Cães & Gatos: Cannabis na clínica veterinária em debate

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O uso da maconha pode beneficiar animais no tratamento de diversas condições. No entanto, é necessário driblar preconceitos e burocracias para que a planta seja melhor aproveitada. Entenda mais sobre como a cannabis pode ajudar na medicina veterinária na reportagem da revista Cães&Gatos VET FOOD

Polêmico e a razão de horas e horas de debate, o uso da cannabis medicinal já é liberado no Brasil desde o fim do ano passado, mas o cultivo da planta ainda é proibido. No entanto, cada vez mais, se tem buscado informação sobre o uso de medicamentos à base desse produto. Mas vencer preconceitos e burocracias por parte de órgãos regulamentadores são outros empecilhos para que as pessoas e, até mesmo, animais possam se beneficiar com o tratamento.

Diversos estudos no mundo apontam que a Medicina Veterinária também pode ser beneficiada pelo uso da cannabis medicinal. O médico-veterinário endocanabinologista, Fábio Mercante de San Juan, afirma que, da mesma forma que o homem, todos os animais possuem sistema endocanabinoide. “Sendo assim, seu uso abrange várias patologias, desde neoplasias até problemas dermatológicos e comportamentais”, afirma.

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O médico-veterinário da Veterinary Cannabis Counselor (VCC), empresa de consultoria e educação sobre o assunto localizada em Denver, Colorado, EUA, João Lourenço Hasckel Gewehr afirma que os principais usos da cannabis na Veterinária fora do País são como analgésico, anti-inflamatório, anticonvulsivante, ansiolítico e para o estímulo de apetite. “Em humanos, é utilizada para tratamento de depressão e doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson, tendo um potencial também para doenças senis em animais que possuam os mesmos sinais clínicos. Uma das suas principais vantagens é a ausência ou mínimos efeitos colaterais quando comparada com terapias tradicionais já utilizadas na clínica, que podem cursar com gastrite, hepatotoxicidade, entre outros. Sua aplicação para a manutenção da qualidade de vida, especialmente em pacientes geriátricos, é fenomenal”, garante.

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O poder da cannabis

Também ouvido nesta reportagem, o médico-veterinário, professor no curso de Medicina Veterinária e Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Erik Amazonas, afirma que é necessário lembrar o básico: humanos são animais. “Se procurarmos a maioria das doenças humanas, teremos sua correspondência nos animais. Inclusive, os estudos que embasaram o uso em humanos foram todos iniciados em animais, logicamente! O sistema endocanabinoide humano e animal são o mesmo e seus efeitos sob os demais sistemas fisiológicos são iguais. A função principal desse sistema é regular todos os demais a fim de manter a homeostasia celular. Para isso, o sistema endocanabinoide regula a entrada de íons nas células, controla as vias de sinalização intracelular (AMPc, MAPK, ERK, Caspases etc) e modula todo o sistema imunológico. A soma das ações do sistema endocanabinoide nas vias intra e intercelulares de sinalização, por meio da regulação de receptores celulares como CB1, CB2, GPR55, GPR118, PPARs, TRPVs, 5HT-1, controla fundamentalmente todos os processos biológicos da célula. É daí que vem a regulação da homeostasia”.

Ele incluiu na grade do curso de Medicina Veterinária, que leciona, na UFSC a disciplina Endocanabinologia, pois acredita ser importante para que mais profissionais conheçam a importância dele.

Na opinião de Amazonas, dentre as propriedades medicinais mais importantes da maconha, está o seu poder anti-inflamatório e imunomodulador. “Seus diferentes canabinoides e terpenos estimulam o sistema endocanabinoide de uma forma que evita, por exemplo, a tempestade de citocinas responsável pela resposta inflamatória descontrolada (muito citada nos dias de hoje com a pandemia de SARS-CoV2 em humanos). A inibição da produção de citocinas pró-inflamatórias IL-1, IL-6, IL-17, IL-18 e TNF-α, ao mesmo tempo em que estimula secreção de IL-10 (potente imunorregulador), faz dos canabinoides fármacos excepcionais para o controle de qualquer processo inflamatório em qualquer tecido animal”, explica.

