Canabidiol com cetamina pode ser nova opção de tratamento para a depressão

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De acordo com um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, a combinação pode tornar possível bloquear os efeitos colaterais negativos da cetamina enquanto se preserva seus benefícios terapêuticos. Informações da Forbes, traduzidas pela Smoke Buddies

Para pessoas de certa idade, cetamina — um poderoso anestésico aprovado pela primeira vez para uso humano pela Administração de Alimentos e Drogas (FDA) dos EUA em 1970 e usado para tratar soldados gravemente feridos nos estágios finais da guerra do Vietnã antes de se tornar popular no circuito de clubes por seus efeitos dissociativos — sempre será conhecido como “tranquilizante para cavalos”. (Os veterinários usam cetamina em grandes mamíferos, uma vez que é muito forte, mas o marketing antidrogas também é forte, e aqui estamos.)

Mais recentemente, cetamina passou a ser apreciada por seu valor no tratamento da depressão resistente — uma descoberta importante encontrada principalmente por acidente, depois que os médicos descobriram que pessoas agitadas que receberam cetamina após uma tentativa de suicídio relataram uma queda acentuada nas ideações suicidas.

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A FDA recentemente adicionou depressão resistente ao tratamento como um diagnóstico onde a cetamina pode ser prescrita, celebridades, incluindo o ex-astro da NBA e membro da família Kardashian Lamar Odom, endossam a cetamina, e clínicas que oferecem tratamentos com cetamina surgiram em todo os EUA.

Mas, como os cogumelos com psilocibina, a cetamina tem alguns efeitos colaterais muito poderosos que nem todo usuário terapêutico deseja. Isso inclui sintomas psicóticos, bem como “hiperlocomoção”, que é exatamente o que parece: mover-se muito.

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Em outras palavras, quando você está tomando cetamina, você realmente não pode fazer muito mais. Você provavelmente precisa estar em uma clínica ou sob observação quando estiver sob tratamento, o que significa que seus benefícios práticos são limitados.

E se você pudesse limitar os efeitos colaterais negativos e ainda preservar o potencial terapêutico? De acordo com uma pesquisa publicada recentemente, ao misturar cetamina com canabidiol, ou CBD, o canabinoide menos psicoativo associado a benefícios antiansiedade e anti-inflamatórios, pode ser possível fazer exatamente isso.

Observando que o CBD e a cetamina pareciam ativar o mesmo receptor no cérebro, uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) administrou doses de cetamina e CBD em camundongos, que variam de 2,5 a 30 miligramas por quilo de peso corporal. Alguns ratos receberam ambas as drogas, alguns apenas receberam uma ou outra.

E os ratos machos que receberam cetamina e CBD tiveram um desempenho bom o suficiente em testes de movimento para sugerir que o CBD agia como um modulador que bloqueava certas “mudanças psicolocomotoras” enquanto ainda concedia os benefícios antidepressivos.

“Nossos resultados mostram pela primeira vez que o efeito antidepressivo do CBD, semelhante à cetamina, depende da ativação dos receptores AMPA”, escreveram os autores em suas descobertas, publicadas na revista Neuropharmacology em setembro.

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Esse é um avanço interessante para a neurociência. Para o restante de nós, esses resultados significam que misturar CBD com cetamina “pode ser uma estratégia terapêutica atraente no tratamento da depressão, ao promover o efeito antidepressivo e ao mesmo tempo prevenir” os efeitos colaterais negativos da cetamina, acrescentaram.

O estudo tem algumas limitações. Pelo menos uma muito óbvia que é se tratar de um estudo em ratos de laboratório e não em pessoas. Mas as implicações são animadoras.

Embora “ainda deva ser investigado se o CBD poderia atenuar os efeitos psicotomiméticos associados à administração de S-cetamina em indivíduos deprimidos”, como escreveram os autores, “ao prevenir a hiperlocomoção sem interferir nos efeitos antidepressivos da cetamina, o CBD poderia ser explorado como uma possível nova opção terapêutica adicional para depressão”.

E como a Organização Mundial da Saúde acredita que, em 2030, a depressão será a principal causa de incapacidade em todo o mundo, novos e eficazes tratamentos clínicos são vitais.

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#PraTodosVerem: foto mostra a cânula de um conta-gotas contendo substância translúcida levemente amarelada e deixando cair uma gota sobre um frasco âmbar destampado, em fundo branco. Imagem: Pexels / Eva Elijas.

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