Baseado ou Dab: qual é o método mais efetivo de consumo?

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Estudo mostra que consumo de maconha por meio de um baseado desperdiça 300% a mais de THC, CBD e outras substâncias, se comparado ao consumo de concentrados.

Querer aproveitar a experiência ao máximo é algo normal em nossas vidas. Por isso, buscamos por canecos, tulipas e taças para saborear cervejas, champanhes e vinhos. Por que não seria o mesmo com o consumo de maconha?

A cultura dos concentrados e outros métodos de consumo, como os vaporizadores, avançam entre os consumidores de maconha. E que o dab chapa mais que um baseado não é novidade, ainda mais na gringa. Segundo artigo publicado na High Times, os concentrados ganharam popularidade quando pipocaram manchetes, nos EUA, em que começaram a elogiar sua potência com alegações de que um tapa – um trago – era tão forte quanto cinco baseados. Embora o consumo de concentrados tenha se tornado comum entre os usuários de maconha norte-americanos, dificilmente existe pesquisa disponível sobre o tema devido à proibição federal.

Felizmente, os dabs foram importados dos EUA para a Europa, onde a pesquisa sobre a cannabis não enfrenta tantos obstáculos. Um estudo recente conduzido por pesquisadores suíços do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Berna descobriu que o dab fez um trabalho muito melhor em disponibilizar a quantidade total de THC e CBD em seus pulmões comparado ao cigarro de maconha -enrolado em papel de seda. De fato, o estudo publicado na Forensic Science International descobriu que os baseados desperdiçam 300% a mais de THC do que as derretidas de dab.

Se você fuma maconha para os efeitos associados ao THC ou ao CBD, provavelmente quer que seus pulmões os absorvam da forma mais eficaz possível. E se os cientistas dissessem que você só recebe um quinto dos canabinoides disponíveis no seu baseado?

O objetivo do estudo foi “investigar a descarboxilação de ácidos precursores de THC e CBD (THC-A e CBD-A) por meio de uma ‘dabada’ – ato de consumir dab – comparada ao baseado fumado” e “determinar a recuperação de THC no condensado”.

Materiais e Métodos Utilizados

O material vegetal e o óleo de haxixe (BHO) usados ​​neste experimento foram confiscados pela polícia. A partir daí, as amostras foram submetidas a um laboratório na Alemanha para testar o conteúdo total de canabinoides. E finalmente, as amostras foram enviadas para pesquisadores na Suíça.

As flores de maconha testadas apresentaram um total de 17% de THC, enquanto o BHO foi mais de quatro vezes mais potente, com 71% de THC. A Swiss Cannabis SA também contribuiu com cânhamo com 6% de CBD para o experimento.

Os primeiros extratos apreendidos tinham rótulos que indicavam que eram do estado de Washington. Os pesquisadores afirmam que “o óleo de haxixe clássico é extraído com solventes e, após a evaporação do solvente, os resíduos são misturados com um óleo vegetal”.

O óleo vegetal é para cozinhar e não tem lugar no óleo de haxixe tradicional, então algo se perdeu na tradução, informa a publicação da High Times. Os pesquisadores poderiam estar se referindo à glicerina vegetal – um agente menos espesso usado em certos cartuchos de óleos canábicos e na maioria dos líquidos dos cigarros eletrônicos à base de nicotina.

Assim, seu primeiro encontro com extratos de BHO pode ter sido de um cartucho antigo ou de baixa qualidade. Os melhores cartuchos de THC não têm mais nenhum agente de corte e óleo de haxixe regular, definitivamente não devem ter qualquer glicerina vegetal ou óleo nele. Hoje, a glicerina vegetal é normalmente usada para cartuchos de baixa qualidade ou para o mercado negro.

Fumar em vidro científico

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#PraCegoVer: fotografia em ângulo superior do equipamento utilizado em laboratório durante o estudo, onde pode-se ver tubos, mangueiras e válvulas.

Os pesquisadores fizeram o melhor que puderam para imitar da forma mais realista possível o consumo de cannabis por meio do baseado e dab com vidros e tubos científicos. Os pesquisadores escreveram: “Idealmente, o método de produção de fumaça deve refletir o comportamento humano de fumar maconha”.

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#PraCegoVer: fotografia frontal do equipamento utilizado em laboratório durante o estudo.

Para o experimento com dab, os pesquisadores decidiram usar o que eles chamam de “uma nova forma de aplicação para esses extratos”, um ‘nail’ de titânio – peça de titânio que é aquecida para derretimento do dab. Mas para a maioria dos dabbers modernos, o nail de titânio é coisa do passado. A maioria trocou seu titânio por ferramentas mais eficazes, como bangers de quartzo – peça de estrutura cristalina que suporta altas temperaturas.

