras férteis para cultivar em campo aberto”. Entretanto, para a cannabis medicinal, “pelo controle e segurança do produto”, a opção de cultivo em interior ou em estufa é a mais viável.

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No que se refere à área jurídica, Saavedra Coria destacou que “o cânhamo é mais fácil de regular, pois não tem alta presença de THC” e que “o Estado não deve ter medo de o fazer”. Ao mesmo tempo, alertou que atualmente “o medicamento é o que tem prioridade e o Estado está se concentrando nisso e não nos outros usos da maconha. Eles não podem fazer isso agora, mas há a intenção de uma forma”.

Em relação aos elementos que compõem o marco produtivo, ele destacou que para “quem se dedica à produção do cânhamo, primeiro vem o medicinal, depois a fibra, depois a celulose e os alimentos. Nessa ordem está a demanda internacional, nós aqui na Argentina não temos essa demanda para o mercado local. Isso precisa ser gerado e estimulado”.

A ideia de Saavedra Coria é que “seja sempre uma produção nacional e com manufatura local. Em seguida, comece a se abrir para outras províncias e outros países. Se hoje eu começo a produzir, tenho que vender para o exterior”. Ele também explicou que “do lado produtivo, o cânhamo traz muito mais trabalho e opções de desenvolvimento do que a cannabis medicinal. Espero que o processo de regulamentação seja mais rápido e que possa deixar benefícios para a comunidade com os impostos que gera a planta”.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia preenchida quase em sua totalidade por uma enorme plantação de cânhamo, verdinho e vistoso, que divide a linha do horizonte com a estreita faixa de um céu branco e ensolarado. Foto: Vote Hemp.

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