O poder da má comunicação: 5º Simpósio Internacional Maconha Outros Saberes

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O segundo dia de simpósio trouxe um debate novo para os eventos onde se fala sobre maconha. Em uma mesa de grande importância para os produtores de jornalismo sobre drogas, foi discutido como tem sido o papel da mídia na cobertura do assunto.

O debate foi mediado por Cazé Peçanha, apresentador de diversos programas de televisão e maconheiro assumido. Na mesa estavam presentes três nomes do jornalismo brasileiro conhecidos pela abordagem mais precisa com relação a essa pauta – Fernanda Mena (Folha de São Paulo), Bruno Torturra (Rede Pense Livre) e Maria Carolina Trevisan (Jornalistas Livres).

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Cazé Peçanha mediando a mesa “O papel da mídia na construção da mentalidade sobre a maconha”

O poder da comunicação ruim

Abrindo a mesa de debates, a jornalista Fernanda Mena apresentou um panorama histórico de como a imagem e, consequentemente, o discurso anti-drogas foi criado e disseminado pelo mundo. Fernanda destacou que a mensagem criada das drogas como algo perigoso e relacionada a certos grupos sociais vem antes da política de “guerra às drogas” apresentada pelo ex-presidente norte-americano Richard Nixon, nos anos 70. A mensagem começou 49 anos depois da 2ª Guerra do ópio, num tratado internacional que proibiu o comércio e uso dessa substância, sendo apenas para uso médico. Com a maconha não foi diferente, porém alguns anos mais tarde.

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Fernanda Mena ao lado de Bruno Torturra.

“Não é à toa essa batalha da mídia de desconstruir essa imagem do maconheiro como o vagabundo, o marginal, porque esse discurso vem sido proferido há mais de um século.” – Fernanda Mena.

Mas de que forma essa má comunicação ganhou força? Alguns motivos estão ligados à falta de conhecimento da população em geral sobre determinados assuntos e que acabam ganhando valor de verdade absoluta se proferidos por certos grupos da sociedade. Foi através do discurso de médicos e órgãos do governo, além do discurso religioso, que a comunicação contra o uso de entorpecentes foi enraizado no senso comum mundial. Fernanda destacou os EUA como o epicentro da articulação destes discursos que também vinculou o perigo das drogas às minorias – ópio com chineses e cocaína com negros, por exemplo, e mais tarde no Brasil, o uso da maconha relacionada aos negros.

Audiência do crime

A jornalista Maria Carolina Trevisan trouxe à mesa de debates uma análise crítica de como a imprensa brasileira cobre e pratica o jornalismo quando a pauta são as drogas. O conteúdo que nos chamou atenção foi o resultado de um monitoramento realizado pela ANDI – Comunicação e Direitos, que revelou quais são as violações de direitos (exposição indevida e criminalização sem provas, por exemplo) mais recorrentes na televisão brasileira. Os programas Cidade Alerta e Brasil Urgente ficaram em primeiro lugar no ranking dos que mais violam esses direitos. O estudo revelou também que durante um mês de monitoramento mais de 4 mil violações ocorreram.

Imprensa proibicionista

Além de falar sobre este estudo da ANDI, a jornalista criticou a forma de como a imprensa tradicional inclui as drogas e a maconha apenas em casos de polícia ou notícias de problemas morais, porém ressaltou a importância da chegada (atrasada) da maconha medicinal e do CBD nos noticiários como sendo um divisor de águas na cobertura da maconha pela imprensa brasileira.

“…depois do CBD houve uma tendência de mudança na cobertura da maconha. Quando associada à questão da saúde ela não está com um viés criminalizante.” – Maria Carolina Trevisan.

Apesar desta mudança de olhar com relação ao uso da maconha, a imprensa ainda trata outras drogas de maneira errada, como é o caso da pauta do crack. Na opinião da jornalista, ainda há dificuldade por parte das mídias tradicionais em abordar o assunto sem estereotipar e marginalizar os usuários de crack.

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Fernanda Mena e Cazé Peçanha.

A jornalista apontou o que considera necessário para uma boa cobertura sobre drogas:

1) avaliar o contexto histórico no qual os entorpecentes estão inseridos na sua pauta;

2) verificar qual a lei de drogas vigente no país retratado;

3) analisar a relação indivíduos presos X condenações por tráfico de drogas.

Acompanhando a opinião do cineasta Rodrigo Mac Niven (Cortina de Fumaça/2010), que participou do 1º dia de evento, ela acredita que na produção do jornalismo é sempre interessante:

“…trazer a história das pessoas, porque a gente está falando de vidas. Uma boa reportagem ela precisa tocar o leitor pra ter capacidade de mudar a sociedade.” – Maria Carolina Trevisan.

O debate terminou com as palavras de Bruno Torturra que revelou ser ex-usuário de cannabis e analisou a importância da internet na disseminação do conhecimento sobre drogas, em especial a maconha. Fique de olho no site do Smoke Buddies e em nossas redes sociais e em breve saiba como o jornalista avaliou a mídia tradicional VS a era da hiperconectividade.

Perdeu como foi a abertura do 5ª Simpósio Internacional Maconha Outros Saberes? Clique aqui e compartilhe!

Clique aqui e saiba como foi a mesa de debate com os diretores Tarso Araújo, do doc Ilegal, Fernando Grostein, do Quebrando o Tabu, e Rodrigo Mac Niven, do Cortina de fumaça.

Foto de capa: Mateus Lima.

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Sobre Leo Sativa

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