A maconha dos EUA é padrão ouro, mas a lei federal a mantém fora do mercado global

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A genética e sofisticação no cultivo de maconha nos EUA levam a flores de alta qualidade e inovações em óleos, tinturas e comestíveis; produtos que talvez estivessem em alta demanda internacional se não fosse pela proibição federal. Com informações da KHN e tradução pela Smoke Buddies

Em um grande armazém, a LivWell Enlightened Health alimenta suas plantas clonadas de maconha com uma mistura personalizada de nutrientes, pulveriza-as com água filtrada, bombeia dióxido de carbono extra no ar e libera três tipos de insetos para limpar as plantas de pragas indesejadas sem o uso de pesticidas tóxicos.

Cada parte do processo de crescimento é meticulosamente documentada e avaliada para refinar constantemente o processo.

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Após 20 anos de experiência, os cultivadores legais de maconha nos EUA têm a reputação de criar o melhor produto do mundo, cultivado cientificamente e fortemente regulamentado por qualidade e segurança.

A colheita estaria em alta demanda internacionalmente — talvez a peça central de uma nova indústria dos EUA — se não fosse o enigma regulatório no qual os produtores operam.

Como a maconha é legal em muitos estados, mas ainda é ilegal federalmente, os cultivadores de maconha não conseguem enviar seus produtos para outros países ou mesmo para outros estados estadunidenses que legalizaram a droga. Assim, enquanto as empresas de cannabis dos EUA impulsionam a inovação de produtos e dominam a ciência das operações de cultivo em larga escala, elas esperam incansavelmente pela abertura da cortina de exportação.

Em vez disso, o Canadá emergiu como o exportador dominante no crescente comércio mundial de maconha, que a ArcView Market Research e a BDS Analytics estimaram em US$ 14,9 bilhões em vendas para 2019. As empresas de lá estão levantando capital e construindo laços comerciais internacionais, apesar de terem um clima improvável para ser um paraíso agrícola da maconha.

Rezwan Khan, vice-presidente de desenvolvimento corporativo global da DNA Genetics, fornecedora de sementes de cannabis, acredita que a cannabis nos EUA é a melhor do mundo, mas disse que: “O Canadá tem uma enorme vantagem, porque pode preencher uma lacuna”.

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Melhor do mundo

Khan disse que a cannabis da Califórnia é especialmente superior porque seus produtores desenvolvem produtos legais de maconha desde 1996, mais tempo do que em qualquer lugar, exceto Amsterdã.

“A Califórnia é o epicentro da cultura da cannabis há muitos anos”, disse ele.

Suas sementes de cannabis foram distribuídas em todo o mundo, e muitas empresas estrangeiras estão tentando reproduzir a qualidade da maconha da costa oeste do EUA. Mas Khan disse que é preciso mais do que sementes e água para cultivar uma boa erva.

A genética e sofisticação subjacentes à indústria de cannabis nos EUA levam a flores de melhor qualidade e de maior potência para quem fuma maconha e inovações em óleos, tinturas e comestíveis.

“O mundo quer essa tecnologia”, disse Michael Sassano, CEO da Solaris Farms, a maior estufa híbrida de cannabis em Nevada. “A Holanda deu um grande salto; eles poderiam ter feito qualquer coisa. Mas foram os EUA que transformaram a indústria no que é hoje, com todos os produtos que fabricamos, não o Canadá”.

O outro atrativo da cannabis cultivada nos Estados Unidos, de acordo com Bob Hoban, especialista em leis da cannabis de Denver, é que os clientes estrangeiros valorizam a supervisão regulatória que garante que o produto seja seguro e não adulterado.

“Ele está sendo regulamentado por uma agência governamental, o que não é necessariamente o que está acontecendo no resto do mundo”, disse Hoban.

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Crescimento dificultado

Como a lei federal proíbe a venda e o uso de maconha, os produtores não tiveram acesso fácil ao sistema bancário. A LivWell teve que pagar em dinheiro pelo seu sistema HVAC. E com as vendas limitadas aos varejistas do estado, não foi economicamente viável investir em muita automação para sua linha de produção. A maior parte de seu processamento e embalagem é feita à mão.

