Pesquisadores estudam tratamento para o autismo com extrato de maconha

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Estudo realizado por companhia australiana, em parceria com a Fundação Daya, com crianças portadoras de autismo revelou que os extratos de maconha utilizados foram significantemente mais efetivos que os remédios convencionais. As informações são da Leafly, com tradução e adaptação do Smoke Buddies.

A companhia de pesquisa clínica australiana Zelda Therapeutics¹ anunciou recentemente que concluiu um experimento de observação no Chile e afirma ter obtido, com sucesso, resultados positivos no tratamento dos principais sintomas do autismo com o uso de extratos medicinais de cannabis. Os representantes da empresa anunciaram que começarão os experimentos clínicos com o medicamento no segundo semestre de 2017.

O estudo realizado em parceria com a Fundação Daya – instituição sem fins lucrativos que auxilia famílias e pacientes que necessitam do uso terapêutico da maconha no Chile – focou no tratamento dos sintomas do autismo, incluindo as dificuldades na interação social, linguagem e comportamento repetitivo.

Os resultados mostraram que, em um grupo de 21 pacientes (com idade média de 09 anos e 10 meses), os extratos de maconha foram significantemente mais efetivos que os remédios convencionais, incluindo antipsicóticos atípicos.

Os pacientes do estudo foram tratados por um período de 12 semanas e faziam eletroencefalograma, análise neuropsicológica e testes de genética e metabolismo. Aqueles tratados com os extratos de cannabis demonstraram uma melhoria expressiva de pelo menos 1 dos 3 principais sintomas (interação social, linguagem e comportamento repetitivo) em 71,4% dos casos, sendo  que 66,7% dos pacientes demonstraram melhora geral.

Harry Karelis, presidente executivo da Zelda, ficou animado com os resultados, já que ele vê um futuro promissor nos tratamentos do autismo com a maconha medicinal.

Segundo Karelis, os resultados desse estudo observacional são animadores e apoiam as evidências que têm, mostrando os efeitos positivos da cannabis medicinal no tratamento dos sintomas do autismo.

“A Zelda usará esses dados para projetar seus ensaios clínicos e gerar dados científicos rigorosos que validem mais ainda os benefícios da maconha medicinal”, segundo o executivo que ainda afirmou:

“Esperamos que em um futuro próximo a Zelda Therapeutics possa prover uma alternativa de tratamento para aqueles que sofrem com essa condição, que é de proporção global.”

Leia também: Estudo revela: Maconha afeta o Autismo Positivamente

Existe pouco estudo científico documentando o uso da cannabis para o tratamento do autismo. Em 2011, um estudo publicado na Current Neuropharmacology demonstrou que o tetraidrocanabinol (THC) melhorou a mobilidade e o humor num grupo de roedores que tinham comportamentos semelhantes ao do autismo. Ainda assim, um estudo em ratos é totalmente diferente de um estudo revisado por pares realizado em seres humanos.

Experimentos clínicos são muito importante para estabelecer a segurança e efetividade de um tratamento, e também gerar aceitação e ajudar na regulação. No caso da cannabis como um tratamento para o autismo, a Zelda está muito otimista, apesar da falta de estudos publicados.

Mas esses experimentos com substâncias pouco estudadas consomem tempo, dinheiro e estão longe da garantia de serem finalizados. O que importa é que estudos sejam feitos o quanto antes, para legitimar e confirmar os efeitos positivos que ajudam muitas pessoas pelo mundo todo.

¹Zelda Therapeutics foi formada para reunir alguns dos principais clínicos e pesquisadores do mundo todo, comprometidos no estudo da cannabis no tratamento de inúmeras doenças e condições.

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Sobre Gabriel Broitman

Ativista fanático pela planta e os horizontes que ela abre. Tenho 21 anos, estudo sistemas, levo a música no coração e escrevo nas horas vagas 😉