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Ainda segundo ele, sua ação anti-inflamatória é muito maior do que aquelas promovidas por corticoides e AINEs. “Os efeitos anti-inflamatórios promovidos pela maconha são atingidos por diversos mecanismos celulares distintos, ao contrário dos dois alopáticos citados. Além do efeito por meio das vias de COX-1/COX-2 do ácido araquidônico, os canabinoides regulam uma série de outros mecanismos reguladores da função imunológica, passando desde a alteração no perfil de receptores celulares e liberação de citocinas, até a regulação da expressão de inúmeros genes. Sabendo que a inflamação é um processo-chave inicial de praticamente qualquer quadro patológico, tenho visto muito sucesso em praticamente todos os usos”, conta Amazonas.

Sobre o poder anti-inflamatório, Amazonas lembra que, também, atua diretamente no controle da dor. “Mas para esse fim específico, os canabinoides possuem mais duas linhas de combate: modulam a via descendente da dor, auxiliando o SNC a controlar e suportar a dor e, mais especificamente, bloqueia a transmissão do sinal de dor pelos mesmos mecanismos de controle da liberação de neurotransmissores feito pelos opioides, com a vantagem de não apresentar os danos causados por este último”.

Além disso, Erik Amazonas conta que o uso efetivo no combate aos mais diversos tipos de câncer tem sua fundamentação na completa regulação do ciclo celular pelos canabinoides somada ao seu poder imunomodulador. “A maconha controla a proliferação de células, a formação de novos vasos (angiogênese) para o tumor, inibe a remodelagem celular evitando a invasão de vasos pelas células tumorais, a migração a outros tecidos e sua fixação, evitando metástases, além de estimular a apoptose e a autofagia de células comprometidas”.

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Ela ainda possui efeito anticonvulsivo muito importante e que deve ser destacado. “Assim como o efeito anti-inflamatório, não há outro medicamento comparável à maconha quando se trata de controle da epilepsia e convulsões. Os receptores canabinoides clássicos (CB1 e CB2) são receptores acoplados à proteína G e sua ação mais imediata é o controle da entrada de cálcio nas células. Crises epilépticas e convulsões são oriundas da hiperatividade neuronal do SNC. O mais importante gatilho para a liberação de neurotransmissores na fenda sináptica é a entrada de cálcio no neurônio pré-sináptico. Uma das funções específicas do receptor CB1 é fechar os canais de cálcio em neurônios hiperexcitados. Assim, as crises convulsivas encerram rapidamente (muitas vezes, imediatamente)”.

Os usos terapêuticos da maconha envolvem qualquer processo inflamatório, incluindo doenças autoimunes, dor, câncer, epilepsias e outras doenças neurológicas e diabetes.

O que é a cannabis?

Fábio Mercante de San Juan explica que a cannabis — nome científico da maconha — é uma planta usada desde a antiguidade, com princípios terapêuticos provados pelo seu uso empírico há séculos. Possui mais de 150 canabinoides conhecidos até agora, terpenos e flavonoides, todos com potencial terapêutico e substâncias menores.

João Lourenço Hasckel Gewehr completa que há uma espécie específica para a extração de fibras destinadas à fabricação de tecidos, cordas, cosméticos e até mesmo tijolos, conhecida como cânhamo. “Outras espécies produzem a resina utilizada medicinalmente, e são conhecidas popularmente como maconha. Esta resina possui mais de 300 moléculas bioativas que podem ser utilizadas para a terapêutica de condições variadas que cursem com inflamação, dor, crises convulsivas ou distúrbios do sistema imune em potencialmente todos os mamíferos”. Segundo ele, uma única molécula possui efeito inebriante (o THC), e é a responsável pelo seu estigma e proibição de seu uso, embora ela possua efeitos benéficos fantásticos.

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Preconceito: uma bola na trave

A ideia de se usar “maconha” como tratamento das doenças gera, ainda, preconceito por parte de muitos. Erik Amazonas afirma que há preconceito dentro da própria academia. “Alguns colegas de departamento costumam ‘brincar’ que eu tenho a intenção de deixar os animais ‘doidões’. Entretanto, nunca se vê o mesmo comentário sendo dirigido, por exemplo, aos professores de farmacologia ou anestesiologia veterinária, especialistas em ‘deixar doidões’. Tenho observado que, tanto na Medicina Veterinária, quanto na Humana, o preconceito ainda é grande. Só quando alguém de seu convívio íntimo inicia o uso medicinal (humano ou animal) é que o preconceito desaparece de fato. Maconha virou radioativa. A própria Anvisa a trata dessa forma quando fomenta regras absurdas para o cultivo em solo brasileiro”.

