Startups brasileiras ajudam pacientes a achar médicos que prescrevem maconha

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Médicos brasileiros que não se atêm ao tabu prescrevem o tratamento com maconha medicinal, contudo não possuem visibilidade. Para resolver essa questão, duas startups oferecem o serviço de conexão entre pacientes, médicos e fornecedores de remédios à base de cannabis. As informações são da Folha de S.Paulo.

Duas novas empresas brasileiras querem tornar mais popular o tratamento com a maconha medicinal no país. Com propostas parecidas, as startups Dr. Cannabis e Indeov conectam médicos que prescrevem os remédios, pacientes interessados e fornecedores de países como Canadá e Estados Unidos.

“Tem muito médico que já prescreve esse tratamento, mas ainda está dentro do armário canábico”, brinca Viviane Sedola, diretora da Dr. Cannabis. Além de conectar pacientes e médicos, a empresa faz busca ativa em redes sociais por pessoas interessadas na maconha medicinal.

Após a prescrição do composto por um médico, a empresa passa a atuar no trâmite para a autorização e importação do remédio.

A Indeov funciona de maneira parecida, mas trabalha exclusivamente com duas marcas americanas, Elixinol e Charlotte’s Web.

Na prática, as empresas atuam como revendedoras dos produtos canábicos e tiram daí parte do dinheiro para seu funcionamento.

Para muitos especialistas, porém, ainda é cedo para dizer que a planta é medicinal. “O canabidiol, que não tem o poder de induzir dependência, vem sendo estudado. Mas os estudos estão no começo, do ponto de vista científico”, diz a psiquiatra Ana Cecília Marques, da Unifesp.

Ela explica que é necessário que as etapas das pesquisas sejam seguidas e aguardar os resultados dos testes, para só então disponibilizar o tratamento. “Nada de panaceia. É preciso respeitar a ciência e o ser humano”, afirma.

Desde 2015, brasileiros podem usar medicamentos à base de canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC), substâncias encontradas na Cannabis. Para ter acesso, é necessário laudo médico cadastro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Hoje, já é possível importar produtos como o óleo da planta, em frascos ou em cápsulas, e o creme, indicado para psoríase, doença crônica que causa irritação na pele. No Brasil, os usos mais comuns são para casos de epilepsia, câncer, autismo, alzheimer, parkinson e dores crônicas.

A compra de uma quantidade suficiente para três meses de uso do óleo de canabidiol sai por cerca de US$ 550 (R$ 2.094), segundo Viviane.

Com suporte da Dr. Cannabis, a aposentada Maria Julia de Sousa, 91, entrou neste ano com o pedido de autorização para importar o óleo. Segundo ela, é uma alternativa para tratar dores que sente nos braços, ombro e nuca, e que limitam seus movimentos.

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#PraCegoVer: fotografia frontal e em plano médio de Maria Julia de Sousa sentada, com as mãos sobre as penas, em um sofá coberto com um tecido estampado com desenhos de flores. Créditos: Karime Xavier – Folhapress.

“Tomo muitos remédios e não há dinheiro suficiente”, diz a aposentada. A primeira compra será custeada pela família, que pretende pedir reembolso pelo SUS para os próximos pedidos.

O preconceito não atrapalhou a decisão de Maria Julia, que afirma ter se informado bastante sobre a Cannabis, mas é apontado por profissionais como uma barreiras para a popularização do tratamento.

“É preciso entender que o paciente não quer o ‘barato’, ele quer alívio para os sintomas da sua doença”, afirma a médica Paula Dall Stella, que prescreve terapias com maconha e atua na Ama+me (Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal).

A falta de conhecimento é um dos fatores que causam mais temor nos profissionais, segundo Dall Stella. “Mas o médico que não se atualizar vai perder pacientes, que podem procurar o tratamento em outro lugar”, completa.

Pensando na formação do médico, as startups também trabalham tirando as dúvidas e dando suporte para os profissionais que querem prescrever as terapias canábicas.

“Educação nesse campo é um pilar fundamental. Se queremos que esses médicos não tenham mais preconceito, precisamos ter um padrão mais alto, como o da indústria farmacêutica”, afirma Camila
Teixeira, diretora da Indeov.

O negócio já desperta interesse de investidores brasileiros e estrangeiros. A Indeov anunciou durante o primeiro CannX Brasil (Congresso Internacional de Medicina Canabinoide), realizado em são Paulo entre os dias 12 e 14 de novembro, que vai receber um aporte inicial de US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões) da Cann10, empresa israelense do ramo que foi também uma das realizadoras do evento.

A Dr. Cannabis, por sua vez, encerrou neste mês uma campanha de financiamento coletivo, na qual atingiu a meta de captação de R$ 750 mil.

O entusiasmo dos investidores tem motivo. De acordo com levantamento da empresa New Frontier Data, o número de pacientes de Cannabis no país pode chegar a 3,4 milhões em três anos após a liberação da venda legal.

Se a estimativa estiver correta, a consultoria afirma que esse campo poderia movimentar sozinho cerca de R$ 4,4 bilhões, valor equivalente a 6,3% do total do faturamento da indústria farmacêutica no Brasil em 2017 (R$ 69,5 bilhões), segundo dados do Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico.

#PraCegoVer: fotografia (capa) de algumas folhas de maconha, no primeiro plano, e, no segundo, as mãos, braços e torso da pessoa que as segura, vestindo jaleco branco.

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