A cannabis medicinal floresce na Índia em tempos de Covid-19

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A nascente comunidade indiana de empreendedores de cannabis está buscando novas maneiras de expandir seus negócios durante a pandemia. As informações são do jornal Livemint, com tradução pela Smoke Buddies

Em dezembro de 2018, Vinesh Chandrakant ficou surpreso quando seu treinador de artes marciais mistas perguntou se ele poderia obter algum óleo de CBD. O jovem empresário só ouvira falar do CBD — um acrônimo comum para canabidiol, um composto químico não intoxicante encontrado na cannabis — uma vez antes, durante uma viagem à Europa. Ele sabia que existia, mas esse era o limite de seu conhecimento. Mas se o treinador quisesse um pouco de óleo de CBD, ele o encontraria. Chandrakant encontrou rapidamente um fornecedor internacional que entregaria em seu endereço na Índia. Em pouco tempo, ele estava sendo bombardeado por pedidos de colegas atletas que queriam um pouco de óleo de CBD em suas mãos.

“Comecei a fazer o pedido para eles também e, a certa altura, percebi que era uma oportunidade de negócio séria“, diz Chandrakant, fundador e diretor da CBD Store India, um dos primeiros importadores e distribuidores licenciados de produtos de CBD do país. “Eu tenho cerca de 5.000 clientes regulares e fazemos mais de 100.000 rupias de vendas diárias em nosso site”.

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Graças a seu treinador, Chandrakant havia entrado em uma das indústrias mais novas e de crescimento mais rápido do mundo na hora certa. Nos últimos anos, o CBD deixou de ser um remédio chapado para ser uma panaceia mainstream, com os defensores alegando que é eficaz no tratamento de tudo, desde dor crônica e ansiedade até epilepsia e esquizofrenia. Em 2018, a administração de drogas e alimentos dos EUA aprovou a primeira droga à base de CBD para epilepsia, provocando uma corrida ainda maior para trazer vários produtos de CBD ao mercado. Hoje, é um setor que vale US$ 9,3 bilhões (aproximadamente 697 bilhões de rupias), de acordo com um relatório da empresa de pesquisa de mercado Grand View Research, com produtos de CBD que variam de óleos e tinturas a comestíveis, produtos de beleza, bombas de banho e bebidas de consumo.

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Também na Índia, um número pequeno, mas crescente, de pessoas jura pelo potencial terapêutico do CBD. Quando Chandrakant fundou a CBD Store India, sua principal clientela era composta por colegas atletas, que a usavam para tratamento da dor e recuperação pós-lesão. Mas, quando a notícia se espalhou, ele começou a receber consultas de todos os lugares. “Fiquei chocado quando as pessoas começaram a me ligar pedindo por CBD para casos como artrite, epilepsia e coisas assim”, diz Chandrakant, acrescentando que é necessário uma prescrição médica para comprar seus produtos. “Uma das nossas maiores bases de clientes hoje são pais cujos filhos têm autismo ou epilepsia”.

A indústria indiana de CBD ainda é pequena, o que é compreensível, já que a cannabis — a planta, não o canabidiol — continua sendo ilegal sob a Lei sobre Narcóticos e Substâncias Psicotrópicas, de 1985. A lei proíbe a produção de cannabis, embora os governos estaduais possam conceder uma licença para o cultivo para fins industriais ou de pesquisa. Foi apenas no ano passado que os produtos de CBD feitos a partir de cânhamo — uma variedade de cannabis que possui menos de 0,3% de THC — se tornaram legais para vender e consumir. A produção doméstica para uso comercial ainda está em grande parte na fase do projeto piloto.

No entanto, o setor tem uma grande vantagem que poderia ajudá-lo a crescer a uma taxa exponencial — a conexão Ayurveda. A planta de cannabis é um ingrediente em mais de 104 formulações de medicamentos tradicionais, fato que permitiu aos empresários de cannabis encontrar um caminho para o mercado.

“Na Ayurveda, conhecemos a cannabis como vijaya e a usamos em vários medicamentos como ingrediente”, diz Piyush Juneja, médico ayurvédico com experiência em Gaziabade, Utar Pradexe, que também faz parte do painel de especialistas médicos da CBD Store India. “Nos últimos seis meses, lidamos com pelo menos quatro a cinco pacientes diariamente no que diz respeito aos produtos de CBD. Temos um banco de dados exaustivo disponível e podemos ver que a maioria deles está obtendo uma tremenda cura e resultados”.