San Juan também acredita que haja muitos preconceitos em relação ao uso da cannabis medicinal. “Há preconceito com a palavra e com a planta, tanto que tentam a todo custo separar os canabinoides por causa do ‘temido’ THC, ignorando completamente o efeito entourage descrito por Mechoulam, onde é demonstrado que todas as substâncias precisam estar presentes para um efeito terapêutico adequado, assim como em uma orquestra”.

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Amazonas fala sobre os entraves que existem no Brasil. “O órgão responsável pelo uso de medicamentos em animais é o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), que é completamente omisso e ignora o uso em animais. É absurdo, em 2020, imaginarmos que o ministério responsável por orientar ações em Medicina Animal seja tão acovardado a debater o tema. Até o momento, a única manifestação do MAPA é quanto à possibilidade do cultivo (para pacientes humanos) e, ainda assim, só será colocada em pauta depois que a justiça brasileira determinar a legalidade da planta e do cultivo, o que é ridículo. Temos uma lista enorme de substâncias proscritas na justiça que são normalmente usadas medicinalmente no Brasil. Quanto ao uso medicamentoso da maconha em animais domésticos, o MAPA simplesmente se escusa a comentar qualquer coisa”.

San Juan recorda que por ter seu uso no Brasil restrito, ou seja, sem a autorização para o cultivo e pesquisa, é quase impossível provar e estudar qual parte da planta age e onde. “Já estamos conseguindo provar pela soberania da clínica que funciona em diversas patologias e com sucesso”.

Gewehr também acredita que o estigma da maconha para uso adulto acaba sendo relacionado à cannabis, onde o preconceito supera a visão de seu imenso potencial terapêutico. “Vale lembrar sempre que o objetivo nunca é ‘chapar’ o paciente, e em raros casos onde isso ocorre, a imediata redução da dose é realizada”.

Veterinária na prática

O uso da cannabis medicinal na Medicina Veterinária pode trazer muitos benefícios sobre a saúde animal. Gewehr diz que seu uso, atualmente, é na clínica, especialmente em condições geriátricas, neurológicas, musculoesqueléticas, imunes e gastrointestinais. “Múltiplas doenças que envolvem esses sistemas podem ser tratadas ou seus sintomas amenizados pela utilização de óleos extraídos da cannabis, com menos efeitos colaterais e administrações por períodos de tempo infinitamente maiores. Como o sistema endocanabinoide está presente em todos os mamíferos, acredita-se que todas as espécies desta classe possam se beneficiar desta terapia”.

San Juan também acredita que todas as especialidades podem ser beneficiadas com o uso da cannabis. “Como a cannabis possui potencial terapêutico ‘ilimitado’, e atua no sistema que controla a homeostase de todos os demais, ela age em todos os órgãos e sistemas do organismo, regulando-os. Então, qualquer especialidade pode se beneficiar da terapia canábica”.

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Para Erik Amazonas, deve-se ter em mente que o extrato completo de maconha supre as atividades medicamentosas de (pelo menos) anti-inflamatórios, analgésicos, neurolépticos e quimioterápicos. “Eu, realmente, desconheço alguma especialidade veterinária que não utilize medicamentos para os fins acima citados. A produção animal também ganharia um enorme aliado tanto nutricional quanto medicamentoso. As sementes de cannabis são um dos alimentos vegetais mais ricos da natureza. Possuem 30% de proteína com todos os 20 aminoácidos, incluindo os nove aminoácidos essenciais; 48% de gordura (75% poli-insaturadas); 8% de carboidratos (1,5 vez mais fibra que açúcar); a melhor relação de ômega 6 e ômega 3 (3:1); vitaminas A, C, E, complexo B; e não possuem os inibidores de tripsina. Uma dieta animal com inclusão de sementes de cannabis torna a produção animal muito mais eficiente e lucrativa. Se combinasse também o uso da planta toda como uma forrageira ou em suplementação, teríamos uma alimentação nutracêutica para os animais de produção. Há ótimos estudos comprovando esse fato”.