Os pesquisadores aqueceram a peça de titânio até que ela estivesse em brasa. Então, eles esperaram alguns segundos e mergulharam de 160 a 230 mg de BHO. Este não é mais um método recomendado para consumir concentrados. Hoje, os bangers de quartzo são usados ​​para manter temperaturas mais baixas por períodos mais longos, diferente do titânio. De fato, os pesquisadores admitiram que seu método “provavelmente resultou em temperaturas nas quais a vaporização era acompanhada de combustão”, gerando mais perdas.

Resultados? Dabbing economiza tempo e THC

O conteúdo de canabinoides nos condensados foi testado para determinar a disponibilidade pulmonar e a taxa de descarboxilação. A disponibilidade pulmonar é a recuperação do THC no condensado. O BHO tinha 75,5 por cento de disponibilidade pulmonar, enquanto as flores de cannabis só conseguiam recuperar 26,7 por cento. Tanto no baseado quanto no dab, a descarboxilação foi de mais de 99% do THC-A.

A baixa temperatura, os dabs são vaporizados e não queimados – então há menos perda de THC.

Segundo os autores do estudo, “em contraste com a combustão, as perdas pirolíticas de THC não devem ocorrer com a vaporização do material de cannabis”.

É importante notar que os números não representam qualquer fumaça que não seja inalada durante uma sessão normal de fumo. A fumaça foi constantemente consumida até que nada foi deixado. Isso significa que a taxa de recuperação do baseado foi generosa no estudo, considerando que o dab pode ser consumido em um único trago e que seria impossível transferir cada fragmento de fumaça para os pulmões ao se fumar um baseado.

Portanto, os resultados refletem a quantidade máxima de THC que poderia ser transferida do baseado para a fumaça, em vez de “uma estimativa realista da quantidade de THC administrada durante o ato do consumo humano”.

O estudo também documentou a quantidade de tempo que leva para fumar a flor e o dab até a finalização. Demorou cerca de dois minutos para queimar a flor e menos de cinco segundos para terminar o dab.

Pesquisadores abordam rumores exagerados sobre a potência de Dabs

Então, isso significa que um único dab é igual a fumar vários baseados? Não. Comparando baseados e dabs, os pesquisadores estimam que “um dab fornece uma quantidade similar de THC (responsável pelo efeito psicoativo) como fumar um baseado”.

O mito é difundido pela mídia sobre os supostos perigos do dab sendo um único trago tão potente como cinco baseados. Essas alegações enganaram muitos consumidores e criou-se um medo pelos extratos. Um “especialista em drogas” chamado Dr. David Sack apareceu no programa de televisão, The Doctors, alegando que um único trago poderia ser tão potente quanto cinco baseados.

Se você nunca usou dab, imagine como se o primeiro trago no baseado fosse o último. A alta potência combinada com a maior taxa de recuperação proporciona efeitos completos sem a inalação repetitiva de fumaça.

É importante notar que essas descobertas são preliminares por natureza. Mais pesquisas envolvendo seres humanos, mais amostras e, de preferência, métodos mais modernos de consumo precisam ser realizados.

NO BRASIL

Por aqui, em terras tupiniquins, a cultura do Dab vem ganhando popularidade entre pessoas consumidoras de cannabis. O portal canábico Maryjuana explanou, lá em 2013, o que é DAB.

Em inglês, a palavra “dab” possui vários significados como verbo e substantivo, incluindo “quantia insignificante”, “coisa mínima” e “bater/tocar levemente”. Na cultura canábica refere-se ao ato de fumar óleos, haxixes e concentrados de cannabis, incluindo uma ampla variedade de butane hash oil (BHO), utilizando-se de equipamentos que permitem o total “derretimento” da substância em questão.

Geralmente são utilizados bongs de vidro equipados com ponta de titânio aquecida por meio de um maçarico. Com a peça incandescente, basta encostar uma “quantia insignificante” de óleo utilizando uma agulha/haste de metal, enquanto puxa e inala o que talvez seja o vapor com maior concentração de THC existente.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) das pontas de quatro hastes metálicas, cada uma portando uma pequena quantidade de extração de maconha diferente, da esquerda para a direita, a primeira parece mel em tom de marrom, a segunda lembra uma lasca de caramelo em tom amarelado, a terceira tem uma cor dourada que dá água na boca e a última parece um mel pastoso e menos translúcido que a primeira, em tom de amarelo; e um fundo escuro.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas. CEO "faz-tudo" e Co-fundador da Smoke Buddies, um projeto que começou em 2011 e para o qual, desde então, tenho me dedicado exclusivamente.
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