Califórnia (EUA) lança planos para padronizar os testes de cannabis em todo o estado

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O Departamento de Controle de Cannabis da Califórnia designou dois laboratórios estaduais para estabelecer procedimentos operacionais que servirão como um modelo para cada laboratório de teste de maconha no estado; medida visa dar consistência aos resultados e proporcionar mais transparência às operações de teste. Informações do MJBizDaily, traduzidas pela Smoke Buddies

Os reguladores da Califórnia (EUA) começaram um novo esforço para padronizar os testes de cannabis com o objetivo de eliminar inconsistências entre os 41 laboratórios de maconha operacionais do estado.

Os defensores dizem que o esforço — exigido por uma nova lei estadual — vai melhorar a qualidade e confiabilidade, ao passo que desencorajará o suborno de laboratórios e outras práticas que produzem resultados de teste falsos.

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Autoridades da indústria em todo o país, por exemplo, alegam que algumas empresas de maconha — pense em cultivadores, processadores, fabricantes ou distribuidores — compram laboratórios que lhes darão os resultados que desejam ver em termos de potência de THC e contaminantes.

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Os críticos também dizem que a falta de padrões está entre os fatores que atormentam a indústria de testes de cannabis, ameaçando minar a confiança do consumidor nos produtos de maconha e dificultando o funcionamento de alguns laboratórios.

“Isso trará consistência e responsabilidade adicionais entre os laboratórios de teste de cannabis licenciados”, disse a porta-voz do Departamento de Controle de Cannabis (DCC), Christina Dempsey, sobre a iniciativa de teste da agência.

“Com um método padronizado, os laboratórios podem identificar e corrigir problemas mais facilmente e servirá como um mecanismo adicional para garantir a integridade.”

O DCC designou dois laboratórios estaduais para estabelecer procedimentos operacionais que servirão como um modelo para cada laboratório de teste de maconha no estado.

A diretriz foi motivada por uma nova lei estadual que exige que o regulador de cannabis valide os testes e procedimentos para que os laboratórios forneçam resultados precisos e sejam mais transparentes sobre suas operações de teste.

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Ao fazer isso, a Califórnia se junta a um punhado de outros estados que padronizaram os métodos de teste de maconha, incluindo Nova Jersey e Nova York.

Na Califórnia, a supervisão do programa recai sobre a Divisão de Serviços de Laboratório do DCC, que tem uma equipe de cerca de duas dúzias de pessoas que dirige o Laboratório de Teste de Cannabis e regulamenta os laboratórios do estado por meio de licenciamento e inspeções.

Como parte da iniciativa, a divisão está estabelecendo um laboratório de referência por meio de uma parceria com a Universidade da California, em San Diego. Será um dos dois laboratórios estatais.

Os funcionários irão verificar os produtos para garantir que foram testados corretamente.

“O DCC antecipa alavancar esses dois laboratórios para aumentar a responsabilidade”, acrescentou Dempsey, “verificando os resultados do laboratório e por meio de iniciativas como testes desafio”.

O que está na lei

A Lei do Senado 544, assinada em outubro pelo governador Gavin Newsom, exige que o DCC estabeleça critérios e diretrizes firmes para testar dezenas de pesticidas, contaminantes microbiológicos, solventes residuais e compostos de cannabis.

Em 1º de janeiro de 2023, o DCC deve estabelecer um método de teste de canabinoides padronizado e procedimentos operacionais que todos os laboratórios usarão.

“É preciso haver consistência”, disse Jozee Roberto, um antigo defensor da indústria e empresário que ajudou a redigir a Lei 544 com seu marido, D’Angelo, e o patrocinador do projeto, o senador estadual John Laird, democrata que representa Santa Cruz.

Os Robertos, que cofundaram a Ethridge Farms, sediada em Santa Cruz, com a cantora e compositora Melissa Ethridge, estavam motivados para melhorar a saúde, segurança e estabilidade financeira no setor de testes em desenvolvimento.