Na prática se vê acontecer

Os médicos-veterinários, aqui entrevistados, já utilizaram a cannabis medicinal em alguns pacientes e contaram as experiências. Erik Amazonas comenta que, no momento, acompanha oito animais. “O caso que eu mais tenho divulgado, por ter a permissão dos tutores, é a da cadela Yara. É uma cadela que desenvolveu crises convulsivas ao completar um ano de idade. Para a minha sorte, os tutores recorreram à cannabis antes de qualquer outra forma de intervenção. É muito mais fácil atingir resultados mais imediatos num animal farmacologicamente ‘virgem’. Fui chamado durante os dias em que as crises passaram a ser frequentes e cheguei a testemunhar duas crises durante a primeira consulta, na casa da Yara”.

Uma dessas crises está disponível no Instagram de Yara. Nesse dia, Amazonas precisou administrar uma dose excessiva (aproximadamente 150 a 200 vezes a dose convencional) de óleo integral de cannabis a 10%, rico em THC para que as crises parassem, o que fez com que cada crise durasse menos de um minuto, ao contrário de anteriormente, em que permanecia de cinco a dez minutos. “Durante a segunda crise, ministrei uma dose total um pouco maior na intenção de sedar a cadela para poder conversar com a tutora sem disparar uma nova crise (sons são gatilhos poderosos). A cadela dormiu por uma hora, se alimentou, bebeu água e voltou a dormir a noite toda. Desse dia em diante, Yara foi mantida com o mesmo óleo em três gotas BID sem apresentar outras crises convulsivas, exceto uma ocasião três dias depois em que ela ficou sem óleo (problema imposto unicamente pela falta de legislação). No dia 19 de março deste ano, Yara completou um ano sem uma única crise convulsiva e vive uma vida saudável como qualquer outro cachorro. Vai a parques, viaja, participa das rodas de amigos, brinca, joga bola. Enfim, voltou a ser um cão em toda a sua natureza”.

Fábio San Juan conta que tratou mais de 200 animais até o momento com a terapia canábica. “Atendi uma cadelinha SRD, com anemia hemolítica. Tequila tem quatro anos, e desenvolveu anemia hemolítica autoimune, necessitando de transfusão sanguínea e eritropoietina frequentemente. Após o início da terapia canábica, ela não precisou mais de transfusões e nem eritropoietina. Seus hematócritos subiram e continuam aumentando aos poucos. Isso é o progresso que conseguimos em três meses, que, até o momento, nenhum alopático havia conseguido por ela”.

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Gewehr realizou estágio nos Estados Unidos voltado para esta prática clínica, e foram aplicadas terapêuticas com cannabis em 51 animais. “Entre as condições mais procuradas para o tratamento estavam a ansiedade, epilepsia, câncer e problemas locomotores. Os meus casos relatados para a banca avaliadora foram de Epilepsia Idiopática e Doença Inflamatória Intestinal em cães. No primeiro, o paciente possuía cerca de quatro crises convulsivas semanais e, após o tratamento com óleo rico em canabidiol, conseguiu-se espaçar para uma crise a cada três meses. O tratamento com o óleo rico em outras moléculas poderia ser utilizado caso as crises fossem mais severas”, recorda.

No segundo caso atendido por Gewehr, o paciente possuía diarreia com hematoquezia associados à hematêmese quase que diariamente. “Após o tratamento com fitocanabinoides, houve a resolução da hematoquezia e de sua hematêmese, com a tutora observando fezes amolecidas em semanas alternadas. Estes casos foram escolhidos devido ao meu interesse, embora outros, especialmente em ansiedade e relacionados ao sistema musculoesquelético, por serem muito interessantes para correlacionar com casos que temos em nossa clínica”.

Aceitação por parte dos tutores

Os tutores podem aceitar ou não o uso desse medicamento em seus animais. Gewehr acredita que a aceitação é relativa de pessoa para pessoa. “Este tema cria curiosidade em todos. Devido à falta na propagação destes conhecimentos para os médicos-veterinários, o repasse de informações para os tutores ainda é deficiente”, afirma e completa que, como não há uso recreativo em animais, acredita que o estigma seja menor do que o uso em humanos, embora ele ainda exista. “Após a sua comprovação clínica e normatização de seu uso, os tutores terão um interesse imenso nesta terapia, pois poderão verificar sua eficácia e como seus animais respondem bem a ela”.

