RENFA promove Teia Latino Americana de Feministas Antiproibicionistas

 RENFA promove Teia Latino Americana de Feministas Antiproibicionistas

Entre os dias 23 e 25 de novembro, Montevidéu, no Uruguai, será palco do 14º Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe (EFLAC), onde ocorrerá o encontro das diversas expressões do movimento feminista da América Latina. E, representando o Brasil, a RENFA – Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas desde já articula em terras hermanas a construção de uma rede latino-americana de Feministas Antiproibicionistas.

A Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA) conduziu ontem, 21 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai, uma Teia Latino Americana e Caribenha de Feministas Antiproibicionistas. Fruto de uma parceria com a ProDerechos e a Junta Nacional de Drogas do Uruguai e com o apoio do Fundo Elas, a reunião agregou mulheres do Brasil, Uruguai, Argentina, Peru, Chile, Colômbia e México, que discutiram sobre a atuação e a perspectiva feminina na reforma da política de drogas. A Teia antecede a programação do 14o Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe (EFLAC), que ocorre entre os dias 23 e 25.

Para se preparar para a realização da Teia, durante seu processo de construção, a RENFA articulou reuniões preparatórias na Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. E durante esses encontros, cada estado pôde pontuar as questões estruturantes que atravessam a política de drogas no Brasil e, sobretudo, seu impacto na vida das mulheres, sendo que pautas estruturantes para a Rede, como racismo, machismo e o recorte de classe estiveram, como sempre, em evidência nas discussões.

Na primeira parte do encontro, a Teia proporcionou um espaço para a troca de experiências sobre mulheres e drogas, sendo que durante todo o evento se realizaram discussões no intuito de cooperar para a construção de uma agenda conjunta que contemple as consequências das políticas de drogas nas vidas das mulheres latino-americanas, a partir da criação de uma Rede Latino Americana de Feministas Antiproibicionistas que siga se articulando permanentemente. A proposta foi identificar as pautas comuns e fortalecer e ampliar a resistência das mulheres que lutam pela reforma da política de drogas em todo o território latino-americano. Do Brasil, a RENFA está enviou representantes da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Piauí e Paraíba.

Além da reunião para a articulação da Rede Latino Americana, a RENFA também participará da programação do 14o EFLAC, no dia 23, às 16h, como proponente da Mesa Mulheres brasileiras pela reforma da política de drogas, onde serão compartilhadas as experiências da Rede nos últimos anos, como a realização do Curso Mulheres e Drogas – que formou 80 mulheres em Salvador, na Bahia, e em Recife, Pernambuco – e do I Encontro Nacional de Feministas Antiproibicionistas (ENFA), que contou com a participação de 150 mulheres de todo o país, em setembro deste ano, na capital pernambucana.

Sobre a RENFA

Em 2014, na cidade do Rio de Janeiro, o encontro de 40 mulheres ativistas feministas de nove estados do Brasil foi o pontapé da articulação que, em 2016, durante o I Encontro Nacional de Coletivos e Ativistas Antiproibicionistas (ENCAA), no Recife, resultou na criação da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas.

Atualmente, a RENFA conta com cerca de 200 mulheres e com representação no Distrito Federal e em 12 estados do país: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.

As mulheres envolvidas na construção da rede são aquelas cujos perfis são os mais afetados pela Guerra às Drogas. São mulheres cis e trans, negras, jovens, periféricas, usuárias de drogas, profissionais do sexo, mulheres em situação de rua, pesquisadoras ou ativistas, envolvidas de formas diversas na luta pela reforma da política de drogas, norteadas pela perspectiva dos Direitos Humanos e da Justiça Social. São atuantes dentro dos movimentos sociais de luta pelo direito à cidade, nos serviços públicos de saúde e assistência, no trabalho com mulheres privadas de liberdade e em situação de
rua, produtoras de conhecimento dentro da acadêmica e no campo da comunicação. Ativistas na luta feminista e em outros campos, fundamentais para a garantia dos direitos das mulheres em situação de vulnerabilidade.

Fotografia de Capa: Proderechos – Red Latinoamericana y Caribeña de Feministas Antiprohibicionistas