A colcha de retalhos da legalização significa que a cannabis nem sempre é cultivada onde é mais fácil crescer, em climas quentes com chuvas limitadas. Foi cultivada onde é legal. Califórnia, Oregon e Colorado cultivam a maior parte da maconha autorizada do país como ilhas legalmente isoladas.

Isso deixa o frio Canadá como uma escolha um tanto estranha de ser o líder mundial em exportações de maconha.

Quando o Canadá legalizou a maconha em 2018, suas empresas podiam ser listadas na Bolsa de Valores de Nova York e na NASDAQ. Portanto, as empresas canadenses representam uma porta dos fundos para as empresas dos EUA acessarem os mercados de capital e de exportação e, para empresas menores, fornecem uma estratégia potencial de saída. Muitos produtores de maconha dos EUA estão se posicionando como alvos atraentes de aquisição para empresas canadenses de olho no lucrativo mercado estadunidense.

As empresas canadenses estão começando a assinar acordos comerciais e a garantir licenças para vender maconha internacionalmente. Embora o mercado permaneça limitado, pelo menos 30 países — incluindo México, Alemanha e Itália — legalizaram a maconha medicinal. E os números estão crescendo à medida que estudos científicos demonstram sua utilidade no controle da dor, náusea e glaucoma.

“Há tempo mais do que suficiente para as empresas estadunidenses se atualizarem”, disse Kris Krane, presidente da 4Front Ventures, que cultiva e vende maconha em nove estados. “Mas quanto mais esperarmos, mais continuaremos a manter essa proibição insustentável, o mais difícil para as empresas estadunidenses alcançarem”.

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Pronto para exportar

A mudança de opinião pública sobre a maconha nos EUA faz com que muitas empresas estadunidenses de cannabis se preparem para o dia em que possam vender legalmente seus produtos em outros lugares.

“Se as fronteiras estaduais se abrirem, estamos nos preparando para isso”, disse Sassano, que também é presidente do conselho da Somai Pharmaceutical, uma holding com sede em Dublin (Irlanda) que distribui produtos de cannabis medicinal para farmácias em toda a Europa.

Isso significa que um setor que começou principalmente com pequenos produtores e varejistas familiares agora deve considerar sua higiene corporativa e se está cumprindo os requisitos legais para vender nesses novos mercados.

A LivWell está construindo salas de cultivo indoor de cannabis em larga escala no Colorado e no Oregon, projetadas para aumentar a produção para o comércio interestadual ou internacional. As novas salas têm tetos de 9 a 12 metros de altura e iluminação LED de ponta, fria o suficiente para ficar perto das plantas.

“Então você cultiva verticalmente”, disse Dean Heizer, principal estrategista jurídico da LivWell. “Nós aprendemos isso com os microgreens que as pessoas cultivam em antigas cidades e arranha-céus. Se você pode cultivar em metros cúbicos, pode escalar. Se você está cultivando em metros quadrados, não pode”.

Com 11 estados, mais Washington DC, aprovando o uso recreativo e 33 estados legalizando a maconha medicinal, os especialistas da indústria acreditam que a maconha pode ser legalizada nacionalmente em um futuro próximo, expandindo bastante seu mercado.

Em novembro, o Comitê Judiciário da Câmara aprovou uma lei com mais de 50 copatrocinadores que efetivamente tornaria a maconha legal nos EUA. Embora seja improvável que passe no Congresso imediatamente, ela é vista como um sinal de esperança para o futuro.

“É apenas uma questão de tempo”, disse Krane. “Quanto tempo é uma questão de debate”.

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#PraCegoVer: fotografia (de capa) em plano fechado que mostra uma inflorescência de maconha verdinha e os dedos polegar e indicador da mão que a segura; ao fundo, fora de foco, vê-se diversos pés de cannabis que preenchem toda a imagem. Foto: Fox News.

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Sobre Smoke Buddies

A Smoke Buddies é a sua referência sobre maconha no Brasil e no mundo. Aperte e fique por dentro do que acontece no Mundo da Maconha. https://www.smokebuddies.com.br
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