Fábio San Juan fala que a maioria dos tutores que chegam até os médicos-veterinários já tentou de tudo e vê na cannabis sua última escolha de tratamento para salvar seu pet. “Por isso, eles chegam já com a mente aberta e, inclusive, alguns já chegam sabendo muito sobre o assunto, pois pesquisaram antes”.

Erik Amazonas afirma que o tutor que utiliza cannabis em seu pet é, a seu ver, 100% a favor do uso medicinal da maconha e consciente a respeito dela. “Isso acontece entre aqueles que já eram antiproibicionistas, mas também entre aqueles mais conservadores que tinham a visão “Refeer Madness” da maconha. Aqui vale aquela máxima: o que seus olhos enxergam é o que você irá acreditar. A maconha, como medicamento veterinário, faz algo que eu jamais vi com outro fármaco até então. Absolutamente 100% dos tutores me trazem esse tipo de relato sobre a evolução do seu pet: ‘Ele voltou a ser o animal que era antes da doença’. Para mim, isso é muito significativo. Muitas vezes, o que o tutor enxerga antes de qualquer manifestação de benefício clínico ao animal, é a compreensão inequívoca de que o animal, mesmo que ainda enfermo, já não é afetado pela doença”.

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Um caminho a percorrer

Há um caminho a ser trilhado no Brasil quando o assunto é uso de cannabis medicinal. Para San Juan, falta pesquisa, conhecimento por parte dos médicos-veterinários, acesso à medicação de qualidade, disseminação de informação correta etc. “É um longo caminho a percorrer, mas já começamos a dar os primeiros passos. Pode-se conseguir acesso à medicação via associações, parentes que utilizam ou os próprios tutores que trazem de fora do País exigindo que o médico-veterinário tenha conhecimento para desenvolver um protocolo terapêutico adequado”.

Amazonas afirma que é preciso provocar uma ação concreta e científica dos médicos-veterinários responsáveis pela regulamentação de medicamento no MAPA. “Se alegam desconhecimento, estamos aqui para dialogar, mostrar prós e contras, e aprender juntos. Há uma obrigatoriedade a todos os profissionais, especialmente os da saúde, que é a de se atualizarem e se informem constantemente sobre a ciência Veterinária. Parece que o próprio ministério vem falhando gravemente nisso, visto que temos, pelo menos, três décadas de muita informação. Há a urgência de se incluir o sistema endocanabinoide nos currículos de Medicina Veterinária. Eu não confio minha saúde a um médico que desconhece um sistema fisiológico presente em mim. Igualmente, não acredito que um médico-veterinário que desconheça o sistema endocanabinoide seja confiável. Atualizem-se, médicos-veterinários do Brasil”, opina.

Por fim, João Lourenço Hasckel Gewehr conta que, historicamente, a cannabis foi proibida antes mesmo da descoberta de seu sistema fisiológico atuante. “Séculos de proibição, associados ao seu estigma e preconceito, levaram a atual falta de divulgação destes conhecimentos. O método apresenta grande potencial terapêutico e eficiência, sendo irracional qualquer dificuldade em prescrever esta terapia para nossos pacientes. Seu uso deve ser estudado e acompanhado de perto, e os resultados documentados e divulgados para a quebra deste tabu na comunidade médica. Nenhum ser vivo merece viver com dor, ou com os efeitos colaterais de medicações que possam vir a tornar-se ineficientes, principalmente devido ao preconceito e falta de informação. Os nossos pacientes precisam e merecem o melhor tratamento possível, sendo ele relacionado à cannabis ou não. Além disso, o sistema endocanabinoide deve ser divulgado, documentado e estudado, tanto em relação a seu envolvimento fisiológico, quanto em relação com doenças e medicações já utilizadas na clínica, como anti-inflamatórios e analgésicos opioides”, conclui.

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#PraCegoVer: em destaque, fotomontagem que mostra um gato, do focinho pra cima, ao lado de um cachorro, ambos olhando para a câmera, e, à sua frente, a parte de cima de um frasco cor âmbar com uma folha de maconha que sai de sua boca, além de algumas folhas pequenas próximas ao nariz do bichano. Crédito: C&GVF.

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