“Estamos apenas ajudando a avançar a ciência da cannabis, a pesquisa e uma indústria estável”, disse D’Angelo Roberto. “Pequenos negócios podem ser dizimados em um instante por um falso positivo.”

Por exemplo, um falso positivo pode indicar um pesticida proibido que não estava presente, forçando os produtores a jogar fora o produto.

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Kenny Morrison, o fundador da VCC Brands e presidente da Associação de Fabricantes de Cannabis da Califórnia, disse que recebeu resultados de testes falsos positivos mais de uma vez para seus produtos.

Frequentemente, os laboratórios se recusam a notificar os reguladores de seus erros, temendo retaliação ou maior escrutínio regulatório, disse Morrison.

“É uma situação lamentável em que as marcas e o fabricante sabem que estão recebendo um serviço menos do que preciso”, acrescentou.

Morrison deseja que a lei estadual seja alterada ainda mais, de tal modo que testes e amostragens sejam realizados onde o produto é produzido — em vez de no local de distribuição no atacado, que é o requisito atual.

“Isso precisa mudar porque somos forçados a mover paletes de produtos, acumulando cargas de transporte e frete”, acrescentou Morrison.

Outros temem que mais requisitos aumentem os custos, ao mesmo tempo que inibem a concorrência e os serviços.

“Muitas vezes, temos que adaptar nosso teste para atender às necessidades de um mercado em constante mudança. Quando o delta-8 chegou ao mercado, nós o adicionamos rapidamente ao nosso painel de canabinoides”, disse Josh Wurzer, presidente e cofundador da SC Labs, com sede em Santa Cruz.

“A obrigatoriedade de um método de referência sufocaria essa inovação, que é fomentada por meio da competição em um mercado livre.”

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Compras de laboratório, outros desafios

Todos os laboratórios de teste na Califórnia serão obrigados a implementar os procedimentos operacionais do DCC, que os defensores dizem que ajudará a reduzir a compra de laboratórios.

O SC Labs já realizou mais de um milhão de testes de cannabis desde sua fundação em 2010, quando os testes eram voluntários e escassos.

Antes do surgimento dos regulamentos, os clientes de cultivo e dispensários queriam dados precisos, principalmente para fins de marketing, disse Wurzer.

Mas a partir de 2018 — quando os regulamentos de teste do estado entraram em vigor pela primeira vez — os clientes começaram a exigir resultados de teste mostrando que seus produtos contêm níveis mais altos de THC.

“Não sentíamos o mesmo tipo de pressão para retornar resultados de alto teor de THC naquela época como sentimos agora”, disse Wurzer.

Esse número, sem querer, se tornou o gatilho de compra de fato para muitos consumidores de maconha.

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À medida que mais compradores buscavam contagens mais altas de THC, a indústria seguia o exemplo, levando alguns distribuidores a subornarem laboratórios, de acordo com autoridades da indústria.

De acordo com a lei estadual, os distribuidores são obrigados a servir de ligação entre os cultivadores e os dispensários. Eles também são obrigados a organizar testes e manter o estoque até que seja testado.

No caminho certo?

O químico orgânico Jeffrey Raber, que lançou um dos primeiros laboratórios de teste de cannabis na Califórnia há mais de uma década, acredita que o desenvolvimento de metodologias padronizadas e validação cruzada ajudará a limpar os resultados do laboratório e erradicar os malfeitores.

“O jogo do laboratório ainda precisa de muita ajuda”, disse Raber, CEO da The Werc Shop, que saiu da indústria de laboratórios de teste de maconha anos atrás para se concentrar no desenvolvimento de consultoria e formulação.

“Acho que ainda não chegamos lá, mas estamos no caminho certo.”

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#PraTodosVerem: fotografia, tirada de cima para baixo, mostra o polegar e indicador de uma mão calçada com luva cirúrgica branca que seguram um bud de cannabis com uma pinça metálica, acima de um pote redondo contendo mais inflorescências.

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