Só as fêmeas dão onda

 Só as fêmeas dão onda

Nesse dia internacional da mulher nada melhor que um compilado-homenagem às flores que vem perfumando, desbravando e ocupando seu espaço na luta antiproibicionista e no mercado verde ao redor do mundo! Saiba mais no texto da Nah Brisa, mulher, ativista, colunista e maconheira – com muito orgulho!

“Só as fêmeas dão onda.”

Acredito que nove entre dez maconheiros já ouviram essa frase. Acredito também que todo ganjeiro que se preze sabe que somente as plantas fêmeas produzem as tão amadas e perfumadas flores que nos entorpecem, relaxam e curam das mazelas babilônicas.

Veja bem, caro leitor: Longe de mim querer desmerecer a importância do macho nesse ciclo, mas vou logo avisando que hoje eu tô aqui pra falar delas. As fêmeas. Mas não as de Cannabis. Tô aqui pra falar daquelas minas maconheiras com M maiúsculo que arregaçaram as mangas, compraram a briga, meteram a cara sem medo de serem felizes e se tornaram referência e inspiração no universo verde!

Nos negócios, na mídia, na música, na luta pelo direito a cultivar seu próprio remédio ou de chapar quando bem entender, são muitos os exemplos de mulheres inspiradoras que sabem muito bem o que querem e a que vieram: Tacar fogo no proibicionismo e mostrar que yes, we cannabis!

Nesse dia internacional da mulher nada mais justo que um compilado-homenagem às flores que vem perfumando, desbravando e ocupando seu espaço na luta antiproibicionista e no mercado verde ao redor do mundo!

Leia mais: Não há antiproibicionismo sem feminismo. É chegada a hora do feminismo atuar pelo antiproibicionismo!

Cheryl Shuman

A Rainha da Maconha em Beverly Hills. É assim que ficou conhecida a primeira super mulher desse artigo. Mãe solo, empresária, ex falida (por 3 vezes!!), a história de Shuman é daquelas dignas de hollywood.

Depois de vários altos e baixos, dentre eles a superação de um câncer com a ajuda da maconha, aos 20 e poucos anos seu espírito empreendedor encontrou na erva sagrada além da cura, sua próxima fonte de inspiração e renda. E que renda! Mirando num mercado mais luxuoso e exclusivo, Cheryl é hoje presidente do Beverly Hills Cannabis Club, um clube de elite que oferece não só produtos de primeira qualidade como espaços e festas exclusivíssimas para a “high society”, focando também no desenvolvimento do networking e consultoria de mercado para outros novos entusiastas do cannabusiness, além de convênios com resorts, pousadas e restaurantes onde o consumo de maconha é visto como tem que ser: natural!

 Só as fêmeas dão onda

Mas como nem tudo nessa vida são flores, principalmente quando se é mulher e maconheira, Cheryl sentiu na pele a intolerância ao se firmar no mercado verde.

Em entrevista para a revista Elle Brasil, declarou que “Como uma mãe solteira de duas meninas neste mundo de business, eu sei como é difícil o começo. Quando eu finalmente saí do ‘closet da cannabis’ e lancei o meu reposicionamento, foi brutal. Um grupo de pessoas não gostou da minha visibilidade e das minhas pautas pró-mulheres e simplesmente foram cruéis comigo. Tentaram fazer mal, inclusive fisicamente, a mim e a minha família. Ameaças de morte online se tornaram parte do dia a dia. Eu sabia que seria difícil, mas não tanto”.

Nada disso foi suficiente para neutralizar sua ânsia em acabar com o estigma do maconheiro vagabundo, lesado e improdutivo, sendo ela mesma um ótimo exemplo de que esse pré-conceito não tem fundamento algum, ao passo que hoje ela é referência de sucesso num mercado bem verdinho e produtivo!

Defensora dos direitos iguais e empoderamento feminino, Cheryl destaca e provoca outras mulheres a se aventurar num dos mercados mais promissores de todos os tempos: “As oportunidades de carreira são enormes nesta indústria e eu me orgulho de ser mentora de muitas mulheres neste setor. Nós dominamos a indústria da maconha e estamos fazendo história!”. You go, girl!

Whoopi Goldberg

— A ideia foi inspirada pela minha própria experiência de uma vida toda com períodos menstruais difíceis e o fato de que só a maconha me proporcionava alívio — é como Whoopi, famosa por suas atuações em holywood, fala sobre o surgimento da linha de produtos para aliviar cólicas e desconfortos do período menstrual à base de maconha da qual é cofundadora.

 Só as fêmeas dão onda

Whoopi e Maya Elisabeth, fundadora da Om Edibles, desenvolvem produtos para atenuar as cólicas menstruais com uma marca com o nome “Whoopi & Maya”.

Contendo THC e CBD, os produtos da “Whoopi e Maya” foram lançados nas versões bálsamo, sabão de banho, chocolate e infusões que prometem relaxamento e conforto. Assino embaixo!

