Bactéria é detectada em suplemento que diz ter cannabis e está à venda nas farmácias de Portugal

1409853 Bactéria é detectada em suplemento que diz ter cannabis e está à venda nas farmácias de Portugal

Em Portugal, um suplemento alimentar que está à venda nas farmácias com o nome de “Cannabis”, além de não possuir canabinoides em sua composição, está contaminado com a bactéria E. coli. As informações são da Lusa, via Observador

A bactéria E. coli foi detectada num suplemento alimentar à venda nas farmácias como produto à base de cannabis com propriedades terapêuticas, anunciou esta terça-feira o Observatório Português de Cannabis Medicinal (OPCM).

No âmbito de um protocolo assinado com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, o OPCM mandou analisar o óleo que está no interior das cápsulas do suplemento alimentar “Cannabis”, disse à agência Lusa a presidente do observatório, Carla Dias.

Na análise de controle microbiológico, a que a agência Lusa teve acesso, o Laboratório de Controle Microbiológico da Faculdade de Farmácia afirma que foi detectada neste produto a presença da Escherichia coli (E. coli), uma bactéria que pode causar infeções intestinais e infeções urinárias.

Além da E. coli foi detectada uma bactéria cutânea, disse Carla Dias, defendendo que as autoridades têm de tomar medidas “porque se trata de uma questão de saúde pública”.

Por outro lado, frisou, “este produto está à venda nas farmácias como um produto à base de cannabis e com propriedades terapêuticas” e não tem, disse Carla Dias, afirmando não compreender como o produto foi autorizado como suplemento alimentar pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Para a responsável, “trata-se de publicidade enganosa: as pessoas estão a pagar 40 euros por cápsulas que dizem ter canabidiol, não tendo. Isso é muito grave. Nós já denunciamos ao Infarmed, à ASAE, à DGAV e ninguém nos ouve”, lamentou a presidente do observatório.

Carla Dias adiantou que estes produtos estão a ser comercializados numa altura em que os consumidores deixaram de ter acesso aos produtos à base de óleos de canabidiol que foram retirados do mercado porque, com a nova lei da cannabis medicinal, passaram a ser considerados medicamentos e a necessitarem de uma autorização de colocação no mercado pela Autoridade Nacional de Medicamento (Infarmed).

“Algumas empresas estão a aproveitar-se [desta situação] e estão a vender gato por lebre. Não é cannabis, não tem propriedades terapêuticas e é vendido como tal nas farmácias e em ervanárias.”

A presidente do OPCM adiantou à Lusa que, no âmbito do protocolo com a Faculdade de Farmácia e com outras entidades, vai mandar analisar os óleos mais utilizados pelos utentes e pacientes portugueses em termos microbiológicos.

O OPCM vai também analisar o perfil dos canabinoides, para perceber se tem CBD e tetrahidrocanabinol, que a marca afirma que contém, e toxicidade do produto (contaminantes, pesticidas).

No final, o observatório vai publicar um relatório final com a avaliação de todos os produtos para as pessoas que os compram pela internet tenham alguma segurança nos produtos que estão a adquirir.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) em plano fechado que mostra um pequeno frasco de laboratório com tampa azul e a mão que o segura diante da câmera, e, ao fundo desfocado, uma bandeja com mais frascos. Foto: Suzanne Plunkett | Reuters.

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