Ações de maconha disparam em 2021, veja como investir

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Apesar das predições positivas, a indústria de cannabis ainda tem riscos específicos que não devem ser ignorados pelos investidores. Entenda mais com as informações da Forbes

A Grande Depressão, também conhecida como crise de 1929, foi um dos catalisadores da descriminalização do álcool nos Estados Unidos, que passou a ser vendido no mercado legal e ajudou na recuperação da economia norte-americana com o recolhimento de impostos. Quase 100 anos depois, outro produto com elevado potencial tributário está na fila para o fim da criminalização: a cannabis.

De acordo com estudo realizado em 2019 pela New Frontier Data, a legalização da cannabis nos EUA tem o potencial de gerar mais de 1 milhão de empregos diretos e indiretos e aumentar as vendas legais totais para chegar a US$ 30 bilhões no país em 2025. No ano passado, o consumo medicinal do produto rendeu US$ 18,3 bilhões em vendas, um crescimento de 71% na comparação com o ano anterior, de acordo com o levantamento do Leafly.

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O assunto ganhou tração em dezembro com a aprovação na Câmara dos Representantes dos EUA do texto que descriminaliza a cannabis em todo o território estadunidense. O país já possui 15 estados que permitem seu uso social por adultos, representando um terço da população estadunidense.

A vitória de Joe Biden — com maioria democrata no Senado — é outro ingrediente no caminho do livre comércio da cannabis, já que uma de suas promessas de campanha foi remover a planta da lista de drogas pesadas em nível federal. A decisão tem o poder de impactar não apenas a economia norte-americana, mas potencializar toda a cadeia de produtos industrializados para fins medicinais e uso adulto baseados em cannabis, movimento que não passa despercebido por Wall Street.

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As ações da Aurora Cannabis (ACB), uma das maiores empresas canadenses que atuam na produção licenciada da planta, acumulavam valorização de 46,9% em 2021 no fechamento da última sexta (19), recuperando do tombo de 53,5% em 2020, enquanto o ETFMG Alternative Harvest, maior ETF de cannabis do mundo, avança 73,9% no acumulado deste ano.

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“Existia uma onda positiva que vinha desde 2013 com a liberação no Canadá. Em 2019 as ações recuaram um pouco. As empresas tinham crescido, mas não cresciam da forma que o mercado esperava. Até que em 2020/2021 nós tivemos diversos catalisadores positivos, já que esse é um mercado muito dependente das liberações do governo”, explica Guilherme Zanin, estrategista de investimentos da corretora Avenue.

Desafios Regulatórios

George Wachsmann, chefe de gestão da Vitreo, uma das gestoras brasileiras com fundos em teses baseadas no mercado de cannabis, comenta que as dificuldades de circulação de mercadorias e transporte pelo espaço aéreo estão entre os fatores regulatórios que engessam o avanço do setor. “A gente tem dificuldade em comprar essas ações lá fora. Não é trivial, porque não são todos os bancos que nos deixam realizar essas operações”, explica.

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Para o gestor, o SAFE Banking Act, projeto de lei que permite a oferta de serviços bancários a empresas de cannabis, é o primeiro passo para destravar esse mercado. “O ajuste desta lei faz com que as empresas mudem da água para o vinho do ponto de vista tributário, então existem pequenos ajustes que precisam ser feitos antes de se legalizar de fato”, conclui. O texto encontra-se atualmente em tramitação no Senado dos EUA.

No Brasil, o PL 399/2015, em tramitação na Câmara, propõe a comercialização de medicamentos que contenham extratos, substratos ou partes da planta cannabis em sua formulação. Em 2019, a Anvisa aprovou o registro e a produção em solo nacional de produtos à base de cannabis para fins medicinais e vetou a proposta que visava autorizar o cultivo da erva no país, exclusivamente para fins medicinais e científicos.

Avanços semelhantes são observados ao redor do mundo. “A França foi um país que este ano liberou a utilização da cannabis medicinal. A Grã-Bretanha já tinha liberado, mas apenas para empresas exclusivas do país, e agora já liberaram para compras de outros países. O México é outro país que deve anunciar no próximo mês a utilização da cannabis, inclusive na forma recreacional”, comenta Zanin.

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Apesar das predições positivas, a indústria de cannabis ainda tem riscos específicos que não devem ser ignorados pelos investidores.

“Eu acho que a gente está em um bom momento de mudança do setor no mundo inteiro, nos EUA em particular, então estamos animados com as possibilidades. Agora, o investidor deve ter cautela… as pessoas olham o retorno e ficam animadas, mas é bom sempre ter cautela. É uma tese interessante, pode compor o seu portfólio, mas deve ser um pedacinho da sua locação de risco”, recomenda Wachsmann.

Veja os fundos de cannabis disponíveis para os investidores brasileiros:

Vitreo Canabidiol Light FIC FIM

O Canabidiol Light pode aplicar 20% de seu patrimônio no fundo Vitreo Canabidiol FIA IE e no mínimo 80% no fundo Pi Selic FIRF Simples (títulos públicos pós-fixados com taxa zero de administração). A versão Light do fundo da Vitreo é acessível aos investidores do varejo.

Classe CVM: multimercado
Requisitos: não há
Investimento mínimo: R$ 1.000,00
Taxa de administração: 0,036% a.a.
Taxa de performance: não há
Prazo para resgate: D+10 (corridos), com dois dias úteis para o pagamento

Vitreo Canabidiol FIA IE

A composição teórica do fundo Canabidiol é de 20% em ETFs e 80% em ações, podendo aplicar 100% do seu patrimônio em ativos no exterior. O fundo, no entanto, é destinado exclusivamente a investidores qualificados ou profissionais, ou seja, para investir no fundo é necessário ter pelo menos R$ 1 milhão em aplicações financeiras ou possuir certificação técnica aceita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Classe CVM: ações
Requisitos: ser investidor qualificado ou profissional
Investimento mínimo: R$ 5.000,00
Taxa de administração: 0,9% a.a.
Taxa de performance: 10% sobre o que exceder o S&P500 TRN (em reais)
Prazo para resgate: D+30 (corridos), com dois dias úteis para o pagamento

Trend Cannabis FIM — XP Investimentos

O Trend Cannabis FIM é um fundo passivo, que acompanha a oscilação do ETFMG Alternative Harvest (MJ), ETF de cannabis listado nos EUA.

A carteira do ETF possui cerca de 40 ações de empresas que dedicam mais de 50% de sua receita em atividades atreladas à indústria de cannabis, com investimentos concentrados nos EUA, Canadá e Inglaterra.

Classe CVM: multimercado
Requisitos: não há
Investimento mínimo: R$ 500,00
Taxa de administração: 0,5% a.a.
Taxa de performance: não há
Prazo para resgate: D+5 (corridos), com pagamento no dia útil seguinte.

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Canadá registra CA$ 2,6 bilhões em vendas de cannabis em 2020

#PraCegoVer: em destaque, fotografia de um bud de cannabis verdinho, sobre uma caixa transparente que contém outros buds em seu interior. Foto: Christina Winter | Unsplash.

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