Pesquisadores e pacientes sofrem com entraves às pesquisas relacionadas à maconha

 Pesquisadores e pacientes sofrem com entraves às pesquisas relacionadas à maconha

No Brasil, a onda da legalização segue a passos lentos e a proibição ainda atravanca as pesquisas com a maconha, para o desenvolvimento de óleos ricos em canabidiol, por exemplo. Para a lei, tanto as strains ricas em THC quanto as ricas em CBD são proibidas de entrar no país para fins científicos, assim a produção ou análise do óleo de cannabis em laboratórios não é possível. Entenda mais sobre o assunto na segunda reportagem da série “Maconha – Além do Tabu”, produzida pela CBN.

A portuguesa Sandra Nogueira descobriu um câncer de mama quando morava em São Paulo. Como se não bastassem os efeitos da doença, ela passou a conviver também com os fortes enjoos e a falta de apetite causados pela quimioterapia.

“Eu não estava aguentando a quimioterapia, não conseguia nem levantar da cama. O tratamento causa muitos enjoos. Em duas semanas de quimioterapia eu já estava com um aspecto lastimável, parecia que tinha saído de um campo de concentração”, relata.

Com um filho pequeno e sem que qualquer medicação fizesse efeito, ela iniciou um tratamento experimental à base do óleo de cannabis, fornecido de maneira clandestina por pessoas que produzem a substância em casa.

“De um dia pro outro passei a levantar da cama, a sentir mais energia, fiquei com mais apetite e com um aspecto melhor”, conta.

O tratamento dela e de todos os pacientes que recebem o cannabidiol de pequenos produtores acontece de forma experimental, a cada dose. Situação que seria resolvida, caso a produção do óleo fosse de origem laboratorial. É o que diz o neurologista Eduardo Faveret, um dos primeiros médicos brasileiros a receitar a substância.

“Você faz uma aproximação, usa a sua cautela pra iniciar o tratamento devagar e vai aumentando a dose gradualmente. É claro que o desejável é que tenhamos a possibilidade um suporte de mensuração das concentrações dessas substâncias pra quem quiser cultivar a planta em casa e produzir o seu óleo. Mas, quem dá esse óleo ao pobre? O SUS, que está falido? Existem dezenas de pessoas que ganharam ações na Justiça pra receber a substância, mas até hoje não receberam o óleo”, explica ele, que defende a produção doméstica.

Leia o primeiro artigo da série: Famílias criam redes clandestinas de distribuição de óleo de maconha

Mas o Brasil ainda engatinha no que diz respeito às pesquisas científicas sobre os derivados da maconha. A farmacêutica Virginia Carvalho é pioneira nos estudos sobre isso no país. Pra ajudar os produtores caseiros, ela analisa a concentração da substância no Laboratório Toxicologia da UFRJ. Mas Virgínia lamenta que hoje os estudos sobre as variedades da maconha ricas em CBD – a substância medicinal que não causa ‘barato’ e é usada no tratamento de doenças – estejam parados. O motivo? Pra lei, todas as variações são vistas da mesma forma, o que impede a chegada das mudas da erva ao Brasil pra fins científicos.

“O THC é um dos princípios ativos da planta. Ele tem um efeito euforizante no sistema nervoso central. De maneira popular, é a substância que dá o ‘barato’ da maconha. Já o Canabidiol (substância utilizada para o tratamento de epilepsias refratárias e outras doenças) tem um efeito contrário. Devido à proibição, sempre foi muito difícil o acesso à planta para que os pesquisadora possam fazer os estudos. O que temos no Brasil é muito conhecimento empírico”, explica.

 Pesquisadores e pacientes sofrem com entraves às pesquisas relacionadas à maconha

A Anvisa trabalha com a expectativa de ter, até 2018, os remédios a base de canabidiol disponíveis nas farmácias. É o que explica o presidente do órgão do órgão, Jarbas Barbosa.

“No ano passado nós mudamos a regulamentação para permitir o registro de medicamentos à base de THC e Canabidiol. Nós estamos agora regulamentando a parte de implantação de pesquisas e fabricação de medicamentos”, garante.

Na reportagem de amanhã, você vai saber, com exclusividade, como funciona o grupo que se intula um “clube de consumo recreativo da maconha no Brasil” – e vai entender a polêmica envolvendo ele.

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