BRUMADINHO NÃO FOI TRAGÉDIA

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Os homicídios e crimes ambientais cometidos com o rompimento da barragem em Brumadinho, MG, vêm sendo tratados pela mídia como uma tragédia, deixando claro a intenção de manipular a opinião pública. Entenda mais no artigo do advogado e ativista Dr. André Barros.

Em 25 de janeiro de 2019, ocorreu o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho/MG. Na realidade, foram praticados homicídios dolosos qualificados por motivo torpe. Torpe é a ganância por lucro e a outra qualificadora é o meio, a asfixia, pois as pessoas morreram soterradas pela lama dos rejeitos da mineração.

A palavra “tragédia”, usada desde o primeiro dia em que esses crimes foram praticados, tem o sentido de uma catástrofe, algo imprevisível e inevitável, como se fosse um caso fortuito. A palavra é utilizada pela mídia como tese defensiva das privatizações, numa clara busca de manipulação da opinião pública em relação aos crimes que aconteceram. Ressaltamos que, além dos homicídios, foram praticados todos os crimes contra o meio ambiente da Lei 9605/98.

A previsibilidade era patente, em razão do maior crime ambiental ocorrido há apenas três anos em Mariana, tempo característico da reincidência. Teria sido evitado se a Vale tivesse suspendido todas as atividades de suas barragens e mudado o modelo de armazenamento de seus rejeitos.

Estamos assistindo a uma batalha ideológica dos meios de comunicação que defendem a entrega das riquezas do Brasil. A privatização da Vale do Rio Doce pelo governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso e pela aliança PSDB, PMDB e PFL, agora DEM, foi um dos maiores crimes praticados contra o Brasil. O edital de privatização da Vale do Rio Doce divulgava o excelente negócio, registrando que as reservas de minério de ferro da empresa chegavam a 40 bilhões de toneladas, além da enorme malha ferroviária e navios graneleiros, com capacidade de transportar até 400 mil toneladas. Assim, a Vale hoje extrai toneladas de minérios de rochas, colocados diretamente em vagões de trem, que vão despejá-los direto em navios que exportam nossas riquezas sem qualquer valor agregado. Os rejeitos de água, terra e minério viram lama e são armazenados nas cidades brasileiras, sem que sejam recolhidos impostos pela riqueza exportada. Nada fica para Minas Gerais, só rejeitos, e os minérios vão enriquecer os executivos da Vale e gerar dividendos aos seus acionistas na Bolsa de Valores, a arquibancada do capital.

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#PraCegoVer: imagem mostra parte de uma peça de arte da exposição “Guignard sob Terra” (2018), da artista plástica Marta Bonimond, que faz alusão ao rompimento da barragem de Mariana/MG, em 2015.

O discurso da tragédia visa a Petrobrás. Os crimes contra a vida e o meio ambiente ocorridos em Brumadinho são mais uma desmoralização para o governo Bolsonaro, eleito sob a propaganda contra as licenças ambientais. Recordemos que o presidente havia afirmado, durante a campanha, que as licenças ambientais não passavam de barreiras ao desenvolvimento econômico do Brasil. O primeiro objetivo desse governo é ferrar as aposentadorias dos pobres.  Outro grande objetivo desses sabujos do Trump é privatizar a Petrobrás. A fiscalização de mais de trezentas barragens em Minas Gerais é realizada por três funcionários, portanto, não há fiscalização. Quase 800 quilômetros de rios foram destruídos com o crime de Mariana. Imaginem o que pode acontecer com nosso Oceano Atlântico, caso a Petrobrás seja privatizada, uma empresa altamente desenvolvida na extração de Petróleo em alto-mar?

O Brasil precisa ter consciência ecológica, pois essas privatizações vão acabar com nossos rios, oceano e nossas vidas! A luta pela reestatização da Vale e contra a privatização da Petrobrás é pelas atuais e futuras gerações.

#PraCegoVer: imagem de capa mostra peça de arte da exposição “Guignard sob Terra” (2018), da artista plástica Marta Bonimond, que faz alusão ao rompimento da barragem de Mariana/MG, em 2015. Assista.

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Sobre André Barros

ANDRÉ BARROS é advogado da Marcha da Maconha, mestre em Ciências Penais, vice-presidente da Comissão de Direitos Sociais e Interlocução Sociopopular da Ordem dos Advogados do Brasil e membro do Instituto dos Advogados Brasileiros
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