Produtos chiques tentam deixar maconha mais aceitável

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Empresa investe em produtos de luxo como vaporizadores, pastilhas comestíveis, caixas de armazenamento e até cepas selecionadas de maconha embrulhada em folhas de ouro, para que a cannabis seja mais aceitável socialmente. As informações são do The New York Times, via ZeroHora.

A maconha recreativa pode ser legal na Califórnia, mas comprar o produto ainda faz com que o famoso tatuador e artista plástico Scott Campbell se sinta como um adolescente que mata aula para fumar um baseado.

“Você compra a erva e é como se estivesse visitando seu oficial de condicional”, compara Campbell, que mora em Los Angeles. “É preciso passar por três portões de metal.” Lá dentro, os produtos de cannabis normalmente são embalados em pacotes com desenhos confusos no estilo Deadhead, com nomes que lembram um humor pós-adolescente como Gorilla Glue e Purple Urkle.

Campbell quer mudar tudo isso com a Beboe, uma linha sofisticada de vaporizadores e pastilhas comestíveis de cannabis que fundou com o ex-executivo de moda Clement Kwan, tendo como alvo os profissionais do design experientes que valorizam produtos diferenciados fabricados com sensibilidade artesanal.

A Beboe, que está começando a ficar conhecida por nomes importantes de Hollywood como a Hermès da maconha, foi revelada recentemente em uma rica festa em West Hollywood, à qual compareceram pessoas como Orlando Bloom, Sharon Stone e Justin Theroux. “Sabe quando você vai a um jantar e leva um vinho chique?”, pergunta Campbell. “É isso que queremos: a cultura do jantar bacana.”

Com esse espírito requintado, os produtos da Beboe podem ser comparados ao mais novo perfume à venda na Bergdorf Goodman. Os vaporizadores descartáveis da empresa, que custam US$ 60 e servem para cerca de 150 tragadas de infusão de maconha, têm design elegante, apenas uma cor – ouro rosa – e não pareceriam deslocados no bolso de um terno Saint Laurent.

A embalagem também vale uma foto no Instagram: caixas brancas enfeitadas com elegantes desenhos de traços finos feitos por Campbell. A empresa vende ainda pastilhas comestíveis com doses baixas em caixas de 25 por US$ 25.

 Produtos chiques tentam deixar maconha mais aceitável

Scott Campbell, à esquerda, e Clement Kwan, fundadores do Beboe, uma linha sofisticada de canetas de vaporizador e pastilhas comestíveis.

“Você pode comer uma das balas, que tem cinco miligramas. Não dá para ficar alto com uma bala, só torna seu dia um pouco mais quente, um pouco melhor. É como `uma ajudazinha¿. Você pode comer uma às três da tarde e seu chefe nem perceberia. Não precisa se preocupar com ter vontade de ficar chorando no sofá em posição fetal por quatro horas.” (A dosagem dos produtos comestíveis de cannabis legalizados vem se tornando uma questão de saúde à medida que novos estados legalizam a droga. Em 2015, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos emitiu um aviso sobre um produto comestível de cannabis depois que um homem de 19 anos consumiu um biscoito inteiro com 65 miligramas de THC, o principal ingrediente psicoativo da maconha, e pulou do quarto andar de um prédio em Denver, no Colorado.)

A Beboe não é a primeira empresa a tentar deixar a maconha mais chique. A Tetra, fundada por escritores de estilo e desenho, vende cachimbos de design e caixas de armazenamento que poderiam estar na loja do MoMa. Um clube social chamado Beverly Hills Cannabis Club vende cepas selecionadas de maconha embrulhadas em folhas de ouro a US$ 700 por 28 gramas do produto.

Mesmo assim, a influência dos fundadores da Beboe agraciou a empresa com um começo incomum. Kwan foi presidente da Yoox North America, uma loja on-line de luxo; antes disso, trabalhou como gerente de projetos empresariais da Dolce & Gabbana.

Campbell, por sua vez, já tatuou nomes como Heath Ledger, Penélope Cruz e Marc Jacobs. Ele é casado com a atriz Lake Bell e foi padrinho do casamento de Theroux com Jennifer Aniston em 2015.

A lista de investidores importantes da Beboe inclui a atriz Rose McGowan, Carmen Busquets, uma das primeiras a apostar no Net-a-Porter, e Joanne Wilson, a investidora-anjo que administra o popular blog de empreendedorismo Gotham Gal. A nova estrela da maconha tem esse nome por causa da avó de Campbell, Be (apelido de Bernice) Boe, que costumava fazer brownies de maconha para diminuir as dores da mãe do tatuador, que lutou contra um câncer quando ele era criança. “Eu me lembro de uma vez quando, depois de comer uma nova fornada de brownies, minha mãe pôs uma das suas perucas de quimioterapia em um carrinho de controle remoto e colocou-o para perseguir o cachorro pela casa. Ela e a vovó não conseguiam nem respirar de tanto que riam”, conta Campbell.

Já Kwan ajudou a financiar seu curso na Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde estudou finanças corporativas, com uma operação hidropônica que produzia nove quilos de maconha por mês.

Embora Kwan diga que evitava qualquer confronto com a lei, foi forçado a fechar suas várias salas de plantação quando se tornou analista de fusões e aquisições no setor de tecnologia. “Partiu meu coração. Eu amava, amava, amava a plantação”, conta ele.

Nenhum dos fundadores pareceu preocupado com a possibilidade de que o governo Trump imponha uma repressão na maconha legal na Califórnia, o único estado onde os produtos da Beboe são vendidos. (Apesar do fato de hoje a cannabis ser legal de alguma maneira em 29 estados, assim como no Distrito de Columbia, sua posse ainda é uma ofensa federal nos Estados Unidos, e uma primeira condenação é punível com até um ano de prisão e multa de US$ 1 mil.)

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Produtos da Beboe são elegantes em design e vêm em apenas uma cor, ouro rosa.

Campbell espera que marcas de maconha chiques como a sua tornem a droga mais aceitável socialmente.

“Sempre há aquela hora, como no Chateau Marmont, quando você vai a um jantar e, em um momento entre os pratos e a sobremesa, um punhado de gente some entre os arbustos para fumar um baseado. Estamos tentando fazer as coisas de uma maneira que eles não tenham mais que sair da mesa”, diz Campbell.

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