Rihanna

 Só as fêmeas dão onda

Dispensando apresentações, Riri é muito mais que uma voz poderosa e um rostinho bonito. Sucesso mundial na música pop, faz questão de explanar que gosta muito sim, e daí?! Seja usando roupas com a estampa da ganja ou queimando seus blunts bem recheados, a gata é a própria maconheira de sucesso. Muito sucesso! Rihanna é o exemplo perfeito de mulher forte, poderosa, empoderada e consciente, pois além de suas falas antiproibicionistas e libertárias, a diva ainda distribui bolsas de estudo e investe pesado no combate a fome em países pobres. Como não amar?

Margarete Brito

Outra mulher de fibra em destaque na luta pela legalização da plantinha é a coordenadora da APEPI – rede de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal, mãe da sofia e agora cultivadora de cannabis autorizada pela justiça, Margarete Santos de Brito.

 Só as fêmeas dão onda

Margarete é coordenadora da APEPI – rede de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal, mãe da sofia e agora cultivadora de cannabis autorizada pela justiça

“Era um bebê de um mês que tomava muita droga. Droga lícita. Os efeitos colaterais eram terríveis”, é como Margarete conta a saga de sua filha Sofia, hoje com oito anos. “Começamos a buscar outras opções. Foi aí que a gente encontrou a maconha.”

Numa história de luta e sofrimento semelhante a de Katiele Bortoli, primeira mãe a receber autorização da ANVISA para importar o óleo de maconha – único medicamento capaz de aliviar as crises severas que a Síndrome de Dravet provocava em sua filha Any, Margate também passou anos em uma busca frustrante e aparentemente interminável, até que descobriu no óleo rico em canabidiol a esperança e alívio para as crises de Sofia, decorrentes da síndrome de CDKL5. Em 2016 a Justiça Estadual do Rio de Janeiro finalmente concedeu a Margarete e ao marido um habeas corpus preventivo para plantar maconha no apartamento da família, na capital f(l)uminense. Mães de luta, univos!

 Só as fêmeas dão ondaRonete Rizzo

E como não podia deixar de ser, também temos ótimas representantes brasileiras nesse post! Ronete já é figurinha carimbada nas marchas, debates e eventos cannábicos em terras tupiniquins. Após anos de conflito e sofrimento por não aceitar o filho usuário, foi preciso diagnosticar e enfrentar um câncer para que Ronete finalmente se abrisse ao uso medicinal da ganja, o que não só auxiliou-a com os efeitos colaterais da quimioterapia, mas também com a expensão de sua consciência sobre a falência da atual política de drogas e a urgência na mudança da lei. “Por favor, libertem meu filho da biqueira” é uma das frases que costuma estampar em seus cartazes e falas. Mãeconheira? Tem também!

Esses foram só alguns dos exemplos das várias minas de responsa que estão a frente da luta por uma política de drogas menos careta e hipócrita. E esse é só o começo. A indústria da ganja já mostrou que há espaço para todos e as mulheres certamente ocuparão cada vez mais esse espaço que é delas por direito. Fica aqui nossa gratidão, admiração e respeito por todas as belas flores de luta e resistência que brotam todos os dias!

Segue abaixo um compilado com links de matérias, trampos e ações de outras mulheres arretadas e (por que não) pioneiras no universo verde:

 Só as fêmeas dão onda

Maria Antônia Goulart é artista plástica, ativista e usuária de cannabis medicinal

Maria Antônia Goulart é artista plástica, ativista e usuária de cannabis medicinal. Criadora da página “Eu uso maconha medicinal” no Facebook, é militante pela legalização da maconha, faz parte da organização da Marcha da Maconha de São Paulo.

https://www.connabis.com/maria-antonia-goulart

Mônica Pupo é jornalista, cannabista, criadora do site de notícias naturais Maryjuana, uma das pioneiras no midiativismo cannábico feminino.

https://www.connabis.com/monica-pupo

No Colorado, primeiro estado americano a legalizar a erva para fins não medicinais, “indústria da cannabis” tem como principais protagonistas mulheres jovens e bem-sucedidas.

http://www.smokebuddies.com.br/conheca-as-rainhas-da-maconha-que-comandam-negocios-legais-nos-eua-e-faturam-ate-us-2-mi/

As irmãs do Valley que ficaram famosas por sua luta contra a proibição, plantando e produzindo medicamentos à base de maconha na cidade de Mercedes, Califórnia, continuam firmes em seu propósito de produzir remédios naturais e ajudar as pessoas que precisam da cannabis para o tratamento de suas enfermidades. Saiba mais sobre as Sisters of the Valley no texto de Fernanda Caldas.

http://www.smokebuddies.com.br/conheca-as-freiras-da-california-que-plantam-e-fumam-maconha-para-fins-medicinais/

Fotografia de capa: Phill Whizzman

 Só as fêmeas dão onda

Sobre Nah Brisa

Sem formação, roteiro ou pretensão. Gosta de ligar a câmera, acender um e escrever à mão. Prefere sempre sentar no chão. Não acredita em nada e acha que nada é impossível. Também sabe que essa descrição tá horrível.