Triângulo Esmeralda: cultivo legal fomenta economia de cidades californianas

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A Califórnia, que legalizou a maconha recreativa a partir de 2018, já observa desde o final dos anos 90 o crescimento do promissor mercado da cannabis medicinal. A erva já vendo sendo cultivada no estado desde a década de 70, na região que ficou conhecida como Triângulo Esmeralda. Saiba mais sobre o tema no artigo da Folha de S.Paulo.

Num casarão no extremo norte da Califórnia, o empresário Rob Schultz chega do trabalho e acende um bong de vidro com água para fumar maconha. Seu cachorro sem uma perna, Bud, circula pela sala de carpete, decorada com pinturas psicodélicas.

Num canto, uma máquina de contar dinheiro divide espaço com alguns sacos de planta seca. Na cozinha, cinco jovens trabalham em cima de longos galhos.

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Plantação de maconha na fazenda On Point, no condado de Humboldt, Califórnia.

Schultz trabalha há mais de 25 anos com cannabis, primeiro como traficante e hoje como fazendeiro legalizado na região apelidada de Triângulo Esmeralda, responsável por mais de 80% da produção da droga nos EUA.

O apelido veio de agentes federais que faziam apreensões na área nos anos 80, numa referência ao Triângulo de Ouro do ópio na Ásia.

“Nós abraçamos o nome que eles nos deram, virou uma marca”, comenta Schultz, que começou a plantar faz 17 anos, primeiro “indoor” e depois a céu aberto, sete anos atrás. “Humboldt também deveria fazer o mesmo e nos abraçar, nos aceitar. Ter orgulho.”

O nome do condado vem de um explorador alemão do século 19, mas desde os anos 1970 virou sinônimo de cannabis de alta qualidade devido a experimentos como o uso da planta feminina para obter resultados melhores, hoje padrão na indústria. Logo, empregos nas plantações foram substituindo vagas na pesca e madeireiras.

Desde o final dos anos 90, com a legalização da maconha medicinal na Califórnia, uma nova onda de migrantes chegou para plantar de forma semilegalizada, muitas vezes “indoor” para despistar os helicópteros da polícia.

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Com tanta fama, a planta passou a ser o “elefante verde” na sala de estar, como explica o sociólogo Josh Meisel, da Humboldt State University, na cidade de Arcata.

“A comunidade e a universidade sempre trataram a maconha de maneira ambivalente. Por um lado, ela traz dinheiro e recursos à cidade, além de ter ajudado no nascimento e sustentação de organizações ambientais, mas por outro lado há muito ressentimento e medo de violência e estragos ambientais.”

Em 2012, Meisel ajudou a fundar um dos primeiros institutos universitários do país para pesquisa de maconha em diferentes disciplinas. Pesquisa de 2014 apontava que 1 em cada 5 estudantes trabalhava na indústria.

O instituto não dá aulas de cultivo, nem faz pesquisas científicas com a planta, proibida de entrar na universidade. Sem poder usar verba da indústria, já que a droga segue ilegal no âmbito federal, recebe verba do Departamento de Saúde Pública do Estado.

Pelo centrinho de Arcata e ruas adjacentes, há poucos sinais de que estamos no maior centro da produção de cannabis dos Estados Unidos.

Há jovens fumando na praça, uma loja de roupas de cânhamo e cartões-postais curiosos. As duas únicas lojas que vendem cannabis para pacientes cadastrados ficam fora do centro. No total, o condado só tem quatro lojas.

MERCADO NEGRO

Schultz, dono da On Point Farms, foi um dos que se mudaram para Humboldt pós-legalização. Entre uma baforada e outra, ele conta que sempre foi contra as drogas porque sua mãe fumava escondida no quarto de casa. Já ele experimentou aos 18 anos, quando lavava pratos num hotel do parque Yellowstone.

“Depois de mais velho, mudei de ideia. Tenho uma doença nos calcanhares que me dá dores extremas. E a única coisa que ajuda a aliviar é a maconha”, conta.

Formado numa escola de culinária do Arizona, o americano de 45 anos começou a vender a droga quando trabalhava em restaurantes em Portland, no Oregon, até perceber que ganhava mais com a atividade ilícita.

Em 2000, foi para Humboldt investir na planta. “Vim para cá especificamente para plantar maconha. Queiram admitir ou não, eles [condado] fecham os olhos para o que fazemos aqui”, diz Schultz, que no pico dos preços, antes da crise global de 2008, chegou a fechar negócios de US$ 750 mil.

Hoje, com muito mais gente produzindo, até quem está na legalidade precisa do mercado negro para se livrar do excedente. A diferença está na papelada.

“No mercado legal, vem um cara de uma loja, te dá uns papéis para preencher e compra sua maconha com dinheiro”, explica. “No mercado negro, vem um cara comprar sua maconha com dinheiro. Se vai ficar na Califórnia, você não sabe e nem quer saber.”

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