Adiamento da votação da Anvisa leva empresários da Cannabis a mudar estratégias

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Enquanto a Anvisa adia a votação da regulação da cannabis medicinal, algumas empresas do setor mudam de estratégia e se voltam para a importação e formação de mercado. Com informações da Folha

A dois meses do encerramento do ano, parte do mercado de Cannabis medicinal está redirecionando os planos para 2020. Isso se deve a falta de definição e confiança na nova regulação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), ainda não aprovada pelo colegiado de diretores. As mudanças deixam o mercado menos atraente para os investidores externos e pouco acessível para o paciente.

Em junho a Anvisa abriu uma pesquisa pública para saber a opinião da sociedade sobre o tema. No início de outubro (8), a proposta final foi apresentada, mas a votação adiada duas vezes em ocasiões diferentes. A primeira foi pelo presidente William Dib, que resolveu dividi-la em dois temas, plantio e comercialização da Cannabis medicinal. A segunda aconteceu uma semana depois, quando novos integrantes da diretoria pediram vistas –mais tempo para analisá-las.

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HempMeds Brasil, subsidiária da americana Medical Marijuana Inc., esperava a nova regulação da Anvisa, que permitiria usar os testes clínicos realizados nos EUA para registrar um medicamento de epilepsia no Brasil. “Essa seria a forma mais barata e rápida, mas resolvemos repetir os testes clínicos em território brasileiro como exigem as normas que vigoram hoje”, disse Caroline Heinz, vice-presidente da empresa no país.

O teste clínico de qualquer remédio é composto por quatro fases e pode levar até seis anos para ser concluído. Envolve altos custos e muitos voluntários. Para dar uma ideia, a primeira etapa começa com cerca de 20 a 100 voluntários e a terceira, de 5 mil a 10 mil. Mas para começar, antes o remédio deve ter sido testado  em animais e comprovar segurança para ser aplicado em humanos.

Em junho, mês  que começou a pesquisa pública da Anvisa, a empresa de capital aberto Canopy Growth, do Canadá, chegou  no Brasil através da divisão científica Spectrum Therapeuticals. Na época, a empresa revelou o plano de investir R$ 60 milhões de reais em pesquisa e formação do mercado. Começaram com cursos para médicos e agora planejam focar também em jornalistas.

Em outubro, durante um encontro do setor, o diretor médico Wellington Briques estava com um calhamaço de páginas em baixo do braço. Tratava-se de um teste clínico ainda não concluído de medicamento para dor crônica.

“Encerramos a fase 1. A fase 2 já foi desenhada com cerca de 100 voluntários. Quero ver dizerem que não existem evidências médicas”. Ele se referia ao Conselho Federal de Medicina e representantes do governo que colocam em dúvida a eficácia da Cannabis medicinal.

Nos bastidores, porém, comenta-se que a empresa agora partiu para a ação comercial. Contratou uma equipe terceirizada de vendedores, que repetindo a estratégia agressiva dos grandes laboratórios, começou a visitar os médicos para divulgar os remédios de Cannabis que produzem no Canadá. Ao que parece, deram os primeiros passos para a importação.

Mas, de acordo com a nota enviada pela assessoria, a Canopy não mudou de estratégia e continua “a aguardar com expectativa o avanço da regulação da Cannabis medicinal no Brasil, que aumentará a capacidade de atendimento dos pacientes, de modo que eles tenham garantido o direito ao tratamento das necessidades de saúde, muitas das quais atualmente não resolvidas, que afeta a qualidade de vida de tantas famílias”.

Até para as plataformas nacionais de importação de medicamentos, a indefinição não é saudável para os negócios. “Se a regulação for aprovada, a concorrência aumenta”, diz Marcelo Galvão  CEO da OnixCann/Cantera, empresa que abriga o portfólio de três laboratórios de Cannabis. A empresa faz a ligação entre médico e paciente, além de ajudar na burocracia do processo de importação. Tem 330 médicos cadastrados, dos quais vinte prescrevem.

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#PraCegoVer: fotografia em plano médio de um ministrante em pé e falando ao microfone que segura com uma mão, logo à frente de uma parede onde é refletida a imagem de um projetor. Foto: Valéria França.

Apesar de não acreditar em grandes mudanças, Galvão –que é precavido– aposta em paralelo na formação de médicos. Um fim de semana por mês, em média, organiza um curso de especialização de Cannabis medicinal. Reúne cerca de 60 médicos.

O próximo curso acontece este mês (23). As inscrições começaram a ser vendidas com o valor de  R$ 770. No ano que vem, Galvão pretende abrir uma pós graduação lato senso de Cannabis medicinal. O Brasil é o maior mercado da América Latina, com 1,7 milhões de pacientes, segundo o mercado.

Se de um lado empresas, como as citadas acima, procuram caminhos alternativos, há também quem aposte no poder de William Dib em aprovar uma regulação mais aberta. “Muita gente está se preparando para investir no Brasil”, diz George Wachsmann, CIO da empresa de investimentos Vitreo. “Se a nova regulação não for aprovada, o eventual mercado brasileiro simplesmente não acontece”.

“Minha empresa não depende da nova regulação, isso seria muito arriscado para os negócios”, diz Caio Abreu, CEO da Entourage, primeiro laboratório nacional de Cannabis medicinal aberto no país, que nasceu voltado para a produção de medicamentos.

Essa demora, na opinião dele,  desanima investidores, inclusive os brasileiros. “Isso é ruim para os pacientes. O mercado vai crescer mais lentamente, contendo a queda de preços dos produtos esperada com o aumento da concorrência”.

Até hoje o único medicamento registrado no Brasil é o Mevatyl, que chega a custar R$ 2 mil nas farmácias. Os demais são importados individualmente pelo doente, depois da prescrição médica ser enviada e aprovada pela Anvisa –um processo que demora em média 45 dias.

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#PraCegoVer: fotografia (em destaque) em plano fechado e frontal da inflorescência apical de uma planta de maconha com folhas verdinhas e pistilos amarelos e brancos, e um fundo desfocado em tons de verde. Foto: Phill Whizzman | Smoke Buddies.

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