Refugiados no Uruguai: quem são os brasileiros por trás da maconha

 Refugiados no Uruguai: quem são os brasileiros por trás da maconha

Em nossa trip pelo Uruguai conhecemos os brasileiros que largaram tudo por aqui em busca da sonhada liberdade canábica, ainda distante de se concretizar no Brasil. Aperte e conheça suas histórias.

Com uma população de quase 3,5 milhões de habitantes e mais de 10 milhões de bovinos, ou seja, uma média de 3 vacas para cada habitante, o Uruguai pode ser facilmente identificado como o país da agropecuária, do Dulce de Leche e do Tango, mas sem sombra de dúvidas pode ser identificado também como o pioneiro em liberdades individuais na América Latina, o que atrai cada vez mais brasileiros para o país.

Desde que o país estabeleceu o marco regulatório da marihuana em 2013, quando os uruguaios e estrangeiros radicados receberam permissão para cultivar a planta em casa ou nos clubes canábicos, a vida de muitos brasileiros tem mudado.

Durante nossa trip conhecemos alguns brasileiros radicados no país, suas histórias e expectativas na busca da sonhada liberdade do mundo canábico. São pessoas que resolveram ir para o país hermano atrás de informações, inovações,  empreendimentos e medicina canábica.

A procura por produtos e derivados da maconha para fins medicinais, aliados a insumos para cultivos, como sementes, substratos e tecnologias, atrai muitos brasileiros, que entre os turistas representam uma grande parte do rendimento deste mercado, representando em algumas growshops e lojas do ramo mais de 80% do faturamento mensal.

Na busca de investimento

Enquanto muitos brasileiros injetam dinheiro no mercado canábico uruguaio como consumidores, na outra ponta percebe-se a oportunidade em empreender no ramo com a liberdade e incentivo financeiro que ainda não existem no Brasil. Como é o caso do gaúcho Conrado Andrade, de 28 anos, que viu a oportunidade e buscou investimento de uma incubadora junto com a Agência Nacional de Pesquisa e Inovação (Anii), que aportou um investimento de US$ 25 mil na “La Box”.

 Refugiados no Uruguai: quem são os brasileiros por trás da maconha

Com um conjunto de aparelhos eletrônicos e sensores instalados nas salas de cultivo e nos vasos de maconha, o equipamento permite o gerenciamento remoto de luminosidade, temperatura e umidade em tempo real pelos cultivadores, que podem armazenar dados do plantio para comparações futuras.

Pretendendo criar uma ferramenta complementar para recolher informações reais para um simulador 3D de cultivo de maconha, que começou a ser desenvolvido em 2010, Andrade se viu surpreso com a alta aceitação do produto, quando exibido de forma experimental na Copa da Maconha em Montevidéu, em 2014.

Com uma boa ideia e a oportunidade em vista, Conrado e seu sócio argentino Matías Bazan – olha o Uruguai atraindo outros hermanos além dos brazucas – buscaram a Sinergia, uma incubadora de projetos de tecnologia da América Latina, que viabilizou o investimento da Anii para o desenvolvimento do produto. Segundo Andrade, a pré-venda será online e deve acontecer em breve.

“Yo, la marihuana y una cámara”

Outro gaúcho que faz parte dos Buddies que migraram para o país, atraídos pelas possibilidades vindas da regulamentação da maconha, é Henrique Reichert, de 30 anos, que é o criador do site e canal no Youtube “Eu, a Maconha e uma Câmera” e o nosso correspondente no Uruguai.

Em setembro de 2014, Henrique Reichert trancou a faculdade de pedagogia em Novo Hamburgo (RS), fechou a sua produtora cultural e deixou a família para ver de perto a legalização da maconha. “Logo após a exibição de um especial exibido no Globo Repórter, que mostrava o país como uma suíça da América Latina, vim passar férias no Uruguai por uma semana com um amigo. Também vim com a ideia de sondar para talvez morar aqui. Quando voltei ao Brasil, só deu tempo mesmo de vender algumas coisas. Em menos de um mês, já estava de volta definitivamente”, relembra.

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Henrique rapidamente se estabeleceu e passou a conhecer de perto toda a ‘movida canábica’ e  diante de tanto conteúdo jornalístico, do qual pouco chegava ao Brasil, passou a nos ajudar na redação. Reichert, que se dedica integralmente às atividades relacionadas à ganja, se tornou influencer e referência na internet com seus vídeos sobre o assunto.

Recebendo centenas de mensagens de pedido de ajuda e dicas de pessoas que querem ir para o Uruguai e ficarem mais próximas de uma liberdade ainda não existente no Brasil, a assessoria para os trâmites burocráticos para quem deseja virar um cidadão uruguaio é um dos serviços realizados pelo gaúcho uruguaio que também realiza roteiros para lugares relacionados à cultura e aos avanços do marco regulatório, que se agregam a toda a beleza do Uruguai. Um serviço ótimo para quem tá passeando e melhor ainda para quem pensa em se naturalizar.

Assista:

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Reichert, que nos hospedou durante nossa trip, faz de sua morada um Airbnb Canábico, hospedando brasileiros e outros estrangeiros e estando à disposição para levá-los aos pontos turísticos canábicos mais irados, entre Growshops, como a Juana Grow que nos recebeu como amigos de longa data, Museu da Cannabis e vários outros picos canábicos. “Hoje vivo financeiramente da maconha”, conta nosso hermano que tem em seus planos um clube de cultivo para brasileiros radicados no Uruguai.

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Planos, sonhos e realizações foram muito dos assuntos que, entre um baseado na aLeda ou na KingBlunt, brotavam nas rodas que se formavam com os brasileiros que fomos trombando. 

Chef Canábico

Trombamos em Montevidéu com Gustavo Henrique ‘Colombeck‘ que chegou no Uruguai em abril deste ano para se naturalizar e para buscar algo que no Brasil ainda é difícil: se especializar em culinária com cannabis.

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Colombeck oferece o serviço de “Chef Weed House“, indo à casa ou evento para produzir comidas ou jantares canábicos.

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Gustavo Colombeck é Chef de profissão e Dj nas horas vagas.

Representando marcas Tupiniquins 

Em nossa trip tivemos o prazer de conhecer Hélio Tello, empresário que desembarcou no país em março de 2014, levando artigos da indústria brasileira, como papeis, bongs e piteiras para o mercado uruguaio.

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Do pé brota a terapia

Indo além da capital uruguaia, fomos a Punta del Diablo para conhecer um cozinheiro canábico que tem feito sucesso no Chile, Argentina e arredores – o que é assunto para uma próxima pauta – e adivinha só: trombamos com mais brasileiros. Litman Botigeli, de 25 anos, estava fazendo um mochilão e chegou em Montevidéu, para ir à ExpoCannabis 2016, quando conheceu um brasileiro que mostrou um mercado novo que o fez largar tudo em São Paulo para estudar e cultivar cannabis para fins terapêuticos, no país hermano.

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Já anda pensando em mudar de país? Leu e se inspirou com as histórias acima e tá querendo dar um passo a mais?  Antes saiba como está o país com a maconha legalizada e que, apesar da erva ser legal, o nosso vizinho possui regras que são bem diferentes para cidadãos e turistas. Então, confira 5 dicas do Smoke Buddies para você ter a melhor onda em terras de Mujica sem sequelas.

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Sobre Dave Coutinho

Carioca, Maconheiro, Ativista na Luta pela Legalização da Maconha e outras causas… um dos responsáveis e ‘faz-tudo’ do Smoke Buddies.