Com os praticantes e acadêmicos de Ayush (Ayurveda, Yoga e Naturopatia, Unani, Siddha e Homeopatia) pressionando publicamente pela legalização da cannabis medicinal no ano passado, Chandrakant se vê operando em um espaço cada vez mais movimentado.

Em fevereiro, a startup de cannabis baseada em Odisha HempCann Solutions abriu a primeira clínica de varejo de cannabis em Bengaluru, onde vende suas drogas ayurvédicas licenciadas, formulações à base de cannabis. Os pacientes podem obter uma consulta médica na clínica e comprar os produtos com receita médica. No mesmo mês, a startup HempStreet, de Délhi, recebeu US$ 1 milhão em uma rodada de financiamento devido à sua linha de produtos de cannabis ayurvédicos, que será lançada em breve. E depois há a Bombay Hemp Company (Boheco), iniciada em 2013 por sete graduados na Faculdade de Comércio e Economia Hassaram Rijhumal, de Mumbai.

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Desde a sua criação, a Boheco tem estado na vanguarda dos esforços para que a Índia liberalize sua política de cannabis para tirar proveito de uma indústria global de cânhamo em rápido crescimento. A empresa — que tem o ex-presidente da Tata Sons, Ratan Tata, e o diretor-gerente do Google India, Rajan Anandan, como investidores — passou os últimos sete anos trabalhando com governos e reguladores centrais para criar políticas que permitam o cultivo e a exploração comercial do cânhamo. Começando com fibras e tecidos de cânhamo, a empresa tem investido pesadamente em pesquisas sobre a padronização de sementes e cultivo de cânhamo, seu uso em alimentos, bem como suas aplicações medicinais. Atualmente, a empresa vende três produtos de CBD baseados na Ayurveda — dois óleos vendidos sem receita e uma formulação de óleo de THC e CBD para dor crônica que requer prescrição médica — e está colaborando com o Instituto de Medicina Integrada em Jammu na pesquisa de medicamentos à base de cannabis para câncer, epilepsia e anemia falciforme.

“Ainda estamos em um estágio muito inicial de sensibilização do consumidor, mas, mesmo do ponto de vista do horizonte de mercado para esses produtos nesse espaço, estimamos que a indústria (bem-estar e CBD) seja conservadoramente no valor de aproximadamente 120-150 milhões de dólares“, diz o cofundador da Boheco, Jahan Peston Jamas. “E isso é apenas uma estimativa baseada em áreas de indicação restritas muito específicas, com base no campo da cannabis-Ayurveda, e com base em alvos específicos de usuários. Isso não leva em consideração todos os grupos de consumidores em potencial”.

Os empreendedores de cannabis terão que superar obstáculos significativos para chegar perto desse valor, incluindo os obstáculos regulamentares e legais e o estigma da associação da planta ao uso de drogas. Mas com o governo fazendo os ‘barulhos’ certos — em parte graças à implacável defesa da Boheco —, eles estão confiantes de que podem transformar a indústria em uma importante fonte de emprego e receita, além de oferecer alternativas mais seguras a analgésicos e outros medicamentos químicos. Contraintuitivamente, sua maior preocupação não é com muita regulamentação, mas com muito pouca. Chandrakant e Jamas se preocupam com os danos que os operadores não regulamentados podem causar à indústria iniciante e à sua reputação.

“O problema é que, dentro da comunidade de cannabis, muitas pessoas afirmam que o CBD pode curar qualquer coisa, sem evidências”, diz Chandrakant. “Isso leva a muito ceticismo na comunidade médica. Eu também acho que o governo deveria ser realmente rigoroso para garantir a qualidade de nossos produtos”.

Antes de você correr para tomar uma dose de óleo de CBD e se “automedicar”, o Dr. Juneja oferece uma palavra de cautela. “Se você estiver tomando uma forma concentrada de CBD ou formulações de espectro completo que usam CBD e THC, é importante que você as tome sob orientação e supervisão médica adequada”, diz ele. “Especialmente se você bebe ou toma medicamentos alopáticos. Embora os efeitos colaterais sejam mínimos, eles existem e podem prejudicá-lo se tomado sem orientação médica”.

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#PraCegoVer: em destaque, fotografia frontal da parte superior de uma planta de maconha com a iluminação centrada em seu top bud, repleto de pistilos de cor creme, que sombreia parcialmente as grandes folhas que saem do restante do caule, e um fundo escuro. Foto: THCameraphoto.

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